Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXII - ACTOS 13:42,43
A REUNIÃO DE DESPEDIDA
“E, caídos os Judeus da sinagoga, os Gentios rogaram que, no sábado1 seguinte lhe fossem ditas as mesmas coisas.
“E, despedida a sinagoga, muitos dos Judeus e dos prosélitos religiosos seguiram Paulo e Barnabé, os quais, falando-lhes, os exortavam que permanecessem na graça de Deus.” - Actos 13:42,43.
Os manuscritos antigos variam grandemente quanto ao Versículo 42. Alguns sustentam a tradução acima, outros a seguinte; “quando eles saíram ... eles rogaram ...” etc, que significa simplesmente que os ouvintes de Paulo desejavam ouvi-lo de novo. Outros ainda apresentavam os Judeus a rogarem a Paulo para que Gentios ouvissem aquelas palavras no sábado seguinte. Contudo o Textus Receptus, sustenta a tradução acima e face ao contexto parece ser esse o sentido.
Dos versículos 16 e 26 sabemos que estavam ali presentes aqueles que apesar de temerem a Deus, pelo menos em alguma medida, não eram Judeus nem provavelmente prosélitos no sentido bíblico do termo. Também sabemos, dos versículos 44, 45 que no dia de sábado seguinte quase toda a cidade veio ouvir a Palavra de Deus e que os Judeus se encheram de inveja por verem tantos Gentios reunidos para ouvirem Paulo pregar.
Algo daquilo que Paulo disse na sinagoga não se aplicava directamente aos Gentios tementes a Deus que ali se encontravam presentes. Eles não pertenciam a “este povo de Israel” e não podiam olhar para os patriarcas Judaicos como “nossos pais”, mas pouco interessava: Paulo inclui-os na sua saudação porque a sua oferta de salvação por meio de Cristo rejeitado por Israel se aplicava a eles (Vers.16, 26, 38, 39). Seria por conseguinte natural que eles estivessem ávidos de que os outros Gentios ouvissem estas coisas. Isto também corresponde ao desejo expresso do Gentio, Sérgio Paulo, de ouvir a Palavra de Deus no tipo que precede a passagem agora em consideração. Finalmente, corresponde ao facto de depois da congregação ter deixado a sinagoga, muitos dos “Judeus e religiosos prosélitos” (mencionados separadamente) terem seguido Paulo e Barnabé. Deveria ser observado que em harmonia com a mensagem de Paulo, Paulo e Barnabé instaram agora com aqueles Judeus e prosélitos a “continuarem na graça de Deus” (Vers. 43).
Servirá aqui de ajuda mostrar como a dispensação da graça começou gradualmente a emergir. A palavra graça, no original (charis) aparece menos de 20 vezes nos registos dos quatro evangelhos, e raramente aparece relacionada com a doutrina da graça, enquanto que nas epístolas de Paulo – volumosamente muito mais pequenas – aparece bem para cima de 100 vezes e quase sempre relacionada com a doutrina da graça. Semelhantemente, ao livro dos Actos, a palavra aparece (no original) somente 5 vezes antes do levantamento de Paulo, e nenhuma vez em relação à doutrina da graça, enquanto que após o seu levantamento aparece 15 vezes, a maioria delas relacionada com a doutrina da graça.
Pouco depois da conversão de Paulo, Cristo foi pregado aos Gregos em Antioquia da Síria, e Barnabé, ao ter sido enviado para verificar o caso, “quando chegou e viu a graça de Deus, se alegrou” e exortou-os simplesmente a “unirem-se ao Senhor”, e “partindo para Tarso, a buscar Saulo” (11:23,25). Aqui em Antioquia da Pisídia, Paulo e Barnabé instaram com os crentes para que continuassem na “graça de Deus” (13:43). Em Actos 14:3 eles detiveram-se “muito tempo” testificando da “Palavra da Sua graça”. Em Actos 15:11 até Pedro concorda que “por meio da graça do Senhor Jesus” até os Judeus serão um dia salvos como os Gentios. Em Actos 20:24 Paulo diz das suas aflições:
“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a MINHA CARREIRA, E O MINISTÉRIO QUE RECEBI DO SENHOR JESUS; PARA DAR TESTEMUNHO DO EVANGELHO DA GRAÇA DE DEUS”.
Como poderemos divorciar tudo isto das palavras de Paulo em Efésios 3:1-3:
“Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo, por vós, os Gentios;
“Se é que tendes ouvido FALAR DA DISPENSAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS, QUE PARA CONVOSCO ME FOI DADA.
“COMO ME FOI ESTE MISTÉRIO MANIFESTADO PELA REVELAÇÃO ...”
A proclamação da salvação de Paulo pela graça, por meio da fé, à parte da lei, na sinagoga Pisídiana estava em harmonia com a sua própria comissão especial de proclamar a graça. Era um desvio do programa da profecia e da “grande comissão” e um passo na revelação do “mistério”.
Contudo não era senão um passo. Deus ainda não tinha posto de parte completamente a nação de Israel, e ainda havia muito mais para ser revelado do propósito eterno de Deus e da Sua graça.
1 Gr. Sábado interposto. A expressão é usada somente aqui. Há alguma dúvida quanto a se esta expressão se possa referir ao seu dia de reunião ou à semana interposta antes do sábado seguinte, mas o Vers. 44 parece fixar o sentido.



