Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXII – Atos 18:1-22 (8)

O CHEFE DA SINAGOGA É SALVO
A conversão do “chefe” da sinagoga e da sua família deve ter causado profunda impressão à comunidade e dado grande impulso à causa de Cristo em Corinto. De facto, é nessa relação que lemos que “muitos Coríntios, ouvindo creram e foram batizados” (Ver. 8). Portanto, Deus colocou logo o Seu selo de aprovação no passo corajoso que Paulo havia dado.
É importante que observemos aqui que, apesar de muitos dos coríntios terem sido batizados, Paulo batizou apenas alguns deles. Um deles foi Crispo, sem dúvida batizado pelo próprio Paulo porque ele era um convertido ilustre. Outro foi Gaio, que mais tarde fez da sua casa um local de encontro e foi anfitrião de Paulo na sua segunda visita a Corinto (Rom. 16:23). Depois, ele também batizou “a família de Estéfanas”, talvez porque fossem “das primícias da Acaia” (1 Coríntios 16:15)[1]. Olhando para trás, uns anos depois, ele não conseguia lembrar-se de ter batizado alguém mais, além destes.
Isto não aconteceu, como alguns supõem, porque Paulo permitiu que outros batizassem por ele a fim de lhe pouparem tempo e energia. Houve uma razão mais profunda. O batismo na água está claramente associado com a manifestação de Cristo a Israel em João 1:31 e como Ele ainda estava a ser manifestado a Israel, o batismo na água ainda não estava fora de ordem. No entanto, este rito não havia sido incluído na comissão especial de Paulo; nem poderia ser. Ele não fora enviado a batizar,[2] mas a pregar o Evangelho, e isso simplesmente, “para que a cruz de Cristo se não faça vã”, disse ele, pois “a palavra (ou, pregação) da cruz[3] ... é o poder de Deus” (1 Coríntios 1:17,18). Foi, também, assim que Paulo nunca batizou ninguém “para a remissão de pecados”, como João Batista e os doze haviam feito antes dele (Marcos 1: 4; Atos 2:38).
Isto explica a aparente falta de inspiração divina na passagem anterior (1 Cor. 1:14-16). Primeiro, o apóstolo afirma categoricamente que ele agradece a Deus por não ter batizado “nenhum” deles, senão a Crispo e a Gaio; apenas esses dois. Depois ele lembra-se que também batizou a família de Estéfanas. E depois, tornando-se mais cauteloso, ele afirma que não se lembra de ter batizado outros!
Isso não representa qualquer falha na inspiração divina. Pelo contrário, é inspiração divina, demonstrando o facto de que o batismo na água estava a tornar-se cada vez menos importante no ministério de Paulo e que não estava incluído na sua comissão especial.
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[1] Veja Rom. 16:5 Também Epéneto pertencia a esta casa ou ele era outro das “primícias”.
[2] Como João Batista e os doze apóstolos foram (João 1:33; Mateus 28:19).
[3] Veja o livro do autor, The Preaching of The Cross (A Pregação da Cruz).
Atos dispensacionalmente Considerados
Cornelius R. Stam



