Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XVI - ACTOS 9:23-31 (Cont.)

O REGISTO DO MINISTÉRIO DE PEDRO RESUMIDO

     Como vimos, o apóstolo Pedro é a figura central dos primeiros oito capítulos dos Actos. Depois, no capítulo nove temos a conversão de Paulo e as suas primeiras experiências cristãs. A isto segue-se novamente a história de Pedro, mas apenas brevemente (Actos 9:32-11:18) pois no capítulo onze Paulo torna-se de novo a figura central e permanece assim até ao fim do livro.

     Diz-se frequentemente que a história de Pedro e dos seus associados (Actos 1:1-11:18) é interrompida no capítulo nove pela conversão de Paulo. Isto é verdade, porém é igualmente verdade que a história de Paulo e os seus associados (Actos 9:1-28:31) é interrompida pelos tratos de Pedro com Eneias, Dorcas e Cornélio. Os ministérios dos dois homens estão assim interligados:

 Pedro  (Paulo) (Pedro)   Paulo
 Figura Central                                                                                                    Figura Central                    
 1:1-8:40  9:1-31  9:32-11:18  11:19-28:31


     É importante termos este facto em mente ao estudarmos o livro dos Actos, pois não é meramente no registo cronológico que os ministérios destes homens se encontra interligado. O registo foi dado para revelar uma revelação dispensacional.

     É verdade que o apostolado de Paulo era inteiramente separado e distinto do dos doze. No caminho para Damasco ele foi chamado, “não da parte dos homens, nem por homem algum” (Gál.1:1). Além disso ele foi chamado para um ministério diferente do deles: “para testificar o Evangelho da graça de Deus”, “para pregar entre os Gentios as riquezas incompreensíveis de Cristo” (Actos 20:24; Ef. 3:8). Porém não se deve depreender daqui que não existia nenhuma relação entre os seus ministérios.

     Para começar, Paulo representava o mesmo Deus para os doze, contra quem Israel estava agora a rebelar-se. Ele representava o mesmo Cristo, que Israel estava agora a rejeitar. E “a salvação de Deus”, que Israel recusou, estava agora a ser “enviada aos Gentios” (Actos 28:28; cf. 13:46; 18:6).

     Ademais, os apóstolos em Jerusalém cedo reconheceram que porque Israel estava agora a recusar Cristo ressuscitado e glorificado, Deus escolheu Paulo para pregar a salvação aos Gentios a despeito de Israel, e num solene acordo os seus líderes deram a Paulo e a Barnabé as dextras da comunhão, concordando continuar os seus trabalhos com Israel, enquanto Paulo is aos Gentios (Gál. 2:2,7,9).

     Assim o ministério de Paulo não foi meramente um outro programa que ele decidira começar separadamente da igreja em Jerusalém. Era o passo seguinte no programa de Deus, e a menos que vejamos o progresso e o desenvolvimento em todo o programa perderemos muito. É por isso – como veremos especialmente no caso de Cornélio – que os dois ministérios se encontravam interligados.

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