Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXIV - ACTOS 15:6-11

A REUNIÃO DOS APÓSTOLOS E ANCIÃOS

     “Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos, para considerar este assunto.

     “E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Varões irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu, de entre vós, para que os Gentios ouvissem da minha boca a palavra do Evangelho, e cressem.

     “E Deus, que conhece os corações lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como, também, a nós.

     “E não faz diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé.

     “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais, nem nós podemos suportar?

     “Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles, também”. - Actos 15:6-11.

     Os versículos 6 e 7 desta passagem são muitas vezes usados pelos Protestantes para provarem que o governo da “Igreja primitiva” não assentava na autocracia duma vontade única, mas na decisão deliberativa dos designados por escolha, ou aprovação, do laicado. Contudo, na realidade, isto indicava, pelo contrário, um declínio na ordem Pentecostal na qual Pedro e os doze tinham recebido autoridade para representarem oficialmente Cristo durante a Sua ausência e todos os crentes estavam cheios do Espírito (Mat.16:19; 18:18,19; Actos 2:4). O facto de eles terem de ”considerar este assunto” juntos, trocando pontos de vista e sentimentos com “muita disputa” e apresentando o resultado à multidão indica que a era Pentecostal e o seu programa real se estavam a desvanecer. Contudo, veremos como o Espírito governou e dirigiu tudo estabelecendo o apostolado e a mensagem de Paulo.


OS PRESENTES

     Um exame à lista dos presentes na reunião especial dos “apóstolos e anciãos” fornecer-nos-á uma resenha das dificuldades que Paulo enfrentou quando defendeu o seu apostolado, a sua mensagem e a liberdade dos Gentios.

     Primeiro estavam ali presentes provavelmente todos os doze apóstolos com a excepção de Tiago, o irmão de João, que tinha sido morto por Herodes. Depois também estava ali Tiago, o irmão de Cristo, que era um apóstolo no sentido secundário, embora não sendo um dos doze. Ele era um legalista rigoroso e um lutador obstinado pela letra da lei. Foi, sem dúvida, por esta razão que ele foi cognominado “Tiago o Justo”.

     A ascendência deste homem entre os doze apóstolos constituía um dos sinais do declínio destes e do ocaso do programa Pentecostal. Ele nunca foi nomeado um dos doze e muito menos seu líder. Nem ele tinha qualificações para ser um deles, pois na altura em que eles seguiam a Cristo, ele ainda era um descrente (Ver João 7:5 e cf.Mat.19:28; Actos 1:21,22).1 Todavia este homem exerceu uma influência crescente sobre os doze e até sobre Pedro, o líder dos doze designado por Cristo, provavelmente por ele ser irmão do Senhor segundo a carne.

     Paulo testifica que logo na sua primeira visita a Jerusalém, após a sua conversão, quando ele esteve com Pedro durante quinze dias, ele não viu a nenhum dos outros apóstolos, a não ser a “Tiago, o irmão do Senhor”, que estava com Pedro. Mais tarde, quando ele escapou da prisão, Pedro pediu a alguns amigos para contarem o sucedido, não aos outros apóstolos, mas a Tiago, e aos irmãos (Actos 12:7). Aqui em Actos 15 este Tiago, e não Pedro, foi evidentemente o moderador do concílio (Actos 15:19,20). Na verdade, mais tarde, em Antioquia, Pedro permitiu que fosse, ele próprio, intimidado por “alguns da parte de Tiago”, voltando as costas à luz que Deus lhe dera a respeito do seu relacionamento com os Gentios (Gál.2:11-14). E na última visita de Paulo a Jerusalém nem Pedro nem qualquer dos outros apóstolos são mencionados. Nós lemos simplesmente que “Paulo entrou ... em casa de Tiago, e todos os anciãos vieram ali” (Actos 21:18). Este Tiago e o seu grupo, então, eram um poder que devia ser reconhecido, e estas circunstâncias explicam a caracterização que Paulo fez daqueles homens como “os que pareciam ser alguma coisa” e “que eram considerados como as colunas”, a sua declaração: “quais tenham sido noutro tempo: não se me dá” (Gál.2:6,9).

     Uma comparação de Actos 15:7 com Gál.2:4,5 revelará que entre os presentes nesta reunião haviam também “falsos irmãos, que se tinham intrometido”, agindo secretamente para “espiarem” a liberdade que os Gentios gozavam em Cristo e para os escravizarem; homens intrometidos secretamente, para se infiltrarem na audiência e para usarem de persuasão política, ou de pressão ou de outros meios ilegítimos para influenciarem a decisão.

     Depois certamente que haviam os anciãos subordinados das igrejas da Judeia (Vers. 6).

     Representando os crentes Gentios havia Paulo, Barnabé, Tito e alguns outros (Actos 15:2; Gál.2:1). A escolha de Barnabé e de Tito para acompanharem Paulo nesta ocasião foi, como dissemos, particularmente sábia. Barnabé era Judeu, Levita, que pertencera previamente à igreja em Jerusalém e vendera a sua propriedade, colocando o preço da venda aos pés dos apóstolos (Actos 4:36,37). Ele compreenderia bem o ponto de vista deles. Tito, por outro lado, era Grego, trazido, sem dúvida, como exemplo da realidade da conversão Gentílica e também como um teste na eventualidade duma batalha com os legalistas da circuncisão, de tal modo que os Gentios pudessem ter provas práticas de que a circuncisão e a lei não deveriam ser colocadas sobre eles. Que experiência valiosa, esta experiência deve ter sido para Tito, quando mais tarde ele teve que se erguer contra os legalistas na ilha de Creta! (Tito 1:10,11).


1 Ele, evidentemente, foi salvo na altura da crucificação (Actos 1:14).

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