Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXII – Atos 18:1-22

O MINISTÉRIO DE PAULO EM CORINTO
ESTABELECIMENTO
“Depois disto, partiu Paulo de Atenas e chegou a Corinto.
“E, achando um certo judeu por nome Áquila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), se ajuntou com eles,
“E, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas.
Atos 18:1-3
CORINTO NOS DIAS DE PAULO
Num istmo de apenas alguns quilómetros de largura, onde as águas do Mar Mediterrâneo quase cortavam a Acaia (agora a Grécia) em dois, situava-se Corinto.
A antiga cidade havia sido incendiada pelos exércitos romanos em 146 A.C., mas uma nova e maior Corinto havia crescido e se tornado metrópole comercial e política da Grécia, bem como um dos grandes centros desportivos do mundo.
Corinto ostentava extraordinárias vantagens comerciais. Era um porto marítimo vital com portos em ambos os lados do istmo, um no Golfo de Corinto, a oeste, e outro no Golfo de Saron, a leste, a apenas uns quilómetros de distância. Assim situado, tornou-se inevitavelmente num centro comercial, pois o comércio marítimo entre a Ásia Menor e a Itália passava naturalmente por este estreito istmo, e os mercadores e comerciantes de todas as partes da Grécia vinham aqui para aproveitar as suas oportunidades de negócios.
Foi sem dúvida também por causa de sua localização vantajosa que Corinto se tornou num dos principais centros de entretenimento desportivo do mundo. Os mundialmente famosos jogos ístmicos eram semelhantes aos nossos jogos olímpicos[1] e atraíam de muitas partes do mundo conhecido milhares de visitantes adicionais a Corinto.
Embora Corinto tivesse um caráter bastante diferente de Atenas, também ostentava os seus pensadores sofisticados e talentosos, hábeis na arte da sofística e dados a argumentos abstrusos e metafísicos. Havia "o inquiridor deste século", cuja "sabedoria", no entanto, era "loucura diante de Deus" (I Cor. 1:20; 3:19).
Pelo que temos observado, será natural concluir que Corinto era uma cidade perversa. Sendo uma cidade com dois portos e centro de diversões de uma população pagã não poderia ser de outro modo. Nem a sua "erudição superior" era capaz de suster a maré de pecado. Porém, o aspecto mais chocante da vida dos coríntios era a sua religião.
Em Corinto, a lascívia não era apenas tolerada, mas encorajada e, na verdade, "consagrada" como adoração a Afrodite,[2] a "deusa do amor".
Ali erguia-se o seu grande templo juntamente com os menores, onde, segundo a história, mil prostitutas “sagradas” enriqueciam os seus cofres com oferendas resultantes de “visitas” licenciosas de homens “adoradores”.
Não é de admirar que Crisóstomo tenha chamado a Corinto de "a cidade mais licenciosa de todas as que existem ou alguma vez existiram". Na terra não havia cidade mais libertina e imoral. O próprio nome de Corinto, nos dias de Paulo, era sinónimo de imoralidade, de modo que aquele que “teatralizava os Coríntios” caía em iniquidade imoral, e um “banquete Coríntio” era um festim de bebedeira. Não é de admirar que Paulo tivesse que lembrar à igreja de Corinto que “nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, ... herdarão o Reino de Deus" (I Cor. 6: 9,10).
Corinto era isto; celebrada pela sua riqueza, luxúria e esbanjamento: "a Paris da antiguidade". Nas suas ruas apinhadas, o apóstolo viu-se cercado por todo tipo de gente: ex-escravos romanos, escravos, homens de negócios à procura de ganhos, viajantes para conhecer o mundo, marinheiros de dois mares, entusiastas do desporto, jogadores de jogos de azar, pessoas à procura de prazeres - e uma grande proporção deles longe de casa.
Aqueles que se interrogam como é que Paulo poderia chamar aos faltosos crentes coríntios de "santos" devem ter em mente o seu passado e circunstâncias. Na verdade, a igreja em Corinto, com todas as suas falhas, era uma das maravilhas da história da igreja e um dos triunfos da graça de Deus. De facto, Paulo, pelo Espírito, chama-os de "selo" do seu apostolado (I Cor. 9:2).
Mas não nos vamos antecipar. Sem dúvida, Paulo seguiu para Corinto, esperando estabelecer ali o quartel-general do Evangelho para a Acaia, como Tessalónica fora para a Macedónia. Sem dúvida que ele também cria que, a partir deste centro de viagens, as boas notícias se espalhariam mais depressa.
Hoje Corinto é facilmente alcançada de Atenas por comboio, contudo Paulo não tinha essa facilidade à sua disposição. Provavelmente ele foi de navio pelo Golfo de Saron, em vez de tomar a rota cansativa e indireta por terra. A viagem por mar não demoraria mais do que um dia ou dois, enquanto que por terra cinco ou seis.
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[1] O ginásio, o estádio, as corridas, o boxe e a luta é tudo aludido nas epístolas de Paulo.
[2] A equivalente à Vénus Romana.
Atos dispensacionalmente Considerados
Cornelius R. Stam



