Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO IX- ACTOS 6:1-7 (Cont.)
SETE DIÁCONOS DESIGNADOS
Tomando providências imediatas para que todos fossem completamente abastecidos, os apóstolos reuniram a multidão e salientaram como as suas crescentes responsabilidades naquelas tarefas lhes estavam a suprimir o ministério para que tinham sido chamados. “Não é certo”, eles argumentaram, “que deixemos a Palavra de Deus e sirvamos ás mesas”. 1
A sugestão deles era que a multidão escolhesse sete homens honestos, cheios do Espírito, capazes (6:3) que fossem designados para esta tarefa, de modo a que os apóstolos pudessem entregar-se sem reservas à oração e ao ministério da Palavra. 2
E aqui temos uma clara demonstração do amor sincero que prevalecia entre os crentes e tornava o comunismo divino possível.
Seria de prever que para este corpo de sete, tivesse sido escolhida uma maioria de Hebreus. Certamente que os poucos Gregos não poderiam esperar ser, de forma justa, representantes de uma maioria. Ou como um gesto generoso para com os Gregos, seria de esperar, quanto muito, que este corpo fosse constituído por três Hebreus, três Gregos e um neutro.
Decerto que os Gregos aceitariam um tal arranjo como mais do que justa. Contudo é bastante evidente – e bastante elucidativo do estado espiritual da multidão – que eles tenham escolhido todos Gregos, pois todos os sete nomes são Gregos, não havendo sequer um único Hebreu! Um deles, Nicolau de Antioquia, até era prosélito!
Oh como estes crentes controlados pelo Espírito se amavam e confiavam mutuamente! A Igreja Hebraica colocara a sua bolsa e o seu próprio bem-estar material totalmente nas mãos dos Gregos que estavam entre eles!
Que antegosto da bênção milenar! Oh que mudança este mundo ímpio, egoísta, voraz, suspeito e cínico verá quando o programa de Pentecostes for totalmente introduzido nos dias vindouros! Que dores de cabeça e de coração serão evitados e que complicações superadas e vencidas! E agora estes diáconos (servos da assembleia) são investidos com a oração e a imposição das mãos dos apóstolos.
Será bom lembrar aqui que a imposição das mãos não implica necessariamente a comunicação de qualquer dom espiritual. O seu significado primário ao longo das Escrituras não só do Velho como do Novo Testamento, é identificação. Os apóstolos aqui dão a estes homens o seu apoio – endossam-nos, por assim dizer, - pela imposição das mãos.
O CRESCIMENTO FENOMENAL DA IGREJA PENTECOSTAL
O resultado do novo arranjo:
“E crescia a Palavra de Deus, E EM JERUSALÉM SE MULTIPLICAVA MUITO O NÚMERO DOS DISCÍPULOS, E GRANDE PARTE DOS SACERDOTES OBEDECIA À FÉ” (Ver. 7).
Quem pode ler esta passagem com uma mente imparcial e dizer que ela regista o desmoronamento do programa Pentecostal? Esse programa desmoronou-se mais tarde e foi substituído por um outro, mas quanto à assembleia Hebraica morrer durante o período dos Actos, passemos um olhar de relance pelo registo:
Actos 2:41: Quase 3000 acrescentados ao grupo original.
Actos 2:47: Crentes acrescentados diariamente.
Actos 4:4: O número cresceu para cerca de 5000 homens.
Actos 5:14: Mais acrescentados; multidões tanto de homens como de mulheres.
Actos 6:1: O número é multiplicado.
Actos 6:7: O número é grandemente multiplicado e um grande grupo de sacerdotes obedeceu à fé.
Assim, apesar dos apóstolos serem ameaçados e aprisionados e espancados pelos líderes, a causa por que eles lutam continua a crescer firmemente.
Mesmo a perseguição feroz conduzida por Saulo, após o apedrejamento de Estevão, apesar de ter dispersado de Jerusalém temporariamente esta multidão (Actos 8:1) de modo algum diminuiu o seu quantitativo, pois “os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a Palavra” (Actos 8:4). Entretanto Deus salvou Saulo, o líder incendiário da perseguição que, mal compreendido e suspeitado em todo o lado, foi enviado à sua terra, a Tarso (Actos 9:30).
E agora vejamos o resultado:
“Assim, pois, as igrejas em toda a Judeia, e Galileia e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se MULTIPLICAVAM, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo” (Actos 9:31).
Toda a inimizade e perseguição dos líderes provara-se infrutífera. Os inimigos de Cristo tinham sido derrotados. Deus enfraquecera a oposição ao salvar Saulo! Daqui em diante o sumo-sacerdote e os líderes são colocados em amarga penumbra, permanecendo praticamente ocultos até ao término dos Actos, onde os encontramos a saltarem como uma víbora do fogo para atacarem Paulo, mas como o símbolo em Actos 28:3-5, esta “geração de víboras” foi sacudida e lançada no fogo, enquanto Paulo e o que ele defendia permaneceram incólumes.
Entretanto em Actos 15 vemos a multidão regressar a Jerusalém para o grande concílio que se iria realizar ali, o que é aparentemente bem sucedida sem oposição dos líderes. E antes do término do livro dos Actos vemos os anciãos dizerem a Paulo:
“ ... BEM VÊS IRMÃO, QUANTOS MILHARES DE JUDEUS HÁ QUE CRÊEM, E TODOS SÃO ZELADORES DA LEI” (Actos 21:20).
Certamente que isto não significa que quer a maioria em Israel, quer os líderes em Israel se tinha volvido para Cristo. Como nação Israel permanecia ainda rebelde, impeninente.
Nós salientamos tudo isto aqui porque reveste-se de demasiada importância a compreensão de que a presente dispensação do mistério não foi introduzido, nem o reino suspenso, devido ás falhas dos crentes Judaicos (quaisquer que tenham sido as suas falhas) mas devido à graça de Deus para com os seus inimigos.
O grupo de crentes Judaicos descrito na passagem acima citada formava o núcleo, o fulcro do reino vindouro.3 Deus não abandonou os doze apóstolos ou a Igreja Hebraica. Ele abandonou o Israel incrédulo, e isso somente para que “pudesse ter misericórdia de TODOS” (Rom. 11:32). Assim, humanamente falando, a nação de Israel foi posta de parte por causa da sua persistente rejeição de Cristo. Contudo, do lado divino a nação foi posta de parte para demonstrar a falha do homem e a infinita graça de Deus. Deus tinha feito uma diferença entre Judeus e Gentios para mostrar que essencialmente “não há diferença” e para que aqueles que supunham que Deus era um “respeitador de pessoas” ao dar à nação de Israel vantagens tão grandes sobre os Gentios durante cerca de 1500 anos, observassem que Deus a colocou de parte e permitiu que ela permanecesse fora do Seu favor por cerca de pelo menos 2000 anos.
E assim testemunhamos no princípio dos Actos o cumprimento de Lucas 2:34 a respeito da “queda e elevação de muitos em Israel”.
Nos primeiros capítulos de Actos o reino é tomado dos líderes (Mat. 21:43) e dado ao “pequeno rebanho” (Lucas 12:32). Os líderes falham enquanto os desprezados seguidores do Messias se erguem para tomar os seus lugares.
1 Esta passagem tem sido completamente mal interpretada. Nada tem a ver com ceias de igreja, por muito que estas possam provar ser uma maldição. Os apóstolos referiam-se à necessária distribuição de alimentos. Eles não negligenciariam até mesmo a sua chamada de alimentar viúvas famintas!
2 A “Palavra” que eles ministravam era certamente o Velho Testamento. Nada do Novo Testamento tinha sido ainda escrito, muito menos uma palavra sequer da revelação Paulina a respeito do Corpo de Cristo. Esta é uma outra indicação de que o programa Judaico do reino ainda estava em vigor.
3 Com o levantamento de Paulo, contudo, todos os que ainda estavam vivos participaram de uma esperança adicional como membros do corpo (II Cor.5:16,17; I Cor. 12:13) – uma posição dual, a deles.



