Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXI – Atos 17:16-34 (8)

O DISCURSO DE PAULO INTERROMPIDO
Ao mencionar a ressurreição, o discurso de Paulo foi interrompido. Alguns começaram a zombar, enquanto outros, mais educadamente, disseram: "Acerca disso te ouviremos outra vez" (Ver. 32). Isto implica novamente que Paulo não estava a defender-se num julgamento formal e indica ainda que os seus ouvintes evidentemente concluíram que não havia motivo suficiente para realizar tal julgamento. Satisfeitos com as suas próprias crenças pagãs, nem sequer se importaram em ouvi-lo mais.
"E assim Paulo saiu do meio deles". Os seus esforços não foram totalmente em vão, pois houve "alguns" que creram; entre eles uma mulher (provavelmente de alguma proeminência) chamada Dâmaris, e um dos próprios Areopagitas, chamado Dionísio. Como um todo, no entanto, os Atenienses haviam provado que eles não eram realmente os grandes dos seus dias. Eles gloriavam-se, mas na sua vergonha. Os humildes Bereanos estavam cabeça e ombros acima deles.
Quanto tempo Paulo ficou em Atenas depois disso não se sabe, mas foi provavelmente depois disso que Timóteo chegou com notícias de Tessalónica e foi mandado de volta para os encorajar e consolidar.
PAULO FALHOU EM ATENAS?
Certos teólogos têm criticado Paulo por ele não apresentar o caminho da salvação no seu discurso no Areópago. Deve ser lembrado, no entanto, que ele foi levado para o Areópago porque ele estava a pregar "Jesus e a ressurreição"[1] (Ver. 18) e é impensável que ele não proclamasse a salvação por meio de Cristo se lhe tivesse sido permitido terminar a sua mensagem.
O seu discurso diante dos filósofos em Atenas era de facto uma obra-prima de sabedoria e de poder espiritual que Deus lhe dera. A dignidade e sinceridade do seu modo, o seu hábil uso das circunstâncias locais, a sua rara combinação de prudência e ousadia, o modo poderoso com que ele enfrentou a filosofia humana com a revelação divina, a forma diplomática e assertiva como expôs os seus ouvintes como ignorantes idólatras, penetrando as suas consciências, advertindo-os do juízo e chamando-os a arrependerem-se e a voltarem-se para Deus; a maneira esplêndida como ele apelou para o testemunho da criação[2] citando os seus próprios poetas, reconhecidos como qualquer das verdades que ele proclamava, e até usando a inscrição do seu altar como texto, respondendo ao ateísmo, ao politeísmo, ao panteísmo, ao agnosticismo, ao materialismo e ao fatalismo, tudo no decorrer de uns escassos momentos de tempo - tudo isto assinala o seu discurso interrompido no Areópago, "um discurso tal, com um tal orador e uma tal audiência, que marcou aquele lugar".
________________________________________
[1] A revelação de Paulo quanto à morte e ressurreição de Cristo ia muito além do que Pedro havia pregado em Pentecostes (Veja Romanos 4:25).
[2] Em vez de apelar para o testemunho do Velho Testamento, como ele fazia entre os Judeus.
Atos dispensacionalmente Considerados
Cornelius R. Stam



