Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XII - ACTOS 8:4-8
O TRIUNFO DA VERDADE
O MINISTÉRIO DOS DISCÍPULOS DISPERSOS
“Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a Palavra.
“E, descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo.
“E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia.
“Pois que os espíritos imundos saiam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados.
“E havia grande alegria naquela cidade.” - Actos 8:4-8.
No meio das sombras prolongadas deste “presente século mau” aqueles que se têm consagrado ao serviço de Deus fazem bem em meditar em passagens como esta. É um grande encorajamento, quando os dias maus chegam, e olhamos para trás para o triunfo da verdade noutros séculos e nos apercebemos que venha o que vier, nada nos roubará o “terreno” que nos foi conferido e se tem tornado para nós tão precioso: o bendito “mistério”, com as suas boas novas da graça de Deus (II Cor. 4:7; II Tim. 1:12-14).
Os homens podem perseguir os servos de Deus, podem lançá-los na prisão, podem confiscar-lhes os seus bens, mas não podem roubar-lhes a sua mensagem. Podem mesmo tirar-lhes a vida, mas ao fazê-lo só podem demonstrar uma vez mais que “o sangue dos mártires é a semente da igreja” e que a morte muitas vezes pode proclamar a verdade com voz mais altissonante que a vida e a santidade poderiam possivelmente ter feito.
E isto, em análise final, é tudo o que importa. A única razão porque Deus nos deixou aqui – a única boa razão para se querer estar aqui – é glorificar Deus pela proclamação da bendita mensagem da graça às multidões à nossa volta. Todas as outras razões para se viver – ou morrer – revolvem-se à volta desta razão.
Graças a Deus que a proclamação da verdade não sofre de oposição. Apenas sofre de indiferença ou perversão. No caso descrito na passagem acima, a perseguição foi usada por Deus para promover a verdade, pois “os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a Palavra”.
“PORQUE NADA PODEMOS CONTRA A VERDADE, SENÃO PELA VERDADE” (II Cor. 13:8).
Em toda a parte à nossa volta, hoje, há santos remidos pelo sangue que revelam ingratidão para com Deus e falta de compaixão para com os homens, ao não se oferecerem a si e ao que possuem, Àquele que morreu para nos salvar da perdição eterna. Mas deixemos que as autoridades os proíbam de adorarem a Deus; deixemos que se oponham e persigam aos que pregam Cristo, e haverá um grande despertamento como estes incrédulos começam a constatar, descobrindo pela primeira vez quão precioso o tesouro da verdade é – quão digno de se afadigar, sofrer e sacrificar por ele!
PREGANDO A PALAVRA
Contudo deve ser aqui salientado que “a Palavra” que estes discípulos dispersos não era exactamente a mesma “a Palavra” que II Tim. 4:2 nos instrui a pregarmos hoje. Os discípulos proclamavam os direitos reais de Cristo e chamavam Israel ao arrependimento e apelavam para que O recebessem como seu Rei. Mas uma vez que Israel persistiu na Sua rejeição obstinada de Cristo. Deus pô-los de parte como nação e entregou-nos a nós “a Palavra da reconciliação” (II Cor. 5:19). Tanto no caso dos discípulos como nosso, decerto que a Palavra aludida é a Palavra de Deus mas no caso deles era a Palavra de Deus para aquela época, enquanto no nosso caso é a Palavra de Deus para esta época – e há diferença.



