William Wilberforce, por Tiago Fonseca

William Wilberforce     Um homem de fé – O legado da luta pessoal, com a ajuda de Deus, e a vitória que por Ele alcançamos

     Gostaria de chamar três pessoas. Uma delas tem de ser corajosa e que não se importe de se deitar no chão. Imaginem, tal como aqui vamos demonstrar, deitarem-se numa cama em que a parte de cima encontra-se apenas a 50 cm de vocês, e que nem a 20 cm de vocês está alguém ao vosso lado, tanto de um lado como do outro? E imaginem que há pessoas que estão deitadas no estrado por cima de vocês? E imaginem que as necessidades fisiológicas que elas fazem caem em cima de vocês? E que as vossas caem em cima de quem se encontra por baixo de vocês? E que o “quarto” onde vocês estão deitados e todas as outras pessoas estão, é fechado e chega a ter temperaturas de 50º? E que o dito “quarto” balança e agita-se ao sabor das ondas? E que vocês passam dias e dias, e até mesmo meses nesta mesma posição? Parece um inferno? Parece insuportável, não é? E agora imaginam cerca onze milhões de pessoas a viajar nestas condições ao longo de quase 300 anos? Imaginam cerca 1 milhão e 400 mil de pessoas que morreram derivadas destas condições e que foram jogadas ao mar, e que a sua identidade permanecerá incógnita para sempre? Não, não imaginem. Não precisam de imaginar porque isto aconteceu mesmo. Entre o século 15 e o século 17/18, foram traficados cerca de onze milhões de escravos que viajavam durante meses nas condições que vos descrevi. Cerca de 1 milhão e 400 mil escravos morreram por não aguentarem estas condições infernais, e os seus corpos foram jogados no mar, como se se tratassem de animais. Não tinham direito a funerais, a algo que os identificasse.

     Imaginem-se a viver numa sociedade em que isto é algo comum e diário. Uma sociedade em que para a grande maioria das pessoas, isto é uma questão que lhes é indiferente. E de repente, vocês apercebem-se desta situação e erguem-se, completamente sozinhos no meio da multidão e decidem lutar contra isto. Decidem lutar contra a escravatura, contra o comércio de escravos. E fazem disso a vossa luta pessoal. A luta que vos vai ocupar grande parte da vossa vida. Eu hoje gostaria de falar-vos de um homem que dedicou a sua vida a esta causa. Um homem que como disse deixou um legado pessoal, mas que afinal era um legado universal, e que nos dias de hoje muitas pessoas desfrutam das consequências desse legado. Talvez alguns já tenham percebido a quem me refiro. Falo de William Wilberforce. 

     William Wilberforce nasceu na cidade portuária de Hull, originário de uma família de mercadores. Se recuarmos à época, apesar da família não ser comerciante de escravos, os escravos eram uma presença constante nas tripulações dos navios, devido à mão de obra forte e gratuita. Como tal é bastante provável que para Wilberforce, a presença de escravos fosse uma constante na sua vida. 

     Desde muito novo, Wilberforce envolveu-se na política. Foi deputado com 21 anos, representando a sua cidade no Parlamento Inglês. Com 24 anos, Wilberforce converte-se.

     Numa primeira instância, Wilberforce pensou em deixar a política. Mas ao mesmo tempo sentia que a vontade de Deus era que ele permanecesse na mesma. Assim, após muita oração, e aconselhamento com John Newton (lembram-se, aquele de quem vos falei ontem à noite?), Wilberforce ficou na política. Nas palavras de Newton, Deus teria levantado Wilberforce para “bem de uma nação”. O quão certo este homem estava!

     Não demorou muito até ter contacto com aquilo que iria defender pelo resto da sua vida. Wilberforce trava conhecimento com alguns abolicionistas, Dá-se conta da realidade da escravatura e decide lutar contra isso. 

     Wilberforce apresentou várias propostas no Parlamento inglês, todas recusadas. Nunca desistiu. Até que em 1807, Wilberforce obtém a primeira vitória. O Parlamento Inglês aprova a lei contra o comércio de escravos. Era o fim do comércio de escravos no Império Britânico. Segundo um biógrafo da época, Wilberforce sentou-se com as mãos na cabeça, as lágrimas escorrendo-lhe pela face. De acordo com relatos do The Morning Chronicle, um jornal da época, o Parlamento Inglês ergueu-se de pé para o aplaudir e recebeu três ovações. Para quem desconhece o funcionamento do Parlamento inglês, até os aplausos são proibidos, portanto tudo isto foi inédito. 

     Mas para o Wilberforce ainda não estava tudo ganho. Ele queria que a escravatura fosse toda abolida. Que todos os homens no Império Britânico fossem livres, independentemente da raça. Lutou o resto da sua vida por esta causa. Além desta causa, Wilberforce foi uma pessoa muito ativa na sociedade inglesa. Criou a Sociedade Real de Prevenção de Crueldade nos Animais, a Sociedade de Missões da Igreja, onde organizou várias expedições missionárias na Índia, fundou a Sociedade de Supressão de Vícios, e lutou pela criação da colónia de Serra Leoa (uma colónia para onde os escravos livres podiam dirigir-se e começar de novo a sua vida). A 26 de Julho de 1833, o Parlamento Inglês aprova a Lei da Abolição da Escravatura. Todos os homens no império britânico eram livres. Wilberforce disse “Graças a Deus, que eu vivi para testemunhar o dia em que a Inglaterra (…) aboliu a escravatura.”. Três dias depois, Wilberforce morreu. 

     Gostava de terminar com um pequeno texto, proferido por Charles Fox, um deputado do Parlamento que proferiu estas palavras aquando a abolição do comércio de escravos:

     “Quando as pessoas falam em grandes homens, elas pensam em homens como Napoleão – homens de violência. Raramente pensam em homens pacíficos. Mas contrastem a receção que terão quando regressarem a casa. Napoleão chegará com pompa e poder, um homem que alcançou a grande parte da ambição terrena. Ainda assim, os seus sonhos serão assombrados pelas opressões da guerra. William Wilberforce, contudo, regressará à sua família, deitará a cabeça na sua almofada e lembrar-se-á: o comércio de escravos já não existe.”

     Para pensares hoje: Pelo que é que eu tenho lutado? Que vou eu deixar para os outros? Aquilo por que tenho lutado será da vontade de Deus? O legado que estou a deixar é um legado que influência os outros para o bem, ou para o mal?

Tiago Fonseca
Legado - EJC 2014 

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