Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXV - ACTOS 15:13-21 (Cont.)

OUTROS ACORDOS

     Examinemos o restante do registo de Gálatas e observemos que outros acordos foram também atingidos, evidentemente na reunião dos apóstolos e dos anciãos que sem dúvida tiveram importante influência na decisão de “Tiago”.

     Primeiro, Paulo salienta em Gál.2 um facto que ele também bem pode ter procurado “fazer prevalecer” no concílio. O problema não devia ter sido apresentado por Tiago, que não era um dos doze, nem até mesmo por João, mas por Pedro.

     Comparando o ministério da circuncisão com o seu, o apóstolo diz:

     “Porque aquele que operou eficazmente em PEDRO para o apostolado da circuncisão esse operou também em mim com eficácia para com os Gentios” (Gál.2:8).

     Mas com Tiago a dominar, Paulo refere-se aos líderes quatro vezes como aqueles que eram “de reputação”1 dizendo acerca desses reputados que “embora tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem” (Vers.6).

     E, como nós dizemos, Deus estava por detrás a dirigir tudo, pois o apóstolo declara que “eles viram” que “o Evangelho da incircuncisão” lhe tinha sido confiado a ele, como “o Evangelho da circuncisão” a Pedro (Vers.7) e vemos os líderes da circuncisão e Paulo e Barnabé dando as mãos num acordo solene e importante:

     “E CONHECENDO TIAGO, CEFAS E JOÃO, QUE ERAM CONSIDERADOS COMO AS COLUNAS A GRAÇA QUE SE ME HAVIA DADO, DERAM-NOS AS DEXTRAS, EM COMUNHÃO COMIGO E COM BARNABÉ, PARA QUE NÓS FOSSEMOS AOS GENTIOS, E ELES À CIRCUNCISÃO” (Vers.9).

     Os Judaízantes tinham posto em dúvida o apostolado de Paulo mas ele fora agora confirmado amplamente, pois temos aqui Tiago, o líder aprovado da Igreja Hebraica e Pedro, o líder designado de Cristo, juntamente com João, dando todos as mãos a Paulo e a Barnabé num acordo solene e público do facto de Deus ter chamado Paulo e Barnabé para irem aos Gentios, e concordando restringirem o seu próprio ministério à circuncisão. Como Paulo foi justificado!

     Este acordo é mais que notável em face dos doze terem, no princípio, sido comissionados para irem a todas as nações, começando, certamente, por Jerusalém (Mat. 28:19; Marc.16:15; Luc.24:47; Actos 1:8). Mas como os apóstolos tinham ligado coisas que também tinham sido ligadas no céu, eles agora exercem a sua autoridade pela última vez ao libertarem-se da comissão para ir a todo o mundo, e o que eles fizeram na terra foi ratificado no céu (Ver Mat. 18:18-20).

     Assim como havia uma exortação apensa à decisão quanto à lei no registo de Actos, assim também encontramos um pedido apenso ao acordo quanto ao apostolado de Paulo aqui em Gál.2, pois o apóstolo acrescenta

     “Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres; o que também procurei fazer com diligência” (Vers.10).

     Poderia haver testemunho mais eloquente do colapso do programa do reino e do começo duma nova obra entre os Gentios do que o facto dos líderes em Jerusalém terem tido a necessidade de pedir ajuda financeira aos crentes Gentios? Ocorrera uma grande mudança desde o tempo em que todos eles tinham “um coração e alma” e em que nada lhes faltava” (Actos 4:32,34).

     Paulo compreendia a situação, talvez melhor que eles, e a sua sinceridade ao dizer que ele mesmo os ajudaria é evidenciada pelo facto dele já lhes ter trazido socorro da igreja em Antioquia (Actos 11:29,30) e de nas suas cartas o encontrarmos a levantar fundos das “igrejas da Galácia” (I Cor.16:1-3) das “igrejas da Macedónia” (II Cor.8:1-4) e das “igrejas da Acaia” (II Cor.9:2) para socorrer “os santos pobres ... em Jerusalém” (Rom. 15:26).


1  No vers.6 a frase “pareciam ser alguma coisa” e no vers.9 a frase “eram considerados como as colunas” deveriam ser traduzidas por “reputados” (Gr. doke) sucedendo o mesmo no vers.2 a “aos que estavam em estima”.

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