Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXII - ACTOS 13:24-37 (Cont.)
A OFERTA DA SALVAÇÃO AINDA EM VIGOR
Como sabemos, Israel como nação, rejeitou a mensagem de João, o seu Messias, e a remissão dos seus pecados. Apesar disso Paulo diz não somente aos Judeus, mas também aos Gentios tementes a Deus que se encontravam na sua audiência: “A vós vos é enviada a palavra desta salvação” (Vers. 26). Significará isto que Paulo, à semelhança de João Baptista e de Pedro, também pregou “o baptismo do arrependimento para a remissão de pecados”, oferecendo Cristo como Rei? De modo algum. Em parte alguma vemos Paulo proclamar o arrependimento e o baptismo para remissão de pecados; e no seu sermão em Antioquia da Pisídia também não, se é que os versículos 38 e 39 têm algum significado.
O apóstolo aqui está a falar simplesmente da salvação, não dos termos em que ela pode ser conseguida. Não é verdade que a salvação foi oferecida a Israel e foi rejeitada, e que “a salvação de Deus” foi por isso “enviada aos Gentios”? (Ver Actos 4:12; 12:46; 28:28). Certamente que os termos foram alterados, todavia porém a salvação, que a nação de Israel recusou; foi mais tarde enviada aos Gentios. Na altura da mensagem de Paulo nesta sinagoga da Pisídia, a salvação já tinha começado a ir para os Gentios, e aqui, ao dirigir-se não somente aos Judeus na sinagoga mas também aos Gentios tementes a Deus entre eles, o apóstolo declara: “A vós vos é enviada a palavra desta salvação”. A nação favorecida ao rejeitar o seu Salvador não O impediria de abençoar os Gentios.
Deve ser tomado notável cuidado quanto a como e o porquê é que a salvação estava a ser enviada agora a estes Judeus da dispersão e aos Gentios tementes a Deus que se encontravam entre eles.
“A Vós vos é enviada a palavra desta salvação”, diz Paulo, “PORQUE ... os que habitavam em Jerusalém, e os seus príncipes, condenaram-nO”. Assim, então a salvação não foi enviada porque Jerusalém e os Líderes de Israel aceitaram Cristo, e por conseguinte o reino agora podia ser proclamado nas regiões além. O próprio facto de aqui ser Paulo, e não ser um dos doze, o pregador, refuta tal ideia. Pelo contrário, foi por Israel e os líderes de Israel terem rejeitado Cristo. Eles tinham rejeitado Cristo, assim Paulo oferece-O aos Judeus dispersos e aos Gentios tementes a Deus.1
A razão porque ele podia oferecer assim a oferta da salvação aos seus ouvintes à parte da conversão de Israel foi porque embora os que estavam em Jerusalém não conhecessem Cristo nem compreendessem os profetas, tinham no entanto cumprido as Escrituras proféticas ao condenarem Cristo. Embora eles levassem a cabo os seus maus desígnios, eles, sem o saberem, levavam também a cabo o grande plano de Deus para a redenção dos pecadores! Os líderes de Israel tinham quebrado a lei e feito ouvidos de mercador às profecias que tinham precisamente sido lidas na sua sinagoga; todavia sem o saberem também a cumpriram. E quando eles cumpriram tudo o que estava escrito a respeito da crucificação, eles, “... tirando-O do madeiro, O puseram na sepultura, mas Deus O ressuscitou dos mortos, e Ele, por muitos dias ...” (Vers. 29-31).
Assim os graciosos planos de Deus, não tinham sido frustrados, nem a Sua Palavra anulada. O Deus que “segundo a Sua promessa” tinha “levantado a Jesus” (Vers. 23) “cumprira” agora a “promessa ... feita aos pais ... ressuscitando a Jesus” (Vers. 32,33).
A citação que Paulo faz aqui do segundo Salmo é muito apropriada, pois não foi pela incarnação do Senhor mas pela Sua ressurreição que o Pai declarou oficialmente o decreto: “Tu és Meu Filho”. Este facto é revelado nos versículos iniciais de Romanos, onde lemos que Ele foi
“Declarado Filho de Deus, em poder ... pela ressurreição dos mortos” (Rom. 1:4).
O termo, “as santas e fiéis bênçãos de David” (cf. Isa. 53:3) refere-se às promessas asseguradas a David pelo concerto divino, e quanto à citação do Salmo 16, o argumento de Paulo, como o de Pedro em Actos 2, é que uma vez que o corpo de David se tinha corrompido e o de Cristo não, David deve ter profetizado a respeito de Cristo.
Assim, apesar de Israel, como nação, ter crucificado Cristo e estar até agora de pé por aquele terrível feito, tudo se desenrola segundo o imutável plano de Deus. Cristo estava vivo a despeito dos Seus inimigos, e gloriosamente capaz e pronto em salvar.
1 No princípio, segundo Actos 10:36, a Palavra de Deus era “enviada aos filhos de Israel”. Aqui em Actos 13:26 “ a palavra desta salvação” é “enviada” aos “filhos da geração de Abraão” e aos Gentios que entre eles, “temiam a Deus”. Em Actos 28:28 “a salvação de Deus é enviada aos Gentios”.



