Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO VII - ACTOS 4:24-31
A ORAÇÃO POR OUSADIA
“E, ouvindo eles isto, unânimes levantaram a voz a Deus, e disseram: Senhor, tu és o que fizestes o céu e a terra, e o mar, e tudo o que nele há;
“Que disseste pela boca de David, teu servo: Por que bramam as gentes e os povos pensaram coisas vãs?
“Levantaram-se os reis da terra, e os príncipes se ajuntaram, a uma, contra o Senhor e contra o seu Ungido.
“Porque, verdadeiramente, contra o teu santo Filho, Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel;
“Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.
“Agora, pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem, com toda a ousadia, a tua palavra,
“Enquanto estendes a tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do teu santo Filho Jesus.” - Actos 4.24-30.
Notemos bem o tema desta oração maravilhosa.
Será que dizem: “Oh, Deus, não permitas que alguma dessas coisas terríveis com que eles nos ameaçam sobrevenham sobre nós?” Será que dizem: “Oh Senhor, sê misericordioso e livra-nos desta perseguição?”
Não. A oração deles é feita com outro recheio. Nem mesmo parece ocorrer-lhes pensarem sequer na sua própria segurança. Os ímpios líderes religiosos de Israel usam de ameaças e intimidações para privarem a sua nação da bênção há muito prometida, que fora agora oferecida, e os apóstolos, ainda que humildes na sua condição social de vida, reconhecem a chamada à coragem e oram somente para que lhes fosse dada ousadia para enfrentarem a situação sem titubearem.
Mas há aqui para nós uma lição tanto dispensacional quanto moral, pois estes crentes pediram para que Deus lhes conferisse ousadia estendendo a Sua mão para operar milagres. Por outras palavras, era como Deus sustentasse testemunho com demonstrações miraculosas para que eles fossem animados e encorajados a proclamarem a Sua palavra face à oposição e à perseguição.
Comparemos isto com o caso de Paulo, o prisioneiro de Cristo, que orou por ousadia para tornar conhecido o mistério, totalmente aparte de qualquer sinal do Céu que o encorajasse (Ef.6:18-20).
Contudo, na primeira parte dos Actos temos a ver com a profecia, não com o mistério, e uma vez que segundo a profecia, esses sinais deveriam introduzir o reino de Cristo, a oração deste grupo em Jerusalém estava perfeitamente correcta.
A RESPOSTA DO PAI
“E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus.” - Actos 4:31.
Assim os apóstolos enfrentam a crise com fé e coragem, e Deus não falha em dar-lhes a ajuda e o encorajamento necessários.
Não obstante, a atitude dos líderes permanece inalterada e a nação de Israel não se encontra mais próxima da bênção milenar.
A nação favorecida principiara já a responder à grande questão em litígio. Ela não se arrependeria nem aceitaria o seu Messias. O reino não seria ainda restaurado a Israel.
Contudo isto não significa que o testemunho dos apóstolos a Israel termine imediatamente e que agora irão aos Gentios. Como é que, de acordo com todos os concertos e a profecia do Velho Testamento, os Gentios poderiam ser salvos aparte da nação de Israel? E assim Deus demora-se em misericórdia em relação ao Seu Povo rebelde ao vermos os apóstolos continuarem a proclamar ousadamente o Cristo ressuscitado como a única esperança para Israel.
Mas quão sombrio se apresenta o horizonte; vindo-se a tornar ainda mais negro. Contudo, não nos devemos antecipar aqui, senão agradecer a Deus pela gloriosa verdade de que,
“ONDE O PECADO ABUNDOU SUPERABUNDOU A GRAÇA” (Rom. 5:20).
Foi quando toda a esperança parecia se ter esvaído que Deus revelou a Sua graça surpreendente: o mistério guardado secreto desde a fundação do mundo. Assim, salvando o líder dos pecadores, enviou-o com “o evangelho da graça de Deus”.
Israel, como as nações, tem agora sido alienada de Deus, mas individualmente Judeus e Gentios estão a ser gloriosamente reconciliados com Deus num corpo pela cruz – a mesma cruz que tão profundamente os culpou.
Assim enquanto essa morte o meu pecado ostenta
Em toda a sua mais negra tonalidade,
Tal é o mistério que a graça apresenta
Ela também sela o meu perdão em verdade.
Estranho quanto posso parecer, necessitamos de ousadia para proclamarmos esta mensagem gloriosa. Na verdade, Satanás odeia o Evangelho da graça de Deus, mais do que qualquer mensagem que já foi proclamada. Isto torna-se evidente nos sofrimentos que o apóstolo Paulo padeceu. Porém enquanto Deus ainda trata os homens em graça, proclamemos a alegre mensagem com toda a ousadia e digamos com Paulo:
“Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte” (Fil. 1:20).



