Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXI – Atos 17:16-34 (3)

Acts dispensationally considered

 

OS EPICUREUS E OS ESTÓICOS

          Entre estes estavam os Epicureus e os Estóicos, que representavam as duas principais escolas do pensamento grego na época. A história secular indica que os Epicureus apresentavam o que era conhecido como "o Jardim", enquanto os estóicos reuniam-se no "pórtico", de onde derivava o seu nome.

          Os Epicureus eram os seguidores de Epicuro que floresceram em Atenas mais de três séculos antes. Eles eram virtualmente ateus, pois ensinavam que qualquer que fosse o deus ou os deuses que existissem, estavam muito longe do homem para se preocuparem com os seus pecados ou tristezas. Eles não acreditavam em nenhuma criação, nem na continuação da existência da alma após a morte, nem na ressurreição, nem no julgamento. Não havia nada que incomodasse ou alarmasse.

          Segue-se naturalmente que os Epicureus consideravam que o gozo do prazer era o "fim principal" do homem e o "bem maior" da vida. Por isso, alguns - evidentemente a maioria - entregavam-se a vidas de sensualidade e vícios grosseiros. A sua filosofia dava-lhes liberdade para o fazer. Outros, como o próprio Epicuro, desfrutavam de prazeres mais refinados, mas todos entregavam-se à satisfação pessoal. Se os excessos sensuais deviam ser evitados, era apenas porque, em última análise, não levavam a maior prazer.

          Os Estóicos eram os discípulos de Zeno, um contemporâneo de Epicuro, cuja filosofia era, no entanto, quase exatamente o oposto. Eram panteístas e fatalistas e ensinavam que a virtude era o "fim principal" e o "bem maior" do homem. Eles acreditavam na supressão de todos os sentimentos naturais e esforçavam-se por aceitar o destino com calma, indiferentes à dor e ao prazer, para que pudessem tornar-se senhores e não escravos das circunstâncias.

          Em relação à sua moral, pode parecer superficialmente que eles se aproximassem do Cristianismo, mas na verdade eles estavam tão longe quanto os Epicureus. Os seus ensinamentos não assentavam na verdade revelada. Estes eram simplesmente uma reação natural aos excessos do Epicurismo. Devemo-nos lembrar que, por todo lado, a mais desavergonhada sensualidade era glorificada nas obras de arte públicas. De facto, as próprias religiões representadas em Atenas eram, na sua maior parte, degradadas e licenciosas. Os excessos de imoralidade e vício que resultaram, tiveram naturalmente as suas más consequências.

          A filosofia dos Estóicos, com ênfase na repressão do ego, era uma reação natural a tudo isso, mas não tinha origem na graça e na fé. Era apenas a tentativa do homem de conseguir o máximo de si mesmo. Produzia uma espécie de farisaísmo que desprezava qualquer um que chorasse ou se regozijasse. Não sabia nada da simpatia amorosa ensinada na exortação bíblica: "Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram" (Rom. 12:15). Além do mais, a sua autodisciplina era frequentemente artificial e não real e, como os fariseus, eram hipócritas, simplesmente recusando reconhecer os seus pecados e a sua necessidade de um Salvador. Portanto, assim como o prazer caracterizava os Epicureus, o orgulho caracterizava os Estóicos.

          Eram estes representantes de "O Jardim" e de "O Pórtico" que "contendiam" com Paulo a respeito das suas doutrinas de satisfação pessoal ou gratificação de si próprios e repressão do ego. Alguns, de facto, perguntaram com desprezo: "Que quer dizer este paroleiro [ou, tagarela]?" A palavra traduzida por "paroleiro, ou tagarela" é literalmente um apanhador de sementes e refere-se àqueles que, sem examinar minuciosamente qualquer assunto, apanham pedaços de informação aqui e ali, à semelhança de um pássaro que apanha sementes. Outros diziam: “parece que é pregador de deuses estranhos”,[1] porque ele estava a pregar Cristo e a ressurreição. No entanto, os argumentos de Paulo devem ter sido apresentados com grande capacidade e poder espiritual, pois como diz Kitto: "Até os Epicureus e os Estóicos, deambulando no lazer erudito, não consideraram abaixo da sua dignidade lutar com tal oponente". (Daily Bible Illustrations, [Ilustrações Diárias da Bíblia], Vol. 8, p. 366).

          Os ensinamentos do apóstolo causaram tal agitação que "tomando-o", ou “agarrando-o”, como diz o original, o levaram ao Areópago. Evidentemente, ele não foi de facto julgado pelas suas doutrinas aqui, pois não lemos de nenhuma acusação ou de testemunhas ou de um julgamento ou sentença. Eles simplesmente perguntaram: "Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas? Pois coisas estranhas nos trazes aos ouvidos; queremos, pois, saber o que vem a ser isso" (Vers. 19,20). Mas provavelmente teria sido uma investigação preliminar pois o que Paulo havia pregado tinha sido suficientemente "estranho" para exigir uma explicação aos Areopagitas.

          "Pois todos os Atenienses [Lit .: os Atenienses, TODOS eles] e estrangeiros residentes, de nenhuma outra coisa se ocupavam, senão de dizer e ouvir alguma novidade [Lit .: algo novíssimo]" (Ver. 21). ).

          Eles chamavam a Paulo de "apanhador de sementes", porém eles é que eram "apanhadores de sementes", sempre em busca de algo mais novo, revelando assim a sua insatisfação com o que tinham. É verdade que eles julgavam quaisquer doutrinas que parecessem ganhar destaque, mas não as julgavam pela infalível e imutável Palavra de Deus. Eles sujeitavam-nas apenas ao tribunal da mutável opinião humana.

          Ora, Paulo tem de ter em conta esta característica quando se dirige a eles. Ele quer dar-lhes algo novo: o Deus único de quem eles ainda são ignorantes, e o Seu Filho, Jesus Cristo.

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[1] Lit. demónios. A palavra ocorre 60 vezes no Novo Testamento e é sempre traduzida por demónios, exceto aqui. É significativo nesta relação que os demónios estavam por detrás da sua adoração de ídolos, e que os espíritos dos anjos são chamados de deuses nas Escrituras porque, como governantes deste mundo, eles deveriam representar Deus (Sal. 82:1,6; 86:8). 95:3; 96:4,5; 97:7,9, etc.).

 

 

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