Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XII - ACTOS 8:18-25
O PECADO ATROZ DE SIMÃO
“E Simão vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro.
“Dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo.
“Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para a perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro.
“Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é recto diante de Deus.
“Arrepende-te pois dessa tua iniquidade, e ora a Deus, para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração.
“Pois vejo que estás em fel de amargura, e em laço de iniquidade.
“Respondendo , porém, Simão disse: Orai vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes venha sobre mim.
“Tendo eles pois testificado e falado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém, e em muitas aldeias dos Samaritanos anunciaram o evangelho” - Actos 8:18-25.
Foi deste acto básico de Simão que derivou a palavra simonia. Ele procurou lidar com as coisas sagradas visando lucro monetário. Ele na realidade desejava comprar e vender o dom do Espírito Santo! O total desgosto de Pedro perante impiedade tão inexplicável é vista na sua réplica: “O teu dinheiro seja contigo para a perdição!”
Enquanto o reino era proclamado tinha sido já demonstrado repetidas vezes que os que criam de coração e eram baptizados eram salvos, mas também tinha já sido demonstrado que os que não criam de coração, quer fossem baptizados ou não, permaneciam perdidos (Ver Marcos 16:16). Embora intelectualmente convencido da verdade, este feiticeiro teve de ouvir Pedro dizer: “Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é recto diante de Deus”.
Percebendo que Simão se encontrava aprisionado pelo pecado e em fel de amargura Pedro chama-o agora ao arrependimento, mas até aqui o feiticeiro se revelou um réprobo, pedindo meramente a Pedro para que orasse por ele a fim de escapar ao juízo correspondente ao seu pecado. Que contraste entre este feiticeiro ímpio e David, o homem segundo o coração de Deus! Ao contrário de Simão, David ficou pesaroso primeiro de tudo com a desgraça que trouxera ao nome de Deus com o seu pecado. Rogando o perdão, o Salmista clamou:
“Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.
“Contra Ti, contra Ti, somente pequei, e fiz o que a Teus olhos parece mal, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares” (Sal. 51:3,4).
Não existe qualquer registo de que Pedro respondesse sequer ao pedido de Simão. O que reunimos da história é antes o total desprezo da parte dos apóstolos por algo tão baixo e ímpio.
SIMÃO MAGO E ISRAEL
Em Simão, o feiticeiro Samaritano, temos um outro tipo de Israel, pois enquanto Israel desprezava os Samaritanos como apóstatas e certamente nada tivesse senão desprezo por um feiticeiro Samaritano, a própria nação favorecida estava até então a apostatar e, embora chamada para que fosse profeta de Deus para as nações, estava-se a tornar num falso profeta. Mais:
1. Os líderes de Israel, como Simão Mago, foram intelectualmente convencidos de que Jesus era o Cristo (Ver João 8:28; Actos 2:22; 4:14,16; etc).
2. Os líderes de Israel, como Simão Mago, queriam ser considerados grandes. Estavam interessados em manter a sua influência e autoridade sobre o povo de Israel.
3. Como Simão Mago, procuravam fortalecer o seu domínio sobre o povo por meios ilegítimos, usando a opulência e o poder para intimidar as massas.
4. Não tinham parte nem porção nas ricas bênçãos prometidas a Israel.
5. Foram chamados ao arrependimento.
6. Não se arrependeram verdadeiramente, ainda que se tivessem arrependido no sentido em que Simão Mago se arrependeu.
7. Permaneceram em “fel de amargura, e em laço de iniquidade”.
A LIÇÃO PARA NÓS
Contudo existe aqui de novo uma lição importante para nós.
Se foi ímpio da parte de Simão Mago, um ímpio feiticeiro, procurar dispensar os poderes de Pentecostes com mira no lucro, não é infinitamente mais ímpio dispensar-se o Evangelho da graça de Deus com fim lucrativo? Contudo isto é feito por toda a parte. O Espírito Santo não falou em vão quando avisou para se não tratar das coisas de Deus com fim lucrativo (Tito 1:7,11, etc). Se é verdade que “o amor ao dinheiro” é a raiz que origina “toda a espécie de males” (I Tim. 6:10) então os que têm sido chamados para ministrarem as coisas de Deus devem-se acautelar para que este amor não ganhe raiz nos seus corações.
Como opera tão insidiosamente! Quando chamado ao ministério o jovem não tenciona ser infiel à sua comissão ou adulterar a mensagem que lhe foi conferida. Tudo acontece tão subtilmente. Ele ama os crentes. Ele quer que eles o amem e regozija-se em ver que eles o fazem. Quando pertence ao chamado “tempo integral” adquire o paladar do dinheiro e o gosto pelo melhor viver. Agora seria difícil desiludi-los ou feri-los. Entretanto recebe mais luz da Palavra de Deus. Porém eles recebê-la-ão? Bem, ele não necessita de pregar tudo o que ele conhece. Ele palpita que eles não se agradariam muito em saber o que ele crê. Então mantém um silêncio discreto para lhes agradar. No entanto preocupa-se quando se lembra que Paulo disse: “Se agradasse aos homens não seria servo de Cristo” (Gál. 1:10) e gradualmente cai numa forma de simonia tornando-se cada vez mais difícil tomar uma posição firme e aberta pela verdade. Agrada-lhe que as pessoas gostem dele ao cuidarem dele tão generosamente, e torna-se cada vez mais endurecido pelo seu pecado. Perde assim a sensibilidade que já uma vez possuíra para com a luz que Deus lhe dera da Sua preciosa Palavra. Na verdade, a luz que ele já teve, é-lhe gradualmente removida até se tornar, como no princípio, um opositor amigável e depois um inimigo acérrimo daqueles que proclamam fielmente o pleno conselho de Deus.
Sim, o pecado da Simonia é subtil na forma como opera e é mais geralmente aceite do que normalmente se julga, e não são apenas os que pregam os únicos que o praticam. Com tudo o que afirmámos não queremos dizer que os que são fiéis não devem ser amados pelos crentes ou generosamente ajudados nas suas necessidades por eles, mas que o amor ao dinheiro, à popularidade, ou ao poder é uma grande tentação à infidelidade. Daí as muitas exortações, especialmente nas epístolas chamadas “pastorais”, para se levar fielmente a cabo a comissão recebida sem se estar a pensar em recompensa financeira em troca.
“Mas os que querem ser ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.
“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
“Mas tu, ó homem de Deus foge destas coisas ... “ (I Tim. 6:9-11).
“Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado ... “(I Tim. 6:20).
“Portanto não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim que sou prisioneiro Seu; antes participa das aflições do Evangelho segundo o poder de Deus.
“Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Cristo Jesus.
“Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós” (II Tim. 1:8,13,14).
“QUE OS HOMENS NOS CONSIDEREM COMO MINISTROS DE CRISTO, E DISPENSEIROS DOS MISTÉRIOS DE DEUS.
“ALÉM DISSO REQUER-SE NOS DISPENSEIÉM DISSO REQUER-SE NOS DISPENSEIROS QUE CADA UM SE ACHE FIEL” (I Cor. 4:1,2).
“Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para a perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro.
“Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é recto diante de Deus.
“Arrepende-te pois dessa tua iniquidade, e ora a Deus, para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração.
“Pois vejo que estás em fel de amargura, e em laço de iniquidade.
“Respondendo , porém, Simão disse: Orai vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes venha sobre mim.
“Tendo eles pois testificado e falado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém, e em muitas aldeias dos Samaritanos anunciaram o evangelho” - Actos 8:18-25.
Foi deste acto básico de Simão que derivou a palavra simonia. Ele procurou lidar com as coisas sagradas visando lucro monetário. Ele na realidade desejava comprar e vender o dom do Espírito Santo! O total desgosto de Pedro perante impiedade tão inexplicável é vista na sua réplica: “O teu dinheiro seja contigo para a perdição!”
Enquanto o reino era proclamado tinha sido já demonstrado repetidas vezes que os que criam de coração e eram baptizados eram salvos, mas também tinha já sido demonstrado que os que não criam de coração, quer fossem baptizados ou não, permaneciam perdidos (Ver Marcos 16:16). Embora intelectualmente convencido da verdade, este feiticeiro teve de ouvir Pedro dizer: “Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é recto diante de Deus”.
Percebendo que Simão se encontrava aprisionado pelo pecado e em fel de amargura Pedro chama-o agora ao arrependimento, mas até aqui o feiticeiro se revelou um réprobo, pedindo meramente a Pedro para que orasse por ele a fim de escapar ao juízo correspondente ao seu pecado. Que contraste entre este feiticeiro ímpio e David, o homem segundo o coração de Deus! Ao contrário de Simão, David ficou pesaroso primeiro de tudo com a desgraça que trouxera ao nome de Deus com o seu pecado. Rogando o perdão, o Salmista clamou:
“Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.
“Contra Ti, contra Ti, somente pequei, e fiz o que a Teus olhos parece mal, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares” (Sal. 51:3,4).
Não existe qualquer registo de que Pedro respondesse sequer ao pedido de Simão. O que reunimos da história é antes o total desprezo da parte dos apóstolos por algo tão baixo e ímpio.
SIMÃO MAGO E ISRAEL
Em Simão, o feiticeiro Samaritano, temos um outro tipo de Israel, pois enquanto Israel desprezava os Samaritanos como apóstatas e certamente nada tivesse senão desprezo por um feiticeiro Samaritano, a própria nação favorecida estava até então a apostatar e, embora chamada para que fosse profeta de Deus para as nações, estava-se a tornar num falso profeta. Mais:
1. Os líderes de Israel, como Simão Mago, foram intelectualmente convencidos de que Jesus era o Cristo (Ver João 8:28; Actos 2:22; 4:14,16; etc).
2. Os líderes de Israel, como Simão Mago, queriam ser considerados grandes. Estavam interessados em manter a sua influência e autoridade sobre o povo de Israel.
3. Como Simão Mago, procuravam fortalecer o seu domínio sobre o povo por meios ilegítimos, usando a opulência e o poder para intimidar as massas.
4. Não tinham parte nem porção nas ricas bênçãos prometidas a Israel.
5. Foram chamados ao arrependimento.
6. Não se arrependeram verdadeiramente, ainda que se tivessem arrependido no sentido em que Simão Mago se arrependeu.
7. Permaneceram em “fel de amargura, e em laço de iniquidade”.
A LIÇÃO PARA NÓS
Contudo existe aqui de novo uma lição importante para nós.
Se foi ímpio da parte de Simão Mago, um ímpio feiticeiro, procurar dispensar os poderes de Pentecostes com mira no lucro, não é infinitamente mais ímpio dispensar-se o Evangelho da graça de Deus com fim lucrativo? Contudo isto é feito por toda a parte. O Espírito Santo não falou em vão quando avisou para se não tratar das coisas de Deus com fim lucrativo (Tito 1:7,11, etc). Se é verdade que “o amor ao dinheiro” é a raiz que origina “toda a espécie de males” (I Tim. 6:10) então os que têm sido chamados para ministrarem as coisas de Deus devem-se acautelar para que este amor não ganhe raiz nos seus corações.
Como opera tão insidiosamente! Quando chamado ao ministério o jovem não tenciona ser infiel à sua comissão ou adulterar a mensagem que lhe foi conferida. Tudo acontece tão subtilmente. Ele ama os crentes. Ele quer que eles o amem e regozija-se em ver que eles o fazem. Quando pertence ao chamado “tempo integral” adquire o paladar do dinheiro e o gosto pelo melhor viver. Agora seria difícil desiludi-los ou feri-los. Entretanto recebe mais luz da Palavra de Deus. Porém eles recebê-la-ão? Bem, ele não necessita de pregar tudo o que ele conhece. Ele palpita que eles não se agradariam muito em saber o que ele crê. Então mantém um silêncio discreto para lhes agradar. No entanto preocupa-se quando se lembra que Paulo disse: “Se agradasse aos homens não seria servo de Cristo” (Gál. 1:10) e gradualmente cai numa forma de simonia tornando-se cada vez mais difícil tomar uma posição firme e aberta pela verdade. Agrada-lhe que as pessoas gostem dele ao cuidarem dele tão generosamente, e torna-se cada vez mais endurecido pelo seu pecado. Perde assim a sensibilidade que já uma vez possuíra para com a luz que Deus lhe dera da Sua preciosa Palavra. Na verdade, a luz que ele já teve, é-lhe gradualmente removida até se tornar, como no princípio, um opositor amigável e depois um inimigo acérrimo daqueles que proclamam fielmente o pleno conselho de Deus.
Sim, o pecado da Simonia é subtil na forma como opera e é mais geralmente aceite do que normalmente se julga, e não são apenas os que pregam os únicos que o praticam. Com tudo o que afirmámos não queremos dizer que os que são fiéis não devem ser amados pelos crentes ou generosamente ajudados nas suas necessidades por eles, mas que o amor ao dinheiro, à popularidade, ou ao poder é uma grande tentação à infidelidade. Daí as muitas exortações, especialmente nas epístolas chamadas “pastorais”, para se levar fielmente a cabo a comissão recebida sem se estar a pensar em recompensa financeira em troca.
“Mas os que querem ser ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.
“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
“Mas tu, ó homem de Deus foge destas coisas ... “ (I Tim. 6:9-11).
“Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado ... “(I Tim. 6:20).
“Portanto não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim que sou prisioneiro Seu; antes participa das aflições do Evangelho segundo o poder de Deus.
“Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Cristo Jesus.
“Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós” (II Tim. 1:8,13,14).
“QUE OS HOMENS NOS CONSIDEREM COMO MINISTROS DE CRISTO, E DISPENSEIROS DOS MISTÉRIOS DE DEUS.
“ALÉM DISSO REQUER-SE NOS DISPENSEIÉM DISSO REQUER-SE NOS DISPENSEIROS QUE CADA UM SE ACHE FIEL” (I Cor. 4:1,2).



