Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXI - ACTOS 13:4-13 (Cont.)

A HISTÓRIA DE BARJESUS

     E agora chegamos a outra das histórias típicas que abundam no livros dos Actos – uma história típica que se ajusta bem aqui. Trata-se dum registo profundamente significante acerca de dois Paulos; dum Gentio que deseja ouvir a Palavra de Deus e dum Judeu que procurava impedi-lo de tal; dum Gentio que foi salvo porque um Judeu cegou.

     Na outra extremidade de Chipre em relação a Salamina situa-se Pafos, aparentemente a sede do governo da ilha. Nesta cidade vivia Sérgio Paulo, o governador da ilha. Este Sérgio Paulo tinha como seu conselheiro um Judeu chamado Barjesus. Isto em si é significante, pois os Gentios deviam ter recebido ajuda e luz dos Judeus, e Sérgio Paulo era um deputado e delegado Romano, um procônsul, representando o mundo Gentílico, enquanto que Barjesus (Lit., Filho de Jeová – Salvador) era profeta, representando apropriadamente Israel, por meio de quem os Gentios deviam ter encontrado salvação e bênção.

     Contudo, Israel não trouxe luz e salvação aos Gentios – na verdade, procurou até mesmo impedir tal, e à luz deste facto a história torna tudo mais significante.

     Barjesus, embora nascido provavelmente de pais piedosos, (para ter sido assim chamado) tornara-se num feiticeiro1, um falso profeta. Por outro lado é-nos dito que Sérgio Paulo era “um varão prudente”, e certamente que foi prudente ao chamar Barnabé e Saulo para lhe ensinarem a Palavra de Deus.

     Mas quando Barjesus, ou Elimas (Lit. Aquele que Conhece) teve conhecimento do desejo do governador ouvir a Palavra de Deus, apercebeu-se imediatamente que a sua própria influência sobre Sérgio Paulo estava ameaçada, e “resistiu” a Barnabé e a Saulo, “procurando apartar da fé o procônsul” (Vers. 8).

     Foi então que Paulo desmascarou o enganador e pronunciou juízo sobre ele. Ao chamar ao suposto “Filho de Jeová – Salvador”, “Filho do Diabo”, e ao acusar o conselheiro de confiança como sendo “cheio de todo o engano e de toda a malícia”, o apóstolo perguntou peremptoriamente: “Não cessarás de perturbar os rectos caminhos do Senhor?”. ”Eis aí, pois agora contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo” (Vers. 9-11). 

     Com isto aquele que era suposto ter possuído uma compreensão do desconhecido foi envolvido em “escuridão e trevas”; ele, que tinha exercido tão grande influência sobre o governador, foi tornado impotente, procurando desesperadamente por alguém que o conduzisse e guiasse pela mão.

     Entretanto Sérgio Paulo, o procônsul, “vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor” (Vers. 12).

     Que quadro exacto temos aqui do que ocorreu com Israel e os Gentios como se encontra registado nos Actos – algo disso registado até neste mesmo capítulo!

     Neste mesmo capítulo vemos os Gentios pedirem para ouvir a Palavra de Deus (Vers. 42) e os Judeus, que deveriam ter sido os instrumento utilizados para bênção dos Gentios, resistiram a Paulo e a Barnabé e procuraram demover os Gentios da fé (Vers. 45). Israel, o suposto Filho de Jeová – Salvador, o profeta designado por Deus para os Gentios, é visto em vez disso ser um falso profeta, um filho do diabo, e é colocado sob juízo (Vers. 46) enquanto que os Gentios recebem a verdade e se regozijam nela (Vers. 48).

     Assim o apóstolo escreve de novo aos Romanos: 

     “Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram e os outros foram endurecidos. 

     “Como está escrito: Deus lhe deu espírito de profundo sono: olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje”
(Rom. 11:7,8).

     Um facto mais, também notável para ser ignorado neste registo, é que temos aqui dois Paulosdois homens chamados “Pequenos”. Um é pagão por nascimento, o outro membro da raça escolhida, pertencendo ao povo do concerto que Deus fez. Mas – o membro da raça escolhida tornara-se num inimigo amargo de Deus e num blasfemador de Seu filho, de tal modo que a sua posição diante de Deus não era nada melhor – pelo contrário até era pior – que a do pagão idólatra. Posto isto, ambos, o pagão e o Hebreu, têm de ser salvos pela graça, como “pequenos” em si mesmos, mas grandes para o coração do Salvador que morreu por eles. O religioso Hebreu, como o ímpio pagão, têm de tomar a sua posição ao lado do principal dos pecadores e dizer: “Eu também sou pecador, mas confio em Cristo como meu Salvador”.

     Tudo isto tem a sua base na cegueira de Elimas e de Israel, por algum tempo, pois na presente dispensação Deus está a demonstrar que o Judeu e o Gentio têm de ser ambos salvos por pura graça e que mesmo quando a nação do concerto for finalmente salva, será apenas por graça, por meio dos méritos do Crucificado. Assim o mistério tinha de ser revelado antes que a profecia pudesse ser cumprida, de modo a que a nação de Israel, quando for finalmente exaltada, não se glorie em si, mas em Cristo.


A SEPARAÇÃO DE MARCOS

     Como sabemos, João Marcos tinha-se posto a caminho com Paulo e Barnabé nesta jornada. Porém, quando atingiram Perge em Panfília ele “apartou-se deles” subitamente, não nos fornecendo o registo qualquer informação definida quer quanto às suas actividades na jornada quer quanto à razão que o levou a voltar subitamente para Jerusalém.

     Alguns têm pensado que os perigosos pagãos circunvizinhos o amedrontaram. Talvez o rapaz simplesmente tenha sido acometido de saudade súbita do lar. Sabemos que ele vivera com a mãe em Jerusalém no ambiente protegido dum grande e, aparentemente, confortável lar (Actos 12:12; etc). Por conseguinte, não seria estranho depois de ter empreendido uma viagem a um território estranho e pagão, ele ter-se tornado quer receoso, quer com saudades, quer com ambas as coisas. Mas analisaremos mais acerca deste assunto numa outra lição.


1 Muitos antigos governadores pagãos tinham tais feiticeiros como conselheiros.

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