Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXI – Atos 17:16-34 (5)

Acts dispensationally considered

 

O DISCURSO DE PAULO NO AREÓPAGO

     “E, estando Paulo no meio do Areópago, disse: Varões atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos;

     “Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais não o conhecendo é o que eu vos anuncio.

     “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens.

     “Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas;

     ”E de um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação,

     “Para que buscassem ao Senhor, se, porventura, tateando, o pudessem achar, ainda que não está longe de cada um de nós;

     “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração.

     “Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens.

     “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam,

     “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos.

     “E, como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez.

     “E assim Paulo saiu do meio deles.

     “Todavia, chegando alguns varões a ele, creram: entre os quais estava Dionísio, o areopagita, e uma mulher por nome Dâmaris, e, com eles, outros.

- Atos 17:22-34.

 

     É mais do que duvidoso que alguma coisa no oratório mais distinto dos eruditos da Grécia pudesse igualar-se à dignidade, majestade e grandeza do discurso de Paulo dirigido aos Areopagitas.

     O apóstolo havia combatido o paganismo; agora ele enfrentava os argumentos filosóficos defendidos. Do começo ao fim ele mostrou perfeito autocontrolo, enquanto ao mesmo tempo o seu discurso derramava o que enchia o seu coração, rodeado como estava pela idolatria. A sua intensa seriedade destaca-se em nítido contraste com a loucura dos atenienses (Vers. 18,21,32) quando ele apresenta a sua réplica do "meio" do Areópago.

 

UMA INTRODUÇÃO CHEIA DE TATO

     Com o maior respeito, o apóstolo dirige-se a seus ouvintes como "Varões Atenienses", reconhecendo o facto de que eles são "acentuadamente religiosos" (Ver 22 RA).

     A versão Revista e Corrigida "um tanto supersticiosos" é uma tradução muito infeliz. Paulo, com tato, não queria ofender os seus ouvintes com os seus comentários iniciais. Os Atenienses eram supersticiosos, mas se ele os tivesse acusado disso logo de entrada, ele teria fechado suas mentes para todo o seu discurso. Examine os outros discursos de Paulo e verá que ele começa com observações que tendem a ganhar o interesse e a atenção simpática dos seus ouvintes.

     O presente caso não é uma exceção flagrante a esta regra de Paulo, mas antes um exemplo claro da mesma. Numa rara combinação de elogio e cuidado, o apóstolo reconhece o zelo que os Atenienses conferiam à sua religião,[1] sem expressar qualquer opinião quanto à própria religião.

     Certamente que Paulo não teria chamado os Atenienses de um tanto supersticiosos, quando ele estava convencido de que qualquer superstição estava errada. Além disso, a mesma raiz é empregada em Atos 25:19,[2] onde é usada muito evidentemente no sentido de religião, pois certamente Festo não chamaria ao Judaísmo de superstição perante Agripa, sendo ele um Judeu.

     Mas esta declaração introdutória de Paulo torna-se mais notável porque, embora eminentemente diplomática, era também o primeiro golpe no seu argumento contra as filosofias dos atenienses.

     Os Epicureus eram, como dissemos, virtualmente ateus. Nenhum deus ou deuses - se houvesse algum - tinha algo a ver com o homem. Os Estoicos, por outro lado, eram panteístas. Para eles, o universo era deus. Ambas os grupos, se fossem lógicos e consistentes, teriam desprezado a idolatria, apesar de não terem podido encontrar o verdadeiro Deus. No entanto, foi aqui que a idolatria, nas suas múltiplas formas, teve uma influência quase indiscutível. Evidenciando a fraqueza das suas próprias posições, os Epicureus tinham admitido deuses no seu sistema como fantasmas da imaginação popular, enquanto os Estoicos os admitiram como desenvolvimentos menores do grande deus, o universo. Ambos seguiram a tendência humana em direção a algum tipo de adoração e eram, na prática, idólatras.

 ___________________________________________________

[1] Literalmente adoração de demónios ou divindades.

[2] Onde é novamente mal traduzida por “superstição”.

 

 

Sermões e Estudos

Fernando Quental 19ABR26
O perigo de nos tornarmos religiosos

Tema abordado por Fernando Quental em 19 de abril de 2026

Carlos Oliveira 17ABR26
A tua chávena

Tema abordado por Carlos Oliveira em 17 de abril de 2026

Dário Botas 12ABR26
A tua morte é um dever!

Tema abordado por Dário Botas em 12 de abril de 2026

Estudo Bíblico
1 Timóteo 3:2

Estudo realizado em 15 de abril de 2026

ver mais
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • Rede Móvel
    966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • HORÁRIO
    Clique aqui para ver horário