Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XIV - ACTOS 9 (Cont.)

O FUNDO E O CARÁCTER DE PAULO

     Mas quem é este “principal dos pecadores?” Um rufia, um estripador, um vilão? Na verdade, não. Ele pertence á raça a escolhida e é altamente respeitado pelos seus associados. Ele é um observador escrupuloso da lei de Moisés e zeloso das tradições de seus pais.

     Será então que ele ignora a profecia do Velho Testamento para não reconhecer o seu Messias? Oh, não! Ele é um Fariseu, um Hebreu de Hebreus, da soberba tribo de Benjamim, um líder espiritual em Israel com um conhecimento profundo das Escrituras do Velho Testamento, tendo aprendido em Jerusalém aos pés de Gamaliel.

     Na verdade, Saulo era sincero e conscencioso na sua oposição a Cristo. Mais tarde ele disse a Agripa: “Bem tinha eu imaginado que, contra o nome de Jesus, o nazareno, devia eu praticar muitos actos” (Actos 26:9). Mais tarde ainda escreveu a Timóteo: “Porque o fiz ignorantemente, na incredulidade” (I Tim. 1:13). Ele estava a cumprir cegamente a predição do Senhor em João 16:2:

     “ ... VEM MESMO A HORA EM QUE, QUALQUER QUE VOS MATAR CUIDARÁ FAZER UM SERVIÇO A DEUS.”

     Será que então o facto de ele ter sido sincero no ódio que nutria por Cristo desculpava-o dos seus homicídios e blasfémias? A alguns hoje em dia não lhes falta vontade para nos ensinar isso. Eles dizem que se fizermos o que cremos sinceramente estar certo, Deus certamente não terá motivo algum para se irar connosco. Assim “o que cremos” toma o lugar do que Deus tem dito e o homem, não sendo mais responsável por obedecer à vontade revelada de Deus, ergue-se auto-suficiente e auto-justo, ou dá-se à bebedeira, imoralidade e crime – em qualquer caso perdido e separado da vida de Deus. Nós estamos a ceifar os frutos desta filosofia ímpia que nos rodeia a todos hoje em dia.

     Mas o facto estranho é que alguns que aborrecem esta doutrina parecem fazer uma excepção no caso de Saulo de Tarso. Num esforço para provarem que ele não era o principal dos pecadores, eles salientam a sua sinceridade e fazem dele antes um homem bom, depois de tudo! E isto quando eles sabem que Deus repudia até as melhores obras dos que rejeitam Cristo!

     Nem o próprio Paulo, nem as Escrituras contêm um tal ponto de vista, pois a própria passagem que declara que Paulo fez essas coisas “ignorantemente em incredulidade”, a mesmíssima passagem, foi escrita para enfatizar o seu pecado e a excedente abundância da graça de Deus em salvá-lo (I Tim. 1:13-16).

     Certamente que o intenso fundo Hebreu de Paulo e a sua intensa absorção nas Escrituras do Velho Testamento não explicam – muito menos desculpam – a sua falha em reconhecer Cristo, ou o amargo ódio que nutria por Ele. Não deveria um Hebreu reconhecer o Messias? E era pelas Escrituras do Velho Testamento que ele podia e devia ter conhecido que Jesus era o Cristo (Ver João 5:39). Mas como os outros Fariseus, ele não desejava conhecê-Lo.

     Foi o pecado e somente o pecado que tornou Saulo inimigo de Cristo. A sua fúria cega não foi senão uma demonstração do engano e dureza do coração humano.

     Não, a ignorância e incredulidade de Saulo de modo algum diminuíram a sua culpa, ainda que o desespero de uma tal condição movesse o coração compassivo de Deus, tanto como nós nos poderíamos apiedar de alguém que, manifestando pura cegueira obstinada, se prejudicasse a si e a outros.

     Este grande facto é vital para uma compreensão clara do Evangelho da graça de Deus, pois foi ao salvar o principal dos pecadores que as riquezas da graça de Deus foram agora demonstradas.


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