Viriato Dias Sobral (1908 - 1992)

viriato_dias_sobral.jpgPor José Fontoura

     Filho de lavradores abastados - gente da mais honrada que tenho conhecido -, Viriato Dias Sobral nasceu na freguesia da Branca, Albergaria-a-Velha, em 24 de Agosto de 1908. Condiscípulo dos que frequentaram a escola primária no seu tempo, foi bom aluno. Ainda novo, lá se não conformava com o amanho das terras e a roça do mato nos pinhais. Largando a soga dos bois seguiu a rota de Cabral e, como ele, também foi de navio que demandou o longínquo Brasil.

     Fê-lo na intenção de saber se a "árvore das patacas" estava no mesmo sítio e ainda se guardava alguma para ele. Talvez porque a encontrasse depenada - matreirice dos que chegaram primeiro -, ou porque o Tio Sam lhe acenasse com a cartola estrelada lá das bandas do Norte, fosse pelo que fosse ele tomou outro rumo e acabou por aportar nos Estados Unidos da América.
     Este português da Branca deu por si numa terra maior que a sua onde os olhos se arregalam e enchem de coisas grandes. Aquela terra é grande em tudo: Nas possibilidades - boas e más - e nos atractivos e tentações de toda a sorte. Por tudo isto e para se "americanizar" e ajudar o sapateiro, que era pobre, este jovem imigrante começou por se inscrever numa escola de dança, pois pensou fazer do bailado a sua carreira.

     Viriato Sobral recebeu de seus pais a mesma fé religiosa que a eles tinha sido dada. Apesar das suas andanças pelas terras dos outros e do inevitável confronto com uma enorme variedade de culturas, ele ia-se conservando católico sincero. Tal facto, porém, nunca lhe deu segurança nem o libertou do medo que sentia da morte e da eternidade. E não só isto.

     Naquele país onde os prazeres se oferecem por toda a parte, a sua alma continuava tão esvaziada de verdadeira satisfação como se ele de Portugal nunca tivesse saído. As oportunidades do homem - de que tanto se fala -, sempre coincidem com as oportunidades de Deus. O homem perde muitas vezes as que se lhe deparam. Deus, por Seu lado, nunca deixa passar as Suas. Assim se compreende que tenha chegado um momento em que as duas oportunidades - a de Deus e a de Viriato Sobral, se encontraram.

     Tudo aconteceu numa noite. Foi numa igreja evangélica, em New Jersey, que ele escutou a pregação do Evangelho. O Evangelho de Cristo que os apóstolos pregaram. O Evangelho do Novo Testamento que a Igreja espalha. O Evangelho de que Paulo não se envergonhava, "por ser o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê" - Rom. 1:16. O Evangelho que revela quatro verdades fundamentais: Todo o homem, religioso ou ateu; é um pecador irremediavelmente perdido e morto para Deus. Como tal, tem a mais absoluta e urgente necessidade de salvação, sem poder contribuir para isso com qualquer meio, seu ou de outro. Cristo tomou o seu lugar no Calvário e ali morreu, para, com este seu único sacrifício de Si mesmo, poder salvá-lo perfeitamente. Deus, servindo-Se desta base, perdoa e salva completa e definitivamente o pecador, por muito mau que ele tenha sido, apenas em função do seu sincero, arrependimento e da sua verdadeira fé na Pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo. Isto é realmente o autêntico dom de Deus -salvação e Vida Eterna.

     Evangelho assim, com tal clareza e fidelidade, Viriato Sobral jamais tinha ouvido. Os seus pais nunca lhe falaram de modo tão simples, completo e verdadeiro, porque também os seus mestres o não tinham feito para com eles.

     Terminado o culto, o jovem Sobral seguiu para o seu quarto. Foi ali que Deus actuou mais íntima e directamente pelo Seu Espírito no espírito dele com poder, graça e amor. Ajoelhado ao lado da sua cama, com os olhos transformados em fontes de lágrimas, o pobre pecador clamou a Deus por misericórdia e abriu para Ele o seu coração qual flor sob a luz do Sol. A resposta divina não tardou. Ali mesmo e naquele momento crucial Jesus fez a Sua entrada como Salvador e Senhor daquela preciosa vida, por cuja causa tinha subido a encosta do Calvário. Reconciliado com Deus mediante o glorioso ministério do Senhor Jesus Cristo, V. Sobral gozava agora de perfeita paz. Assim ficaram confirmadas na sua experiência as palavras do amado Paulo: "Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" - Rom. 5:1. E nessa mesma hora ele também sentiu e compreendeu aforça e o significado da outra declaração: "Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo"- II Cor. 5:17. Esta descrição da conversão de V. Sobral, feita por ele, chegou aos meus ouvidos muitas vezes. Lembro-me bem da emoção com que ele falava disto que lhe era tão caro.

     Assim se encontraram naquela noite o Senhor Jesus Cristo e Viriato Dias Sobral. Firmaram um pacto entre si e cada um fez entrega de si mesmo ao outro para sempre. O novo crente desistiu dos seus projectos mundanos e da corrida ao dólar. Por efeito da sua conversão ao Senhor ele ficou muito mais rico - e os Céus também!

     Denominacional, formal, ritualista, paredes meias com o mundo. Assim era a Igreja em que o nosso irmão Sobral fez o ingresso a seguir à conversão. Isto e o bafio da sacristia que encontrou avivaram nele as reminiscência da religião que acabara de deixar. Entenda-se que naquela fase inicial da sua vida cristã ele ainda desconhecia se estas coisas teriam ou não de ser assim. Mas eram precisamente estas coisas que iam gerando no seu íntimo uma inexplicável insatisfação. E esta, por seu lado, ressumbrava das palavras do nosso Senhor: "Falta-te uma coisa".

     Certa vez - num daqueles dias em que vale a pena uma pessoa sair de casa -, o nosso irmão passou, casualmente, numa rua de Bloomfield. Providencialmente, a sua atenção foi atraída para um quadro posto por detrás de uma vidraça. Sem contar, tinha dado com outra igreja evangélica, de que nunca lhe haviam falado. Anotou os dias e horas das reuniões, constantes no referido quadro, e seguiu o seu caminho. Esta nova descoberta fez vibrar na sua alma uma grande ansiedade.

     Volvidos poucos dias, o nosso irmão entre pela primeira vez naquela Casa de Oração. O que se lhe deparou e ele observou causou-lhe uma profunda impressão. Os crentes reuniram-se para o seu habitual estudo bíblico. A Palavra de Deus era examinada com o maior cuidado. Cada homem transmitia livremente aquilo que lhe era revelado pelo Senhor. Tudo decorria com a maior simplicidade. E, como ele viria a constatar nas outras reuniões, esta simplicidade nunca estava ausente de quaisquer actos. Enquanto os ouvia o nosso irmão, como se estivesse em Bereia, "Examinava nas Escrituras se estas coisas eram assim".

     Em cada reunião tudo era feito "decentemente e com ordem". O seu Salvador e Senhor estava realmente ali ;no meio do Seu povo. Em tão agradável ambiente, liberto de artifícios humanos, era perceptível aquela bendita Presença.

     Desfeitos os primeiros complexos inibidores, ele quis saber tudo da boca daqueles irmãos. E soube. A igreja regia-se rigorosamente pelos ensinos do Novo Testamento. Sem denominação eclesiástica, era chamada por outros crentes "Igreja dos Irmãos". Não tinha um pastor ordenado e nomeado; antes cria no sacerdócio de todos os crentes. O ministério da Palavra e o governo estavam confiados a anciãos qualificados pelo Espírito Santo e reconhecidos pelos outros irmãos. A Cristo, como Cabeça da Igreja que amou e pela Qual Se deu, pertencia a direcção suprema. Estas e muitas outras informações que lhe deram foram determinantes para a posição que ele não tardou a assumir. De facto, passados poucos dias o nosso irmão desligou-se definitivamente da primeira igreja. Gorados todos os esforços de dissuasão enviados pelo pastor, foi com lágrimas de parte a parte, que eles se despediram, tão grande era a estima que ambos sentiam um pelo outro.

     A partir de agora, Viriato Sobral ficou nas mãos do "Oleiro que tem poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra"- Rom. 9:21. O Senhor dispunha de condições ideais em Bloomfield para realizar a Sua obra. O "barro" era maleável, muito dócil mesmo. Os instrumentos, feitos de homens santos, instruídos na Palavra e aptos para a arte de modelação, não poderiam ser melhores. Do nosso irmão, pode-se dizer com toda a propriedade, que se encontrava sedento e faminto de conhecimento puro. E de usar esse conhecimento na santificação pessoal e para melhor servir. No concernente aos anciãos, o seu desejo não era menor, no sentido de que ele chegasse a ser sábio na comunicação dos valores eternos. O êxito desta conjugação de esforços e vontades viria a ser confirmado depois.

     Esmerou-se no conhecimento da língua inglesa. Não obstante a sua aprendizagem ter sido feita nos Estados Unidos, a pronúncia continha os primores de Oxford. Por isso quem, mais tarde, o ouviu pregar na Inglaterra, ficou persuadido de que ele tinha estudado naquela célebre Universidade.

     Simultaneamente, os dons e talentos dados por Deus a este português da Branca recebiam um cada vez mais visível polimento. O facto resultava de um crescente uso deles em outras igrejas além da sua, numa área que se ia alargando. Considerando este conjunto de elementos tão promissores dir-se-ia que estavam lançadas bases bem sólidas para a fixação do seu ministério naquele grande país. Tal não aconteceu, porém Deus tinha posto Portugal no coração dele e ele correspondeu, pondo o coração em Portugal.

     O seu regresso veio a ter lugar em 1935. Foi recebido e acarinhado pela família no lugar da Escusa, vinte e sete anos depois do seu nascimento ali. A igreja em Bloomfield recomendou-o para a Obra, sem lhe garantir o sustento. "Aquele que dá semente ao que semeia também dá o pão para comer - II Cor. 9:1 0. Aquela igreja realmente não podia garantir nada. Mas o Senhor pôde!

     QUASE poderíamos dizer que V. Sobral "veio para o que era seu e os seus não o receberam". Ocorre-nos, ao pensar nisto, o que aconteceu, quando Israel já se encontrava à vista de Canaã desejoso de entrar. Alguns maledicentes, para infamarem a terra e assustar o povo, disseram: "A terra, pela qual passamos para espiá-la, é terra que devora os seus moradores" - Núm. 13:32.

     Também em Lisboa - à entrada da terra - as coisas não ficaram por menos. Mal o nosso irmão acabou de pôr o pé em terra, logo lhe apareceram os profetas da desgraça. O quadro por eles descrito sobre as condições de trabalho missionário em Portugal, era negro. Depois de os ouvir, se ele não estivesse seguro da chamada do Senhor e do Seu fiel cuidado, regressaria imediatamente aos Estados Unidos, sem sequer ter chegado a abrir as malas. O que pretenderam foi levá-lo a desistir por medo do seu País e do seu povo. Se ele decidisse partir, tomaria como argumento a má vontade aqui encontrada e o facto de o Senhor ter aprovado o seu ministério nos Estados Unidos, salvando almas, ao passo que em Portugal praticamente tudo lhe era estranho.

     Estes agiram assim. Outros, ao contrário destes, animaram-no a ficar, na esperança de o terem como seu coadjutor. E até não faltou quem o tratasse com algum sarcasmo. Em tudo isto não participou o irmão José Ilídio Freire. Homem sem complexos, portou-se como autêntico cavalheiro e amigo indefectível. Melhor ainda: Entre todos os ventos cruzados ficou o Senhor, firme como um rochedo, provando ser Ele o "Amigo mais chegado do que um irmão". Aquele que "era com José" no Egipto desde o princípio, fez precisamente o mesmo com este Seu servo aqui. "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" Retornado à casa onde nasceu, foi afavelmente acolhido pelos pais e os irmãos. Por não ser um exibicionista de "espiritualidades" nem impositor da fé, quando se sentavam à mesa ele inclinava a cabeça levemente e dava graças em silêncio. Este comportamento "estranho" intrigou a família, que quis uma explicação, particularmente a mãe - a mais ousada de todos. Dada a explicação e sendo-lhe pedido que agradecesse em voz alta, ficaram abertas as portas para o começo da evangelização da família. E isso ele fez sem perda de tempo.

     Manuel Conde - por alcunha, o "Ferrugem" - nado e baptizado na vizinha freguesia de Salreu -, era o pároco da freguesia da Branca desde há muitos anos. Corria-lhe nas veias o sangue de inquisidores e cruzados. Embora conhecido como homem duro, o povo seguia-o. Sem se descuidar, pegou em Lutero e Henrique VIII, no comunismo e maçonaria e levou-os todos para o púlpito. Transformou-os em munições e dali os atirava raivosamente na manhã de cada Domingo. Os protestantes foram identificados com todos estes nomes e vistos como inimigos de Deus e da "Santa Madre Igreja Católica Romana". O que era gritado por ele de cima do púlpito passava de boca em boca e assim o eco dos seus sermões se reproduzia e chegava a todos os lugares. O padre Conde dizia, no púlpito e fora dele: "Eu sou "Ferrugem". A ferrugem vence o ferro". Estes ataques impiedosos atingiram, em parte, os alvos visados. O povo passou, no mínimo, a ver os poucos crentes que havia por ali com maus olhos. A família Sobral - que é grande e muito respeitada -' envergonhava-se de ter um herege no seu seio.

     Face a esta convulsão o nosso irmão dirigiu uma carta ao padre, convidando-o para um debate público. Este não respondeu, mas referiu-se a isso na igreja. Fê-lo em termos tão pejorativos que os pais e irmãos de V. Sobral se deram por ofendidos. A conduta irrepreensível do nosso irmão e a clareza da doutrina que lhes expunha em nada correspondiam às injúrias proferidas pelo furibundo sacerdote.

     Entretanto, ele não desistia de evangelizar os seus. Os frutos desse trabalho foram aparecendo. A primeira conversão foi a da sua irmã Madalena. Pouco depois, a da outra irmã, Ana. Mais tarde, a de seu irmão Joaquim. Quanto aos pais, conservavam-se indecisos, mais pela importância que atribuíam aos respeitos humanos numa terra profundamente católica do que por deliberada resistência à Verdade. Por fim, ambos se converteram. Primeiro, o pai. A mãe, muito depois. Cada um deles fê-lo perto da morte, quando nada mais os prendia ao mundo. A Ana foi acometida de uma enfermidade que em cada dia lhe deformava os ossos. O sofrimento era cruciante, mas sempre que estávamos com ela o seu rosto revelava paciência e alegria. Conta-me o médico que a tratou, seu primo e meu amigo, que quando a visitava ela lhe cantava alguns dos seus hinos. Era assim que a graça de Deus operava na vida desta santa mulher! Já estão todos com o Senhor. De todos eles, só a Maria resistiu à graça de Deus até à morte. A outra parte da grande família Sobral, que ao princípio se envergonhou veio a sentir-se prestigiada e envaidecida por ele lhe pertencer.

     Manuel Marques Pereira. Outro santo homem de Deus é o dono deste nome. Digo e, porque mesmo do outro lado do véu ele continua a viver. Entorpecidos, mais pela enfermidade do que pelo peso dos anos, os seus pés não voltariam a palmilhar as penosas subidas e descidas das serras desde as funduras do paradisíaco Braçal. Lá bem no fim dessas caminhadas que ele fez anos e anos a eito, a Senhorinha, o Folharido e o Palhal esperavam por alguém. Neste doloroso compasso de espera a voz do cansado caminheiro juntava-se à voz de OUTRO, e perguntava: "Quem irá por nós?" Só faltava aparecer quem respondesse: "Eis-me aqui, envia-me a mim". E apareceu mesmo quem assim respondesse!

     O jovem Sobral e o ancião Marques Pereira nunca se tinham encontrado, porque as pernas eram curtas e o mar era grande. Sem que o mar deixasse de ser grande e as pernas medrassem, Deus trouxe o Seu servo do outro lado sobre as águas. Depois conduziu o mais novo ao encontro do mais velho para tomar das suas mãos o facho e começar a carreira a partir da meta onde o outro havia terminado a sua.

     Falta saber se V. Sobral deu com melhores condições em Portugal do que as que encontraria em África, se Deus o mandasse para lá naquele tempo. Afeito ao país das auto-estradas e das limusines reluzentes, não foi isso que encontrou aqui. Saía regularmente da Escusa, na Branca, para ministrar a Palavra no Palhal, Folharido e Senhorinha. Foi por aí que ele principiou. E como M. Pereira fez por muitos anos, também ele agora calcorreava os mesmos caminhos de pedras à solta instalado no "carro dos apóstolos" - veículo de andar a pé. Tempos depois, pôde comprar uma bicicleta made in England. Foi este o seu primeiro grande sinal de riqueza!

     O seu entendimento com M. Pereira foi fácil, porque ambos possuíam um temperamento delicado. A propósito disto, conto o seguinte episódio: Embora guarda-livros no Braçal, foi no Palhal que o meu sogro nasceu. Era bem conhecido pela sua fidelidade e a Igreja Católica não o poupou. Apesar disto, todos os anos se deslocava ao Palhal com a mulher e os filhos no dia da festa do orago da freguesia. Não participava em nada que à festa dissesse directamente respeito. Apenas visitava a família e juntos comiam o "rancho melhorado" daquele dia festivo. Esta tradição vinha sendo observada desde o tempo da sua incredulidade, sem que alguma vez tivesse reflectido sobre ela. O irmão Sobral teve conhecimento disto e falou com ele amigavelmente. O meu Sogro ficou admirado consigo mesmo, pois sempre tinha feito isto impensadamente. Também é certo que dos muitíssimos obreiros que passaram pela sua casa, nem um só chamou a sua atenção para tal erro, embora alguns tivessem conhecimento disso. O que o irmão Sobral lhe disse foi remédio santo.

     Exceptuando alguns da sua família, foi no Palhal que o nosso irmão viu os primeiros frutos do seu ministério em Portugal. O Senhor operou um notável reavivamento naquela pequena igreja. Entre os novos convertidos contava-se o "Albino das Matinhas", irmão de M. Pereira, que era o ferreira da terra. A sua conversão deu nas vistas, atendendo ao facto de ele não ter sido um bom homem. O trabalho do Senhor consiste em salvar os piores pecadores e fazer deles os maiores santos.

     Por esse tempo, juntaram-se ao irmão Sobral, na casa de seus pais, outros dois obreiros: Frank Smith, inglês, e Rudolf Binder, alemão. A sua primeira finalidade era a de aprenderem a nossa língua. Este último já conhecia o irmão Sobral desde os Estados Unidos, a quem muito devia no concernente à sua conversão. Dominando suficientemente a língua portuguesa e depois de ter feito bom trabalho para o Senhor, R. Binder viu-se na necessidade de ir à Alemanha, tendo por motivo um problema de saúde. Seria ida pela volta, pensava ele.

     Hitler preparava-se activamente para desencadear a guerra. Mal o nosso irmão acabou de pisar solo pátrio, foi chamado às fileiras. Mobilizado, declarou-se pronto para servir o seu país, fosse no que fosse, menos a combater, por causa da sua fé em Cristo. Detido imediatamente, foram-lhe concedidos alguns dias para reconsiderar. Se persistisse na sua recusa, seria prontamente fuzilado. A Portugal e outros países, chegou um telegrama com as palavras de Paulo aos Filipenses: "Ainda que eu seja derramado como libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós". Isto foi entendido e suscitou um grande movimento de oração na direcção do trono da graça.

     Ainda não terminara o prazo quando o libertaram do cárcere com visível solicitude.

     Quando visitei a Alemanha pela primeira vez, em 1961, o irmão Binder contou-me ter sido praticamente no fim da guerra que o mistério ficou desvendado para ele. Tudo se deveu a uma defeituosa transcrição de nomes. Ele foi confundido com outra pessoa muito importante, talvez do próprio regime nazi. A atrapalhação foi tremenda.

     Foi enviado rapidamente para o Ruhr, onde estava concentrado o grosso da indústria alemã de guerra. Não ficou aí muito tempo. A Noruega e a Dinamarca foram invadidas e ocupadas. Além do português, inglês e francês que ele falava correctamente, também tinha umas razoáveis noções das línguas nórdicas. Informadas disto, as autoridades apressaram-se a destacá-lo para lá, com o fim de servir de elo de ligação entre as populações e as forças ocupantes. E por lá ficou, até à retirada das tropas alemãs. Quando estas se retiraram ele não quis ficar para semente e retirou-se também. Alguns anos depois, já casado e com filhos, bateu à porta do irmão Sobral. Vinha visitar-nos. Fez uma grande obra na Alemanha. Ele e a esposa ainda vivem. Todos os seus filhos servem o Senhor. Rudolf Binder tem sido um bom amigo da Obra em Portugal. Foi assim que o Senhor confundiu os carrascos e controlou as situações, preservando o Seu servo para uma obra que a eternidade revelará.

     O irmão Frank ficou apto. Já podia expressar-se em português sem dificuldade, como prova de que professor e aluno eram bons por igual. Mudou para a vila de Estarreja e fixou residência. Em Fevereiro de 1937, casou com a missionária Dorothy, inglesa também. Foi então que o irmão Sobral deixou a casa dos pais para viver com o novo casal.

     O Dr. John Opie, fiel crente no Senhor, era professor inglês na Universidade Coimbra. Para que o Evangelho fosse também conhecido naquela cidade este irmão alugou uma casa na Sargento-Mor. O Dr. Opie, porém, embora profundamente conhecedor das Escrituras tinha o dom da palavra e o português mal dava para ser entendido. Em condições inadequadas não houve possibilidade de sucesso. A assistência em cada reunião dificilmente ia além de uma costureira, as duas ou três moças que aprendiam costura com ela e um casal crentes mais fiéis. Era, pois, um morrão fumegante, à espera de quem o espevitasse. Aproveito o ensejo para dizer que a Bíblia, muito carregadinha de anotações que o Dr. Opie usou de Janeiro de 1910, tenho-a agora. As voltas que o mundo dá! Estava-se em Março 1939, quando o casal Frank despediu de Estarreja e seguiu para o Sul, até Coimbra, onde assentou arraiais. O morrão que o nosso irmão Opie conservava como podia, soprado com um novo fôlego incendiou-se. As chamas Evangelho subiram e alastraram de lugar em lugar. Foi assim que o Centro de Portugal não escapou ao fogo V. Sobral e F. Smith ateava o Espírito de Deus alimentava. Tão intenso era o fogo nem as águas do Vouga nem as do Mondego o puderam apagar. 

     John Opie foi a Inglaterra Junho do mesmo ano, esperando regressar a Portugal. Não o fez, porque entretanto Senhor o tomou para Si.

     CACIA tinha sido literalmente deixada ao abandono. V. Sobral encontrou aqui meia dúzia de crentes, quase todos muito velhinhos, como ovelhas sem pastor. Cuidou deles como pôde, até que, mais tarde, o Senhor promoveu um despertamento, almas foram salvas e uma igreja foi estabelecida. Até hoje, graças a Deus.

     Já ele residia com o casal Smith em Estarreja, quando uma jovem inglesa se lhes veio juntar. Tinha por fim aprender a nossa língua e iniciar a sua vida missionária em Portugal.

     O nosso irmão pensava que se constituísse família, isso redundaria em perda de liberdade e causaria embaraços às suas actividades missionárias. Esse conceito ia-o conservando solteiro. Entretanto, as situações que se lhe foram deparando e as experiências adquiridas tiveram o mérito de o convencer do contrário. Tendo esposa e sendo acompanhado por ela, seria muito mais livre para visitar e prestar assistência espiritual e moral a qualquer senhora que vivesse mais ou menos só.

     Ruth Elsie Deniey, do condado de Surrey - Inglaterra, era sua aluna. Num belo dia, o irmão Sobral fez-se forte, encheu o peito e perguntou-lhe se concordava que orasse por ela. A resposta não poderia ter sido melhor: Ela também estava a orar por ele! E foi assim que a fome deu com a vontade de comer. Depois, como é óbvio, casaram, coisa que acontece a muito boa gente.

     A jovem Ruth teve o cuidado de informar a sua igreja, em Redhill, a respeito do seu noivado. A igreja, por seu turno, não levou a bem que ela anulasse o seu noivado com Ronald Molton - missionário inglês nas Caldas da Rainha -, para casar com um português. E desde então não mais lhe mandou qualquer ajuda para o seu sustento. Vim a saber, passados alguns anos, que o primeiro noivado não passava de um aconchego arranjado pelos amigos de ambos, noivado este de que estavam ausentes o amor e os impulsos do coração.

     O Senhor, porém, aprovou o último noivado, abençoou o casamento e nunca lhes faltou com o pão, ora com mais, ora com menos. Quanto ao irmão Molton, veio a casar com outra missionária inglesa, a quem amava e por quem era amado. As relações entre os casais Sobral e Molton chegaram a ser muito boas. Lidei de perto com todos eles. Já estão com o Senhor.

     Nesses primeiros tempos de vida de casados, as necessidades materiais não se fizeram rogadas. Todavia, é em circunstâncias adversas que o Senhor melhor Se dá a conhecer em sabedoria e graça aos que Lhe fazem entrega das suas vidas para O servir e dEle dependem por inteiro. Certa vez, no fim de uma reunião no Silveiro, uma querida irmã lavradeira perguntou-lhes, com muito acanhamento, se eles aceitariam um pouco de feijão e um chouriço caseiro. Eles receberam essa dádiva como se ela tivesse caído do céu, pois em casa nada tinham deixado. Durante algum tempo, Elias, refugiado na caverna junto ao ribeiro de Quente, foi servido pelos corvos, de manhã e à noite, com a mesma comida. Por ter faltado a água no ribeiro o profeta pegou na trouxa de peregrino e foi de rota batida até Sarepta, obedecendo assim à Palavra do Senhor. Acolhido na casa de uma viúva pobre, que vivia só com o seu filho, ao longo de mais de três anos outra coisa não comeram senão farinha cozida com azeite. Papas de manhã, papas ao meio dia, papas à noite. Sempre papas! Do mesmo modo, na casa dos irmãos Sobral a ementa não variou durante uns oito dias: Feijão, feijão, e outra vez feijão! Só mais tarde é que eles o contaram para riso de todos nós.

     Aquando da sua primeira visita a Inglaterra um dos irmãos que o ouviram interessou-se por ele de um modo especial. Certa feita, o irmão Sobral recebeu um donativo que o surpreendeu, visto ser o maior de todos quantos até ali tinham chegado às sua mãos. Era parte de uma pequena herança que aquele crente inglês acabara de receber e quis repartir com ele. Esse dinheiro foi usado pelo irmão Sobral para a compra de um automóvel muito usado. Foi o seu segundo grande sinal de riqueza!

     O presidente do Conselho, Salazar, homem arguto, começou a precaver-se para a eventualidade de Portugal se envolvido na guerra, em curso. Das precauções que ele tomou fez parte a mobilização de todos os veículos civis designadamente carros ligeiros e pesados.

     Sobral apresentou-se com o seu Opel Kadet no quartel de Aveiro. O ter ele feito o trajecto entre Estarreja e Aveiro foi pouco menos que um milagre. Os oficiais atentaram para as "solas gastas dos "sapatos" e logo mandaram "calçar o carrinho com quatro pneus novos de fábrica. E a seguir, submeteram-no à inevitável prova de estrada. Tão encantados eles ficaram com aquela "caixinha de maravilhas" que julgaram preferível devolvê-la ao dono. Valeu a pena. O irmão Sobra! regressou a casa no seu carro, agora calçadinho de novo! No fim de tudo isto e bem vistas as coisas, ambos ficaram a ganhar - V. Sobral e o Estado. Imaginemos o que aconteceria, se aquele carro viesse a cair em poder do Exército alemão e este decidisse utilizá-lo contra Portugal!... Nem quero pensar!

     João Maria Tavares, natural da Murtosa e ex-imigrante nos Estados Unidos, vivia agora em Fradelos, por ter casado com uma senhora dali. Ele e a sua Maria, sobrinha de M. Pereira, também foram alcançados pelo Senhor no reavivamento que houve no Palhal, já referido. Homem muito simples mas profundamente piedoso, ele quis que também na sua casa fosse exposta a Palavra de Deus. O irmão Sobral correspondeu, com estudos bíblicos todas as quartas-feiras à noite. Estes eram feitos numa sala do primeiro andar, com acesso por uma escada a partir do rés-do-chão. Aqui tinha o irmão Tavares um estabelecimento misto com porta de duas 'folhas" para a rua.

     O António Cantoneiro, também de Fradelos, era um apancado com tendência para o mal. Numa noite de quarta-feira, eu e um amigo fomos abordados por ele. Queria que o ajudássemos a encostar duas grandes pedras à porta dos "protestantes", da parte de fora, claro. Quando, no fim da reunião, os crentes abrissem as ditas duas meias-portas, as pedras cairiam pesadamente para dentro e feri-los-iam. Obrigámo-lo a jurar que não faria tal coisa. Mas enganou-nos e fez. Na quarta-feira seguinte, a mesma hora, surgiu um camião do lado de cima. O Cantoneiro repetia a proeza. Apanhado pela luz dos faróis, fugiu para o meio da estrada. Tão atabalhoadamente o fez que ambos se atrapalharam - ele e o condutor. Ouvimos um estardalhaço e largamos da taberna, ali perto. O condutor tinha empurrado o Cantoneiro para o muro, quando ele ziguezagueava na sua frente. O corpo do infeliz ficou entalado entre o muro e o taipal do camião e rolou como um cilindro. Estava moído. O irmão Sobra! ainda o levou no carro ao hospital. Estava morto! "Deus não Se deixa escarnecer; tudo que o homem semear, isso também ceifará" - Gal. 6:7. Só quando me converti é que estes irmãos souberam ter sido ele o autor de tais actos de malvadez.

     O célebre Opel Kadett sempre precisava de novas peças para não deixar de andar na moda. A gasolina, apesar de barata naquele tempo, era cara para a bolsa do nosso irmão. Por isso. o vendeu, mais ou menos um ano depois de o ter comprado, e voltou à bicicleta para matar saudades. Foi este o seu terceiro grande sinal de riqueza!

     O irmão Sobral era perceptível quando ele precisava de se defender de acusações. Não se pense, porém, que essa característica menos favorável o fazia bater em retirada nos momentos de perigo para a sua vida por causa do Evangelho. Como Paulo, também ele "em nada tinha a sua vida por preciosa, contando que cumprisse com alegria a sua carreira" - Act.20:24. Pronto para o que o Senhor quisesse, passou por entre as facas afiadas dos sapateiros em Arrifana - S. João da Madeira, e debaixo das pedras e dos excrementos em Carvalheira de Maceda - Ovar. Foi sacudido pela explosão de uma bomba de fabrico artesanal em Salreu - Estarreja. Encontrou rebentada a porta da Casa de Cultos pela deflagração doutra bomba do mesmo fabrico ou lugar de Coche - Branca. Ouviu os tiros de arma caçadeira no Palhal, etc., etc. Estas e outras formas de perseguição, movida pela Igreja Católica, nunca opuseram em fuga para salvar a vida. A sua permanente disposição para o sacrifício por amor do seu Senhor exerceu sobre mim um benéfico efeito preventivo para situações semelhantes que me estavam reservadas.

     Ainda ele residia em Estarreja quando abriu o Trabalho em Espinho. O padre, assustado, com o impacto que o Evangelho estava produzindo em toda a vila, perdeu o sono. Vai daí, instigou as autoridades, e o nosso irmão foi preso e levado para a Vila da Feira, onde ficou uma semana. Esta prisão originou um rápido movimento de solidariedade. Naqueles oito dias ele foi visitado na cadeia por muitíssima gente, que lhe levou cobertores, lençóis e comida. Nem sequer faltou quem quisesse pagar - a sua libertação, sob fiança - o que não chegou a ser preciso, graças a Deus! E para que Paulo não fosse o único o irmão Sobral aproveitou aquele "retiro" para dar testemunho da "tão grande Salvação" que há em Cristo. Ouviram-no os outros presos e o carcereiro com mais alguém da sua família. Até parecia que estava em Filipos! Por fim, foi posto em liberdade, mas com a grave recomendação de não pregar. E não pregou... senão quando chegou a Espinho, na noite desse mesmo dia!

     Entretanto, o casal mudou para Espinho, passando a viver numa casa da Rua 29. Então não é que a pouco mais de vinte metros, do lado oposto na mesma rua, se situava a residência do seu "querido amigo" padre Amara!?! Sempre acontece cada uma! Parece que ainda estou a vê-lo: Homem de idade, sempre com má cara, alto e curvado para a frente como um calombro. Já morreu há muitos anos, sem pedir perdão a quem fez mal.

     Quem olhava para Viriato Sobral julgava ter diante de si um homem endinheirado. Essas pessoas nunca estavam presentes no escritório dele, duas e três vezes em cada semana, por volta das cinco horas da tarde, para assistirem a isto: - Punhamo-nos de pé, voltados um para o outro, com os porta-moedas abertos e com uma grande vontade de rir até se ouvir lá fora. Aquele que dispusesse de mais uns tostões, repartia-os pelo outro. Depois, cada um comprava o seu bilhete, entrava no seu comboio e seguia o seu destino. Havia de ser lindo, se encontrássemos a bilheteira já fechada e tivéssemos de comprar o bilhete no comboio, mais caro!...

     Em Aveiro, dormimos durante muito tempo numa pensão marca "rosca", na zona do Aiboi, a vinte minutos da estação dos Caminhos de Ferro. Isto todas as semanas, ora um, ora outro. Os lençóis eram quase sempre os mesmos e serviam para todos os fregueses. Entrávamos no quarto, retirávamos os lençóis, despíamos o casaco, descalçávamos os sapatos e deitávamo-nos assim. Às cinco da manhã, tomávamos o caminho da estação - que alívio! - para nos lavarmos em casa. Quando o Senhor salvou o saudoso jovem Manuel Cruz, também nos deu uma cama confortável na sua casa, libertando-nos assim da espelunca.

     Noutro lugar onde não pagávamos a dormida - a enxerga era de palha com muita idade. Por esta nunca ser mexida, a enxerga tinha duas concavidades com a forma exacta do corpo humano. As travesseiras eram de baganhas de linho. Isto não dava trabalho nenhum. Simplesmente "despejávamos" o corpo na "forma" e ali ficava anichadinho que nem uma múmia, sem termos de dar voltas e mais voltas na cama toda a noite. E era assim que dormíamos o sono dos justos. "Como constristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo" -II Cor. 6:10.

     Iniciei os Acampamentos no Palhal em 1971. O casal Sobral começou a cooperar comigo em 73: O nosso irmão cedo compreendeu a importância deste trabalho e amou-o. Sempre que percebia haver em mim algum desânimo, causado pelos que não gostam da disciplina, vinha ao meu encontro com palavras de simpatia e estímulo. Insistia em me recomendar firmeza. "Por cada um que desista, virão três ou quatro melhores do que esse', dizia-me ele. O tempo se encarregou de lhe dar razão. Os Acampamentos estavam sendo feitos em condições muito precárias, por o terreno não nos pertencer, o que nos impedia de construir fosse o que fosse. Tal situação sem futuro afligia-o tanto como a mim. Um dia fui surpreendido por uma proposta de todo inesperada: - O nosso irmão tinha herdado um pedaço de pinhal na Branca e punha-o ao meu dispôr, para eu o usar livremente como "moeda de troca" por outro. Foi deste modo que o Senhor respondeu às nossas orações e desfez os nosso receios, dando-nos o espaço que agora possuímos e onde temos feito obras. Também isto já foi posto à conta da grande recompensa que o justo Galardoador guarda para o Seu servo. 

     Depois de muitos anos a contar os tostões o Senhor ainda deu ao nosso irmão tempo de desafogo. "Aos que Me honram Eu honrarei", promete o nosso Pastor fiel.

     "E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo, se eu contasse..." - Heb. 11:32. Preciso de terminar este depoimento, mas já fui obrigado a parar algumas vezes, tão forte é a emoção que estou a sentir. Nunca pensei que custasse tanto escrever as verdadeiras palavras a respeito de um homem a quem me ligaram cordas de amor fraternal que nenhum acidente de percurso conseguiu quebrar. Convivi com ele ao longo de muitos anos. Por isso deixo extravasar a minha emoção nas lágrimas. que devem correr livremente diante d'Aquele que não Se envergonhou de chorar à vista do túmulo de Lázaro a quem amava.

     27 de Junho de 1992. Viriato Dias Sobral dá os últimos passos de uma caminhada principiada muitos anos antes, tantas vezes penosa, voltando definitivamente para a Luz Celestial e Eterna. Enquanto se aproxima vagarosamente do "vale" - que lhe foi forçoso atravessar -,ter-lhe-á acudido à memória o mavioso cântico bem conhecido dele: "Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na Casa do Senhor por longos dias" - Salmo 23:6.

     Por fim, já no "vale da sombra da morte", a Luz resplandeceu para ele. O Senhor da Glória, que passara por ali antes, a partir do Calvário, voltou ali para guardar do medo o Seu servo e lhe dar as boas-vindas. Dali o levou para o ter Consigo na "Casa das muitas moradas". "O Senhor separou para Si aquele que Lhe é querido" - Salmo4:3.

     Assim acabou o seu bom combate e a sua carreira o homem que guardou a fé. Assim Principiou o Descanso do Guerreiro!

 

In Refrigério


Saiba mais:

Biografia de Viriato Dias Sobral - 24 AGO 1908 / 27 JUN 1992 
Viriato Dias Sobral Com Cristo
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A Bíblia tem razão: "A memória do justo é abençoada [ou. uma bênção], mas o nome dos ímpios apodrecerá" (Provérbios 10:7).

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