George Whitefield (1714-1770)
O Século XVIII pode ser chamado A Idade Áurea dos Pregadores. Os nomes mais conhecidos são Jonathan Edwards, John Wesley e George Whitefield, mas havia muitos outros. Ao ar livre, sem recursos electrónicos modernos, sem cantores, conjuntos ou corais, a pregação simples e poderosa da Palavra de Deus comovia enormes multidões e resultava em conversões e profundas mudanças na sociedade.
Nem todos tinham o mesmo estilo. Talvez os dois mais opostos entre si tenham sido Jonathan Edwards e George Whitefield. O primeiro, ministro Congregacional, culto, refinado, pregava com intensidade, porém sem emotividade, demonstrando os seus argumentos com lógica e convicção, praticamente sem mudar o seu tom de voz. Isso não implicava, porém, que os seus sermões fossem secos ou monótonos. Edwards possuía uma habilidade invulgar de pintar quadros com as suas palavras. No sermão que, de longe, foi o mais famoso do seu ministério, “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, Edwards comparou o pecador a um insecto suspenso por um fio muito fino acima das chamas da ira divina. Sem querer, os ouvintes agarravam-se a colunas e bancos para não caírem no abismo. Com a mesma habilidade, ele também pintava quadros da beleza do céu e do amor e misericórdia de Deus.
Em contraste, George Whitefield, pouco académico, mais afinado com o teatro do que com seminários, tinha um estilo dramático e visual e apelava mais para as emoções do que para a mente. Sabendo que ele precisava competir com tantas outras distracções para ganhar a atenção do povo da sua época – e para persuadi-lo –, Whitefield desenvolveu um estilo de pregação dinâmica, até então desconhecido. Frequentemente assumia uma personagem bíblica: ria, chorava, subia a árvores, pulava. Atirava verdades bíblicas com uma voz que estrondeava como se fosse um trovão, os seus olhos lampejando (mesmo que um deles estivesse sempre meio fechado, sequela de sarampo).
“Admiro aqueles que trovejam a Palavra”, ele disse certa vez. “O mundo cristão está tomado de profunda sonolência. Só uma voz poderosa será capaz de despertá-lo.”
Todas as classes sociais eram tocadas pelas suas pregações. Antes de completar 26 anos, Whitefield tornara-se a figura mais popular tanto na Inglaterra como nas colónias norte-americanas. É famosa a história como o proeminente cientista, empresário e político de Filadélfia, Benjamin Franklin, homem racional e céptico, assistiu a uma das suas pregações. Percebendo que Whitefield pretendia levantar uma oferta para uma causa social, Franklin foi logo tomando a resolução de não permitir que a retórica do pregador o afectasse. À medida que ouvia, porém, ele foi amolecendo. Primeiro abriu mão das moedas de cobre, de valor inferior. Depois, aceitou entregar conjuntamente as moedas de prata. No fim, esvaziou o bolso e ofertou tudo o que tinha.
Talvez o tributo mais eloquente que Whitefield recebeu veio de um homem da sociedade, David Garrick, considerado o maior actor shakespeariano do século XVIII.
Um pregador, certa vez, perguntou ao actor: “Como é que vocês, actores, conseguem produzir efeitos tão fortes com cenas de ficção, enquanto que nós pregadores no púlpito conseguimos resultados tão insignificantes com a verdade?”.
“Suponho”, respondeu Garrick, “que seja porque nós apresentamos ficção como se fosse verdade, enquanto que vocês apresentam, muitas vezes, a verdade como se fosse ficção!”.
Quando se tratava de ouvir Whitefield, porém, Garrick tinha outra opinião. Admitindo que amava ouvir o pregador, Garrick deu o seguinte testemunho: “Enquanto eu ouvia Whitefield pregar, percebi a sua paixão e intensidade. Sabia que ele acreditava que sem Cristo as pessoas iriam para condenação eterna. Chegando a um ponto em que não conseguia dizer mais nada, ele ergueu aqueles poderosos braços, e a sua voz mais parecia uma trovoada enquanto suplicava com profundo anelo ao povo, dizendo ‘Oh!, Oh!’. Se ele estivesse num palco, conseguiria fazer toda a plateia tremer e chorar, dizendo aquela única palavra. Eu daria uma grande quantia em dinheiro se eu conseguisse dizer ‘Oh!’ assim como ele”. David Holdaway, THE BURNING HEART (O Coração Incendiado), Life Publications.
Diz um provérbio árabe que orador é aquele que consegue transformar os ouvidos dos homens em olhos. Era isso que acontecia nas pregações de Whitefield e de alguns outros da sua geração. E pode acontecer de novo, porque essa habilidade não era deles. Antes, porém, talvez tenhamos de abrir mão das nossas técnicas e habilidades humanas.
Em contraste, George Whitefield, pouco académico, mais afinado com o teatro do que com seminários, tinha um estilo dramático e visual e apelava mais para as emoções do que para a mente. Sabendo que ele precisava competir com tantas outras distracções para ganhar a atenção do povo da sua época – e para persuadi-lo –, Whitefield desenvolveu um estilo de pregação dinâmica, até então desconhecido. Frequentemente assumia uma personagem bíblica: ria, chorava, subia a árvores, pulava. Atirava verdades bíblicas com uma voz que estrondeava como se fosse um trovão, os seus olhos lampejando (mesmo que um deles estivesse sempre meio fechado, sequela de sarampo).
“Admiro aqueles que trovejam a Palavra”, ele disse certa vez. “O mundo cristão está tomado de profunda sonolência. Só uma voz poderosa será capaz de despertá-lo.”
Todas as classes sociais eram tocadas pelas suas pregações. Antes de completar 26 anos, Whitefield tornara-se a figura mais popular tanto na Inglaterra como nas colónias norte-americanas. É famosa a história como o proeminente cientista, empresário e político de Filadélfia, Benjamin Franklin, homem racional e céptico, assistiu a uma das suas pregações. Percebendo que Whitefield pretendia levantar uma oferta para uma causa social, Franklin foi logo tomando a resolução de não permitir que a retórica do pregador o afectasse. À medida que ouvia, porém, ele foi amolecendo. Primeiro abriu mão das moedas de cobre, de valor inferior. Depois, aceitou entregar conjuntamente as moedas de prata. No fim, esvaziou o bolso e ofertou tudo o que tinha.
Talvez o tributo mais eloquente que Whitefield recebeu veio de um homem da sociedade, David Garrick, considerado o maior actor shakespeariano do século XVIII.
Um pregador, certa vez, perguntou ao actor: “Como é que vocês, actores, conseguem produzir efeitos tão fortes com cenas de ficção, enquanto que nós pregadores no púlpito conseguimos resultados tão insignificantes com a verdade?”.
“Suponho”, respondeu Garrick, “que seja porque nós apresentamos ficção como se fosse verdade, enquanto que vocês apresentam, muitas vezes, a verdade como se fosse ficção!”.
Quando se tratava de ouvir Whitefield, porém, Garrick tinha outra opinião. Admitindo que amava ouvir o pregador, Garrick deu o seguinte testemunho: “Enquanto eu ouvia Whitefield pregar, percebi a sua paixão e intensidade. Sabia que ele acreditava que sem Cristo as pessoas iriam para condenação eterna. Chegando a um ponto em que não conseguia dizer mais nada, ele ergueu aqueles poderosos braços, e a sua voz mais parecia uma trovoada enquanto suplicava com profundo anelo ao povo, dizendo ‘Oh!, Oh!’. Se ele estivesse num palco, conseguiria fazer toda a plateia tremer e chorar, dizendo aquela única palavra. Eu daria uma grande quantia em dinheiro se eu conseguisse dizer ‘Oh!’ assim como ele”. David Holdaway, THE BURNING HEART (O Coração Incendiado), Life Publications.
Diz um provérbio árabe que orador é aquele que consegue transformar os ouvidos dos homens em olhos. Era isso que acontecia nas pregações de Whitefield e de alguns outros da sua geração. E pode acontecer de novo, porque essa habilidade não era deles. Antes, porém, talvez tenhamos de abrir mão das nossas técnicas e habilidades humanas.



