Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XIV - ACTOS 9:3-7 (Cont.)

A CRUCIFICAÇÃO EXPLICADA

     A crucificação de Cristo e a conversão de Saulo têm sido chamadas os dois maiores eventos da história. É claro que eles devem estar sempre associados nas nossas mentes, pois um é o complemento do outro.

     Num temos o Filho de Deus a morrer pelo pecado; no outro, o principal dos pecadores salvo do pecado. Num temos o Santo a clamar a Seu Pai: “DEUS MEU, DEUS MEU, PORQUE ME DESAMPARASTE? No outro temos o mesmo Santo a perguntar ao seu arqui-inimigo : “SAULO, SAULO, PORQUE ME PERSEGUES?” O primeiro “Porquê?” veio dos lábios do moribundo Filho de Deus na cruz do Calvário, o segundo, do Filho de Deus na Sua exaltação à mão direita do Pai.

     Estes dois “porquês?” representam os dois maiores enigmas ou mistérios da história; ainda assim e apesar disso, um é a simples explicação do outro.

     Nós lembramo-nos bem da dor indiscritível duma jovem mulher cuja filhita amorosa fora repentinamente arrebatada pelos tentáculos da morte; como ela elevou as suas mãos em angústia, soluçando, “Porquê? Porquê?”.

     O homem, através dos séculos, aqui em baixo, tem perguntado “Porquê?” quase continuamente – algumas vezes em dor e desapontamento, outras vezes irado e em rebelião. Porquê toda esta miséria e dor e tribulação? Porquê toda esta doença e pena e morte? Porquê toda esta guerra e desolação e derramamento de sangue?

     Ainda assim e apesar de tudo, em última análise não é estranho que nós soframos miséria e morte. É o resultado natural do pecado. Uma questão muito maior, a maior de todas, é incorporada na voz do angustiado “Porquê?” que foi pronunciado pelos lábios do Filho de Deus quando Ele morreu em agonia e vexame pelos pecados que Ele nunca cometeu.

     Porque é que – como podia – um Deus santo e justo, para não dizer um Deus amoroso, ficou impávido enquanto homens ímpios e iníquos cuspiam na face bendita do Santo, e O espancavam e d’Ele zombavam, crucificando-O finalmente num madeiro? Porque é que Ele não interveio? Porque é que Ele próprio aumentou a angústia e miséria do Seu Filho ao abandoná-LO?

     Ah, a questão é respondida quando mais tarde o Filho de Deus “exaltado acima de tudo e de todos” olha para baixo para a rebelião do mundo e argúi com o seu líder: “Saulo, Saulo, porque Me persegues?” – e depois o salva!.

     “Saulo, Saulo, porquê?” Poderia muito bem ser perguntado a toda a humanidade. Porquê esta inimizade contra Cristo? Porquê continuar em pecado e rebelião contra Ele? Quem pode dar uma boa resposta? Ele não é o que clamou ser? Poderá o homem salvar-se da condenação e morte sem o crucificado? Porquê rejeitá-Lo e opor-se-Lhe? Que razão há para isso?

     Foi esta inimizade irracional do homem contra Cristo – personificada em Saulo – que produziu tanto a cruel crucificação, como ao mesmo tempo a tornou necessária para a salvação. E a conversão de Saulo foi a demonstração suprema do que a cruz podia cumprir e cumpriu.

     Até à conversão de Saulo a crucificação tinha sido salientada como algo de que as pessoas se tinham de envergonhar e de arrepender. Contudo dali em diante a glória da cruz foi progressivamente revelada. O apóstolo olha regressivamente para ela e clama: “Ele amou-me e a Si mesmo se entregou por mim”! Ele proclama-a como sendo o fundamento da redenção e oferece a salvação por meio dela, Ele gloria-se nela.

     Assim a Paulo foi primeiramente entregue o que é propriamente chamado “a pregação da cruz” (I Cor. 1:17,18).

     É esta a resposta para o angustiado “Porquê?”! Se não é, então não existe nenhuma resposta, pois como poderíamos nós confiar em Deus, quer como justo quer como amoroso, se na verdade Ele permitisse que homens iníquos ultrajassem e matassem uma pessoa tão boa – para não dizer o Seu próprio Filho Santo – para nada? Sob tais circunstâncias de que serviria o uso do que quer que fosse, uma vez que na realidade “a verdade estaria para sempre no cadafalso e o erro para sempre no trono”?

     Sim, a morte de Cristo e o pecado do homem, não sendo relacionados um com o outro tornam-se dois problemas insolúveis. Não quer dizer com isto que agora podemos conhecer todas as razões porque Deus permitiu cada um desses factos, mas que temos a solução para os problemas sempre que estes nos afectam.

     “Cristo morreu pelos nossos pecados”; não meramente por causa dos nossos pecados, mas pelos nossos pecados. É esta a chave para o céu. É esta a solução para o nosso problema. Não há necessidade alguma de se permanecer sob a condenação do pecado, pois “Cristo morreu pelos nossos pecados”. Nós não nos podemos queixar de termos nascido em pecado, pois “Cristo morreu pelos nossos pecados”. Não podemos argumentar dizendo que não somos responsáveis pela nossa condição, pois não obstante somos responsáveis, uma vez que Ele tomou a responsabilidade sobre Si mesmo quando “Cristo morreu pelos nossos pecados”.


“Oh, porque estava Ele ali como o portador do pecado
Se em Jesus a tua culpa não foi colocada?
Oh, porque fluiu do Seu lado o sangue purificador do pecado
Se a Sua morte a tua dívida não tornou saldada?”

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