Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO X- ACTOS 6:8-10

A HORA DA CRISE DE ISRAEL

ESTEVÃO EM DEBATE


     “E Estevão, cheio de fé e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.

     “E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos libertinos, e dos cireneus e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilicia e da Ásia e disputavam com Estevão.

     “E não podiam resistir à sabedoria, e ao espírito com que falava.” - Actos 6:8-10.

     O primeiro nome na lista dos sete diáconos é, como vimos, o de Estevão, e é para ele que a narrativa sagrada chama a nossa atenção agora.

     Embora primariamente designado para assistir ao “ministério quotidiano” este homem de Deus, “cheio de fé (“graça” – V. R. A.) e poder” estavam agora a ser chamado a um serviço mais elevado.

     Em Jerusalém havia sinagogas fundadas por Judeus estrangeiros para seu próprio uso durante o tempo que visitavam a cidade santa nos dias de festa, e também para uso dos seus filhos, que eram enviados para ali para serem educados como, por exemplo, Saulo de Tarso tinha sido (Ver Actos 22:3). Na maior parte dos casos às sinagogas estavam ligadas escolas e colégios, de tal modo que a maioria dos membros das sinagogas parece terem sido estudantes.

     Estevão, sem dúvida um Helenista, entrou naturalmente em contacto com os membros destas sinagogas. Entre eles estavam os Libertinos,1 os Cireneus, os Cilicianos e os Asiáticos.

     Como Estevão operava grandes maravilhas e sinais entre o povo os membros dessas sinagogas “disputavam” com ele. A palavra disputavam, aqui, é traduzida na maioria das vezes por questionavam. Assim, qualquer que fosse a disputa, foi originada com eles. A versão de Weymouth diz que eles “ergueram-se vindo ao encontro de Estevão para debate”.

     Isto era bastante natural uma vez que, como vimos, este grupo era provavelmente constituído por jovens estudantes – e os estudantes Judaicos então, de certo que não eram diferentes de alguns estudantes Americanos e Europeus agora. Empenhados como estavam nos seus estudos sob os líderes espirituais de Israel, sem dúvida que se sentiam bem qualificados para disputarem com Estevão, e começarem a bombardeá-lo com questões.

     É possível que Saulo de Tarso estivesse entre eles, pois Actos 21:39 revela-nos que Tarso era “uma cidade na Cilicia” e nós sabemos que Saulo estava agora em Jerusalém, onde tinha estado a estudar aos pés de Gamaliel (Actos 22:3). Uma vez que Saulo estava no apedrejamento de Estevão (Actos 7:58) e consentiu “na sua morte” (Actos 8:1); na verdade, uma vez que Saulo se tornou o principal perseguidor da Igreja Pentecostal muito pouco tempo após este acontecimento, parece bastante provável que ele fosse um do grupo que procurava vencer Estevão em debate.

     Em todo o caso, Estevão provou ser superior.

     “E não podiam resistir à sabedoria, e ao espírito com que falava” (Actos 6:10).


1  Este nome não implica tendências liberais, mesmo teologicamente. Eles eram “emancipados” ou “homens livres” – evidentemente da escravidão a que estiveram sujeitos como escravos Romanos.

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