Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXV - ACTOS 15:22-29 (Cont.)

A DECISÃO TORNADA FINAL

     Depois de Tiago ter acabado de falar a decisão foi tornada final quando “os apóstolos e os anciãos com toda a igreja” concordaram dá-la a conhecer aos crentes Gentios. Isso agora tinha de ser feito de forma a que não deixasse dúvidas quanto à sua autenticidade e finalidade. Enviariam assim um comité de varões escolhidos do seu próprio grupo a Antioquia como Paulo e Barnabé, levando uma nota1 escrita da decisão, que eles no seu conjunto podiam anunciar de boca. Esse comité era composto por Judas Barsabás, talvez relacionado com José Barsabás (Actos 1:23) tendo o mesmo sobrenome, e Silas. Ambos eram “líderes entre os irmãos” e a palavra deles seria respeitada.

     A comunicação foi dirigida especificamente aos irmãos Gentios “em Antioquia e Síria e Cilícia” (Vers.23). Isto deve-se sem dúvida ao facto da questão acerca da circuncisão e da lei se ter espalhado pelas regiões à volta de Antioquia, onde Paulo laborava, provavelmente antes e possivelmente durante2 a sua estadia dum ano em Antioquia (Actos 11:25,26 cf. Gál.1:21,22).

     A decisão escrita do concílio foi em si uma grande vitória tanto para os crentes Gentios como para Paulo. Começando com um caloroso “saúde”3 da parte dos “apóstolos e anciãos e irmãos” em Jerusalém, explicava que alguns dentre si tinham ido a Antioquia, perturbar os crentes Gentios ali e “transtornar” as suas almas, e certificava-os de que tais indivíduos não tinham recebido nenhum mandamento deles para lá irem. O significado de “não lhes tendo nós dado mandamento” não é que a igreja em Jerusalém os não tenha comissionado a dizer o que disseram, mas que, não tinham sido comissionados para irem lá: “não lhes tendo nós dado mandamento”.

     Em comparação com estes perturbadores a carta continuava a falar de “varões escolhidos” enviados com “os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que já expuseram as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo” – homens esses “escolhidos” enviados para confirmarem as suas declarações.

     Este testemunho gracioso do carácter de Barnabé e Paulo implicava claramente que as suas palavras seriam aceites e a sua autoridade respeitada pelos Gentios.

     Quanto à decisão do concílio, resumidamente escrito nesta carta alguns detalhes importantes devem ser notados.

     1. A igreja em Jerusalém não impôs a lei aos crentes Gentios.

     2. Eles não o poderiam fazer de forma alguma, pois não tinham qualquer jurisdição sobre eles, mas o ponto é que se o programa do reino tivesse continuado os Gentios teriam que se sujeitar a Israel. Ora a igreja em Jerusalém torna claro que não é esse o caso.

     3. As “coisas necessárias” em que a igreja em Jerusalém os exortava, não eram obras da lei que procuravam impor aos Gentios, mas coisas que eles sentiam que os crentes Gentios se deviam “abster” para não chocarem os Judeus com quem eles entravam em contacto. (Vers.21).

     4. E mesmo esses detalhes não foram colocados em forma de mandamentos. Foi simplesmente sugerido que eles fariam “bem” absterem-se daquelas coisas mesmo que aquilo parecesse ser uma “carga”. Nós não cremos, como alguns crêem, que Paulo concordou em sujeitar os crentes Gentios a certos requisitos legalistas e que mais tarde, depois repudiou o acordo (Ver Gál.2:5; 5:1,3,9).

     Devido à transição do programa do reino para a presente economia a decisão escrita do concílio era necessária tanto para estabelecer a liberdade Gentílica como para confirmar a autoridade apostólica de Paulo entre os Gentios. Contudo isso não substituiria a autoridade e a comissão de Paulo dadas por Deus. Ele não necessitava do concílio em Jerusalém para endossar o seu apostolado. Assim, apesar de ele aceitar esta decisão como estabelecimento satisfatório do assunto em questão, ele nunca se refere uma única vez sequer a esta carta nas suas epístolas, nem mesmo quando discutiu o assunto principal que foi tratado (Gál.2). De qualquer modo, Paulo encontrou razões mais elevadas por que os crentes Gentios – e até os Judeus – não deviam estar debaixo da lei (Rom.7:2; Gál.3:13; Col.2:14) e motivos mais elevados para se absterem de tudo o que pudesse de qualquer forma prejudicar os outros, quer perdidos quer salvos (Rom.14:13-15; I Cor.8:1,4,7,9; 10:28-33; Gál.5:13). Na verdade, mesmo no que dizia respeito à impureza e à imoralidade ele encontrou motivos mais elevados para a verdadeira santificação nas verdades de que eles tinham sido “comprados por bom preço” e de que os seus corpos eram membros de Cristo e templos do Espírito Santo (I Cor.6.15,19,20).

     Ainda assim, quanto se tinha conseguido nesta jornada em Jerusalém e quantas dificuldades tinham sido vencidas! Esta convenção testemunhava eloquentemente o facto de que a era Pentecostal com o controlo completo do Espírito Santo estava a desvanecer-se pois, como muitas convenções hoje, era possível ser desastrosa: Reunidos em conferência encontravam-se alguns que evidentemente criam sinceramente que os Gentios deveriam ser circuncidados e guardar a lei. Depois haviam os “falsos irmãos”, como também a fraqueza de Pedro e a outra afirmação de Tiago. Na verdade, havia muita coisa de se recear, mas o Espírito Santo, por detrás, dirigiu tudo graciosa e poderosamente, até que tanto Tiago como Pedro, com João, reconheceram pública e oficialmente Paulo como o apóstolo dos Gentios e “toda a igreja ... reunida concordemente” escreveu aos Gentios como irmãos em Cristo, condenando os Judaízantes, defendendo Paulo, e declarando que eles concordavam que os Gentios se não sujeitassem à lei.

     A igreja em Jerusalém deve ter ficado profundamente consciente de que o Espírito Santo dirigiu, na sombra, pois na sua carta encontramos o forte clamor: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós ...”. O problema ficou tão definidamente assente que anos seguintes os líderes em Jerusalém disseram a Paulo:

     “E, ouvindo-o eles, glorificaram ao Senhor, e disseram-lhe: Bem vês, irmão quantos milhares de Judeus há que crêem, e todos são zeladores da lei” (Actos 21:20).

     Porém, em contraste acentuado:

     “TODAVIA, QUANTO AOS QUE CRÊEM DOS GENTIOS, JÁ NÓS HAVEMOS ESCRITO, E ACHAMOS POR BEM, QUE NADA DISTO OBSERVEM” (Vers.25).

     A mensagem que temos estado a considerar contém a última menção de Pedro – e dos doze- no registo dos Actos. Ao ter confirmado o ministério e o apostolado de Paulo ele desaparece de cena para ser substituído totalmente por Paulo.


1 Será interessante examinar essa nota. As suas várias partes parecem mostrar a influência de alguns dos líderes que evidentemente ajudaram a compô-la.

2
 Apesar de lermos em Actos 11:26 que “durante um ano” ele e Barnabé “se reuniram” com os crentes em Antioquia, isso parece incluir muitas viagens.

3
O Gr. Wairo significa literalmente, “Desejamo-vos alegria”.

Sermões e Estudos

Fernando Quental 19ABR26
O perigo de nos tornarmos religiosos

Tema abordado por Fernando Quental em 19 de abril de 2026

Carlos Oliveira 17ABR26
A tua chávena

Tema abordado por Carlos Oliveira em 17 de abril de 2026

Dário Botas 12ABR26
A tua morte é um dever!

Tema abordado por Dário Botas em 12 de abril de 2026

Estudo Bíblico
1 Timóteo 3:2

Estudo realizado em 15 de abril de 2026

ver mais
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • Rede Móvel
    966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • HORÁRIO
    Clique aqui para ver horário