Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXIII - ACTOS 14:19,20 (Cont.)

PAULO TERIA SIDO REALMENTE APEDREJADO ATÉ À MORTE?

     Provavelmente o apedrejamento do apóstolo em Listra foi uma experiência porque ele jamais passou, pois pouco antes de ir a Jerusalém pela última vez ele escreveu aos Coríntios: “Uma vez fui apedrejado” (II Cor. 11:25). Tem havido grande controvérsia entre comentadores quanto a se Paulo foi ou não realmente morto, e depois ressuscitado dos mortos.

     Os que crêem que Paulo foi realmente apedrejado até à morte e depois ressuscitado apresentam os seguintes argumentos, entre outros:

1. As multidões evidentemente pretendiam matar Paulo, uma vez que o apedrejamento era uma forma de execução.

2. A palavra traduzida por “cuidando”, no versículo 19, vem da raiz Grega comizo, que tem a ver com o intelecto, não com a imaginação. Quando usada no Novo Testamento significa, julgar ou supor pelo costume, ou concluir pela evidência, mas nunca imaginar.

3. A rapidez com que Paulo se ergueu e entrou na cidade parece indicar um milagre.

4. Em II Cor. 12:1-5 o apóstolo conta como foi arrebatado ao terceiro céu numa experiência que ocorrera há aproximadamente “catorze anos” – precisamente pela altura em que ele visitou Listra. A respeito dessa experiência ele diz: “Se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe” (II Cor.12:3).

     Apesar de não afirmarmos dogmaticamente que Paulo nesta ocasião não morreu, não estamos, contudo, convencidos que algum de todos os argumentos acima citados prove conclusivamente o contrário.

     Sem dúvida que é verdade que os perseguidores de Paulo pretendiam matá-lo e pensavam ter conseguido os seus intentos, mas isso não prova que eles o tivessem conseguido. A rapidez com que ele se levantou e andou não indica necessariamente que ele tivesse ressuscitado dos mortos. Ele pode meramente ter ficado aturdido, ficado inconsciente, pelas pedras que lhe foram arremessadas, e depois ter repentinamente recobrado de novo a consciência. Muitos “boxers” dos nossos dias têm ficado, “knocked out” por períodos de tempo consideráveis e depois têm vindo a si erguendo-se repentinamente e começando a andar tão instantaneamente como Paulo nesta ocasião.

     Se as palavras de Paulo em II Cor.12, se referem a esta experiência, como somos inclinados a pensar que sim, deveriam pelo contrário impedir-nos de chegar a qualquer conclusão definitiva sobre o assunto, pois ele diz, pelo Espírito, “Se no corpo, se fora do corpo, não sei”.

     Mas voltemos à nossa história. Que emoções não devem ter enchido os corações dos discípulos que rodeavam o corpo do seu querido apóstolo, com corações partidos e não sabendo o que fazer! Ainda assim e apesar disso a presença deles ali constitui a prova de que o ministério dele não tinha sido em vão. Aqui neste lugar começou uma igreja, uma forte igreja, pois eles viram o apóstolo oferecer a sua própria vida por eles e pela verdade, e na verdade, isso deve ter exigido não pouca coragem da parte deles, permanecerem ali daquela maneira, rodeando a figura, aparentemente sem vida, daquele que os seus perseguidores tinham tanto odiado. E a própria coragem de Paulo é vista a seguir no facto de ele mal ter ressuscitado, ter ido de novo para a cidade que o apedrejara, evidentemente ávido pela oportunidade de dar a conhecer aos seus perseguidores que Deus estava com ele, se porventura eles ainda pudessem volver-se para Cristo.

     Os sofrimentos do apóstolo nesta região vieram mais tarde à sua memória quando ele escreveu acerca das “perseguições” e “aflições”, “tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icónio e em Listra; quantas perseguições sofri”; mas esses sofrimentos não tinham sido em vão. Na verdade, nesta altura houve uma manifesta vitória individual para Cristo, uma vez que significava para ele ter mais um companheiro na obra, para além de Barnabé. Paulo dirigiu as palavras acima, acerca das suas perseguições e aflições a alguém que “tinha pleno conhecimento” delas (II Tim.3:10,11). Tratava-se de Timóteo, seu querido filho na fé, gerado durante os seus trabalhos e perseguições em Listra (Ver Actos 4:21; 16:1-3 e cf. I Tim.1:2; II Tim.3.10,11).

     Se, como somos inclinados a crer, a experiência aludida em II Cor.12:1-5 ocorreu nesta altura, isso encorajou e inspirou ainda mais o apóstolo, pois enquanto o seu corpo jazia ferido e a sangrar, rodeado pelo discípulos condoídos, o seu espírito partiu para o céu. Ele foi “arrebatado ao terceiro céu” para ver a glória da posição que pertence aos membros do Corpo de Cristo, e para ouvir coisas tão acima do alcance humano que lhe não era possível transmitir. Na verdade, a experiência foi tão gloriosa que tiveram que ser adoptadas medidas a fim de que a sua utilidade na terra, como servo de Cristo, não fosse impedida. Respeitantemente a isto o apóstolo diz:

     “E, para que me não exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de me não exaltar.

     “Acerca do qual, três vezes orei ao Senhor, para que se desviasse de mim.

     “E disse-me: A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza ..“
(II Cor.12:7-9).

     Que demonstração da graça de Deus nós temos na passagem aqui considerada! Os Listrianos arrastaram e deixaram como morto aquele que tinha sido enviado a trazer-lhes salvação, mas, uma vez erguido de novo, ele continua a proclamar as boas novas da graça de Deus.

     No dia seguinte, depois de ter voltado a Listra, o apóstolo partiu com Barnabé para Derbe. Aqui, evidentemente, pregaram sem oposição, tendo feito muitos discípulos. Este acontecimento leva-nos ao limite geográfico da primeira jornada apostólica de Paulo.

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