Seja Alegre III

w_wiersbe_warren.jpgAs Quatro Atitudes que Conservam a nossa Alegria

l. A Mente Integral — Filipenses l

     «O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos» (Tiago 1:8). Ou, aplicando o velho provérbio latino, «Quando o piloto não sabe para que porto segue nenhum vento sopra a favor.» A razão porque muitos cristãos se sentem perturbados pelas circunstâncias, é não cultivarem a «mente integral». Paulo expressa esta atitude de devoção total a Cristo nestas palavras: «Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é ganho» (1:21).

     No capítulo l, Paulo fala das suas circunstâncias difíceis e enfrenta-as honestamente. Contudo, essas circunstâncias não lhe roubam a alegria porque ele não vive para gozar as circunstâncias. Vive para servir a Jesus Cristo. É um homem com um propósito: «Uma coisa faço» (3:13). Ele não vê as circunstâncias em si mesmas, mas antes em relação a Jesus Cristo. Ele não é um prisioneiro de Roma; é sim «o prisioneiro de Jesus Cristo» (Efésios 3:1). As cadeias que usa são «as minhas prisões em Cristo» (Fil. 1:13). Não se considera perante um julgamento civil; está «posto para defesa do Evangelho» (1:16). Paulo não olhava para Cristo através das circunstâncias; pelo contrário, encarava as circunstâncias através de Cristo — e isso mudava tudo.

     Quando o cristão possui uma mente integral, preocupa-se com a comunhão do Evangelho (1:1-11), com o avanço do Evangelho (1:12-26), e com a fé do Evangelho (1:27-30). Paulo regozijava-se nas suas circunstâncias penosas, porque elas ajudavam-no a fortalecer a sua comunhão com outros cristãos, davam-lhe oportunidades de conduzir outros a Cristo e permitiam-lhe defender o Evangelho perante os tribunais de Roma. Quando possuímos uma mente integral, as circunstâncias actuam a nosso favor e não contra nós.


2. A Mente Submissa — Filipenses 2

     Este capítulo foca a nossa atenção sobre as pessoas, e o versículo chave diz: «Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores (mais importantes) a si mesmos» (v. 3). No capítulo l, Paulo põe Cristo em primeiro lugar. Neste capítulo põe os outros em segundo lugar. Isto significa que ele se coloca em último lugar! A razão porque as pessoas nos ofendem tanto encontra-se geralmente no facto de não estarmos no lugar certo. Se passamos a vida a pôr a nossa própria pessoa em primeiro plano e os outros fazem o mesmo em relação a si próprios, então é mais que certo que se irão travar conflitos horríveis em muitos pontos.

     Certa vez, uma senhora entrou com o filhinho num elevador para ir ao consultório médico. No segundo andar, entrou um grupo de pessoas, entre as quais uma senhora bastante forte. Enquanto o elevador subia, o silêncio foi subitamente interrompido por um grito saído dos lábios da volumosa passageira. Ela voltou-se para a mãe da criança e disse: «O seu filho acaba de me morder!»

     A senhora ficou horrorizada, mas o rapazito explicou à sua maneira: «Ela sentou-se na minha cara e eu mordi-lhe!»

     O que se passou naquele elevador passa-se em toda a parte: pessoas e nações mordem-se mutuamente porque se sentem prejudicadas ou comprimidas.

     Todavia, o cristão que possui uma mente submissa não fica à espera que os outros o sirvam; é ele que serve. Considera o bem dos outros como mais importante que os seus próprios planos e desejos.

     No capítulo 2 encontramos quatro exemplos maravilhosos de uma mente submissa: Jesus Cristo (2:1-11), Paulo (2:12-18), Timóteo (2:19-24) e Epafrodito (2:25-30). Cada um destes exemplos prova este princípio: «Portanto, qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado» (Lucas 14:11).


3. A Mente Espiritual — Filipenses 3

     Neste capítulo, Paulo usa onze vezes a palavra coisas. Salienta que muitas pessoas «só pensam nas coisas terrenas» (v. 19), mas que o cristão que possui uma mente espiritual está interessado acima de tudo nas coisas celestiais. «Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo» (v. 20). A pessoa com mente espiritual olha para as coisas deste mundo sob o ponto de vista do céu — e que diferença isso faz!

     Quando cinco missionários foram martirizados pelos Aucas, no Equador, alguns jornais e revistas consideraram a tragédia como um grande desperdício de vidas. Embora o sucedido causasse profunda dor e sofrimento aos amigos e queridos, os acontecimentos posteriores provaram que as suas mortes não foram um «desperdício» nem para eles nem para o mundo. As palavras de Jim Eliott estavam certas: «Não é tolo nenhum aquele que dá o que não pode conservar para ganhar aquilo que não pode perder.»

     A ânsia por «coisas» rouba a alegria às pessoas, incluindo os cristãos. Queremos ter coisas e descobrimos então que são elas que tomam posse de nós. O único caminho para a vitória e para a alegria é ter uma mente espiritual e olhar para as coisas do ponto de vista de Deus. Como Paulo, devemos ser contabilistas de valores autênticos (3:1-11), atletas com verdadeiro vigor (3:12-16) e estrangeiros com uma visão correcta (3:17-21). «Eu conto... Eu prossigo... Eu espero» são os verbos que descrevem o homem com uma mente espiritual.

Warren W. Wiersbe

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