Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXVIII - ACTOS 16:9-12

Acts dispensationally considered

 

O MINISTÉRIO DO APÓSTOLO DILATADO

A CHAMADA À MACEDÓNIA

 

            “E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um varão da Macedónia, e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedónia, e ajuda-nos.

            “E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedónia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciar-mos o evangelho.

            “E navegando de Troas, fomos correndo em caminho direito para a Samotrácia, e no dia seguinte para Nápoles;

            “E dali para Filipos, que é a primeira cidade desta parte da Macedónia, e é uma colónia; e estivemos alguns dias nesta cidade.”

- Atos 16:9-12.

  

A VISÃO MACEDÓNICA

            Tem sido conjeturado que uma vez que Lucas entrou evidentemente em cena aqui em Troas (notemos o subentendido “nós” de “procuramos” e o “nos” do ver. 10) pode muito bem ter sido ele que Paulo viu na sua visão. Contudo não parece haver nada real que suporte este ponto de vista. Na visão Paulo viu “um varão da Macedónia”, e há muitas dúvidas de que Lucas fosse Macedónio. Basta saber que o curso de Paulo foi de novo orientado por uma manifestação sobrenatural. Durante o seu ministério anterior o apóstolo foi muitas vezes guiado desta forma, como o foram outros durante o período dos Atos, como por exemplo os apóstolos da circuncisão (5:19,20), Filipe (8:26), Ananias (9:10,11), Cornélio (10:3), Pedro (10:10,17,19; 12:7-9), etc.

            Esta experiência de Paulo tem muitas vezes sido usada como exemplo do que deve ser uma chamada missionária. Em face do carácter evidente dos tratos de Deus com os homens na presente dispensação, é geralmente algo modificada, porém ainda há o sentimento de que uma “chamada” para a obra missionária envolve uma espécie de manifestação “sobrenatural”: um sonho, um sentimento de que “o Senhor falou-me”, um sentimento de profunda certeza ou de paz ou de necessidade urgente ou de responsabilidade pessoal; um peso sentido pelas almas duma particular raça ou nação, a descoberta duma particular passagem das Escrituras oriunda duma “caixa de promessas” ou na leitura devocional, ou os resultados dum “arrebatamento” ou o dar a Deus a escolha de duas alternativas.

            Mas nenhumas destas experiências ou emoções humanas deveriam ser confundidas com a definida visão por que Paulo foi chamado a ir à Macedónia, e os que hoje esperam uma manifestação sobrenatural na busca da direcção de Deus deveriam refletir no facto de que das muitas “chamadas” sobrenaturais registadas nas Escrituras, esta de Paulo em Troas é a última, pois com a rejeição da nação de Israel e das esperanças do seu reino tais manifestações desapareceram (Atos 2:16-18; cf. I Cor. 13:8).

            Nós hoje devemos andar inteiramente “por fé, e não por vista” (II Cor. 5:7). Com o sentimento do peso da responsabilidade pelos perdidos ao nosso redor, devemos pedir a Deus sabedoria e direcção providencial quanto a como e onde podemos satisfazer melhor a necessidade maior e prepararmo-nos depois pela Sua graça para desempenharmos a nossa responsabilidade de forma tal que a satisfaçamos. Pode ser que, depois de se ter orado com fervor e de se ter prestado uma consideração atenta, se chegue à conclusão que se pode servir melhor a Deus em África e se principie a preparar a partida, apenas para se ser impedido e se compreender que Deus nos quer em casa ou noutro lugar qualquer. Porém isso não significa necessariamente que se tenha errado com a preparação da partida para África, como se tivesse havido uma chamada por meio duma manifestação sobrenatural, ou como se as experiências pessoais estabelecessem finalmente tais coisas. Pelo contrário, o Senhor pode muito bem usar as circunstâncias mais confusas para o bem dos Seus servos e para Sua própria glória.

            No caso que temos perante nós Paulo foi chamado à Macedónia por uma manifestação sobrenatural e, uma vez tendo obedecido à chamada, não haveria qualquer sombra de dúvida quanto à sua chegada ali.

 

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