Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XIV - ACTOS 9 (Cont.)

PAULO O EXEMPLO

     Se a razão para a conversão de Saulo não é perfeitamente clara em I Tim. 1:13-15, certamente que é claríssima no versículo seguinte:

     “MAS POR ISSO ALCANCEI MISERICÓRDIA, PARA QUE EM MIM, QUE SOU O PRINCIPAL1 JESUS CRISTO MOSTRASSE TODA A SUA LONGANIMIDADE, PARA EXEMPLO DOS QUE HAVIAM DE CRER NELE PARA A VIDA ETERNA”

     Apesar disso ainda há aqueles que não parecem ver claramente a unidade progressiva do ministério e mensagem de Paulo. Porque o programa Pentecostal não foi abolido repentinamente e porque foi predominante durante o começo do mistério de Paulo, supõem que Deus estava simplesmente a prosseguir com o Seu programa profético na conversão de Saulo. Argumentam dizendo que a conversão de Saulo foi um exemplo da futura conversão de Israel e não um exemplo da nossa conversão. Costumam até citar I Cor.15:8, onde o apóstolo diz:

     “E por derradeiro de todos (Cristo) me apareceu também a mim, como a um abortivo”.2

     Ora esta declaração é muitíssimo significante!

     Quando Paulo fala de si como tendo nascido “antes do tempo devido”, parece ter claramente a futura conversão de Israel na sua mente.

     Mas os doze e muitos outros crentes Judaicos não foram salvos antes de Saulo? Eles também não nasceram “antes do tempo devido”? Sim, mas algo importante ocorreu entre estes e aquele.

     Os doze foram salvos durante o que Cristo chamou o dia de Israel e o tempo da sua visitação (Lucas 19:41-44). Cristo também chamou a isto “o ano aceitável do Senhor” para Israel (Lucas 4:19). Ulteriormente este “o ano aceitável do Senhor” foi protelado até depois da cruz pela intercessão do Salvador moribundo (Lucas 23:34).

     Também é claro que os apóstolos não sabiam que Pentecostes, altura em que o reino seria oferecido, não era “o tempo devido” para Israel ser salvo, pois o Senhor negara dizer-lhes isso (Ver Actos 1:6,7).

     Contudo com o homicídio de Estevão tornou-se evidente que Israel não aceitaria Cristo. Com este acto a nação respondeu à questão dos seus apóstolos quanto ao estabelecimento do Seu reino. Agora a conversão de Israel esperava um dia futuro; o “tempo devido” ainda jazia adiante, mesmo ainda que nem todos compreendessem isto.

     É por isso que Paulo fala de si mesmo como tendo nascido antes, não depois, do tempo devido. Isto deveria ser cuidadosamente notado por aqueles que ensinam que a nova dispensação não principiou antes de algum tempo depois da conversão de Saulo, pois se estivessem correctos, porque dir-se-ia que somente Paulo e nenhum dos crentes Pentecostais, nasceu antes do tempo devido?

     Contudo devemos notar, que apesar de Saulo ter sido um Israelita nascido antes do tempo devido, não se segue daí que a sua conversão foi necessariamente típica de toda a nação de Israel.

     Paulo, ao ter nascido antes do tempo devido, tem uma relação directa maior connosco do que com Israel. Israel nascerá em tempo devido, enquanto nós, como Paulo, nascemos antes do tempo devido.

     Isto pode ser demonstrado por algumas questões simples:

     Quando é que é o “tempo devido” para Israel ser salvo: passado, presente ou futuro? A resposta certamente é, futuro. Quando é que é o tempo devido para os Gentios serem salvos? A resposta a esta pergunta também é, futuro, pois os Gentios, de acordo com o concerto e a profecia, serão salvos por meio de Israel. Então quando os Judeus hoje em dia são salvos, são salvos “em tempo devido”, profeticamente falando, ou “antes do tempo devido”? Certamente que “antes do tempo devido”. E quando hoje em dia os Gentios são salvos, são salvos “em tempo devido”, ou antes do tempo devido”? A resposta também é, “antes do tempo devido”.

     Assim, quando Judeus e Gentios hoje em dia são salvos e reconciliados com Deus num corpo, são salvos, antes do “tempo devido”, não na base dos concertos, mas pela graça; não segundo a profecia, mas de acordo com o mistério revelado a, e por intermédio de, Paulo.

     É verdade que a conversão de Paulo, como a de Israel, nas Escrituras, está associada com a revelação de Cristo (Cf. Zac. 12:10; Rom.11:26). Mas também há pontos de contraste pois, ao contrário de Israel do futuro, Saulo não clamou a Deus por livramento quando Cristo lhe apareceu. Ele era o grande perseguidor que levava os outros a clamar livramento. Mais ainda, Saulo encontrava-se fora da terra da Palestina quando Cristo lhe apareceu, enquanto que Israel estará na terra. Existem outros pontos de contraste que analisaremos mais tarde.

     Contudo enquanto alguns insistem que a conversão de Saulo foi “um exemplo” da conversão de Israel, principalmente devido à revelação de Cristo para com ele, ele não diz absolutamente nada disso. Ele, pelo Espírito, diz que Cristo no seu caso, revelou toda a longanimidade como um exemplo:

     “MAS, POR ISSO, ALCANCEI MISERICÓRDIA , PARA QUE EM MIM, QUE SOU O PRINCIPAL, JESUS CRISTO MOSTRASSE TODA A SUA LONGANIMIDADE, PARA EXEMPLO DOS QUE HAVIAM DE CRER NELE PARA A VIDA ETERNA” (I Tim. 1:16).

     Sem dúvida que isto terá o seu cumprimento na futura conversão de Israel, pois hoje Deus está a ensinar a grande lição que a nação de Israel deve aprender para ser salva. Mas está mais relacionado directamente connosco hoje, pois Deus está a revelar “toda a longanimidade” nesta dispensação da graça.

     É portanto claro que Paulo é o nosso exemplo na salvação. Nele principalmente Jesus Cristo, aparte da lei ou das condições da “grande comissão”, inteiramente na base do sangue do Calvário, revelou toda a longanimidade de tal modo que aqueles que creriam n’Ele depois disso pudessem, qualquer que fosse o seu passado, ser assegurados da excedente abundância da Sua graça.

1 No original aparece a mesma palavra que no vers. 15, “principal”.
2 Lit. “um aborto” – nascido antes do tempo devido.

Sermões e Estudos

Fernando Quental 19ABR26
O perigo de nos tornarmos religiosos

Tema abordado por Fernando Quental em 19 de abril de 2026

Carlos Oliveira 17ABR26
A tua chávena

Tema abordado por Carlos Oliveira em 17 de abril de 2026

Dário Botas 12ABR26
A tua morte é um dever!

Tema abordado por Dário Botas em 12 de abril de 2026

Estudo Bíblico
1 Timóteo 3:2

Estudo realizado em 15 de abril de 2026

ver mais
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • Rede Móvel
    966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • HORÁRIO
    Clique aqui para ver horário