Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO VII - ACTOS 4:1-4

CAPÍTULO VII – ACTOS 4:1-31
A RESPOSTA DE ISRAEL À OFERTA DO ESPÍRITO SANTO
A QUESTÃO DO PRINCÍPIO DOS ACTOS
 

     No capítulo 4 do Livro dos Actos começamos a encontrar a resposta à questão dos apóstolos “Senhor, restaurarás Tu, neste tempo, o reino a Israel?” (Actos 1:6).

     Como observámos, o Senhor não disse aos Seus apóstolos se o reino seria ou não restaurado nesse tempo porque, humanamente falando, isso dependia da resposta a uma outra questão: Israel aceitaria agora Cristo?

     Nos registos do ministério terreno do Senhor é declarado repetidas vezes que muitos dos Judeus criam em Cristo. No Livro dos Actos passa-se o mesmo. O capítulo correspondente a Pentecostes regista a conversão de quase três mil almas a Cristo, enquanto o capítulo 4 principia com o número elevado para cinco mil.

     Porém isto de modo algum implica na conversão de Israel, como nação, nesse tempo, nem essas conversões individuais garantiam a restauração do reino Davídico, pois esses milhares de seguidores do Messias em Israel ainda constituíam apenas uma pequena minoria na nação e não representavam o governo de Israel.

     A questão primária no princípio dos Actos, então, é: O que é que a nação de Israel, o seu governo, os seus governantes, farão de Cristo? A esta questão (e assim à questão dos apóstolos) começamos agora a encontrar a resposta.

     Ao principiarmos a leitura do capítulo 4 vemos que Pedro já terminou a explicação à multidão maravilhada no templo, de que não foi por qualquer poder pessoal ou piedade em João ou nele próprio que o coxo foi curado, mas pelo poder de Cristo ressuscitado e exaltado. Cheio do Espírito, chamou os “varões Judeus” ao arrependimento, para que Cristo pudesse voltar, e com Ele os há muito prometidos “tempos de refrigério”.


OS APÓSTOLOS PRESOS

     “E, estando eles falando ao povo, sobrevieram os sacerdotes, e o capitão do templo, e os seus saduceus,

     “Doendo-se muito que ensinassem o povo, e anunciassem em Jesus a ressurreição dos mortos.

     “E lançaram mão deles, e os encerraram na prisão até ao dia seguinte, pois já era tarde.  

     “Muitos, porém, dos que ouviram a palavra, creram, e chegou o número desses homens a quase cinco mil.” - Actos 4:1-4.

     A referência aqui aos Saduceus é significante. Primeiro de tudo, eles eram a seita mais poderosa no Sinédrio. Em Actos 5:17 aprendemos que “o sumo sacerdote ... e todos ... com ele” eram da “seita dos Saduceus”, e uma comparação desta passagem com Actos 4:1 e 5:24 indicará que o sacerdócio como corpo pertencia a este grupo.

     Eles estavam tão fortemente enraizados no Sinédrio que o Sumo Sacerdote, Caifás, um saduceu, ousou ridicularizar abertamente os Fariseus no concílio para timidez destes ao tratarem de Cristo (João 11:47-50).

     Foi então o partido mais forte no governo de Israel, que conduziu a oposição a Cristo antes da Sua morte e ressurreição. Os Saduceus tomavam agora a liderança. A razão é clara quando tomamos em conta as crenças dessas duas seitas.

     De Mateus 22:23 aprendemos que “Os Saduceus ...  dizem que não há ressurreição”, enquanto em Actos 23:8 encontramos o seu ensino quanto a isto contrastado com o dos Fariseus:

     “PORQUE OS SADUCEUS DIZEM QUE NÃO HÁ RESSURREIÇÃO, NEM ANJO, NEM ESPÍRITO; MAS OS FARISEUS RECONHECEM UMA E OUTRA COISA”.

     Por conseguinte, os múltiplos testemunhos da ressurreição de Cristo embaraçavam necessariamente mais os Saduceus do que os Fariseus. Os Fariseus criam pelo menos na ressurreição do corpo. Com os Saduceus era diferente. Eles tinham-se sempre oposto à doutrina da ressurreição. Pobres apóstatas! Eles não viam que a ressurreição (particularmente a ressurreição de Cristo) era a grande esperança de Israel (Actos 23:6; 24:14,15; 26:6-8; 28:20).

     Não é de admirar que eles se ofendessem quando os apóstolos pregavam “por meio de Cristo” (Gre. “em Cristo”) a ressurreição dos mortos, tomando especialmente como evidência de que a obra miraculosa de Cristo estava verdadeiramente viva, um coxo restaurado que agora andava naturalmente.

     Agora, em face do que estava a acontecer eles sentem que devem lutar pela sua própria subsistência, pois não é somente todo o seu sistema Saduceu que está em perigo de ser subvertido e derrubado, mas eles próprios, pois estão a ser convencidos do homicídio do Messias. Eles pensam que é bastante mau que os apóstolos se oponham aos seus ensinos respeitantes à ressurreição, mas a dádiva de evidências da ressurreição de Cristo como prova da mesma é infinitamente pior.

     Agora mais do que nunca eles devem consolidar o seu ensino de que a ressurreição é impossível. Eles não ousam admitir que o Jesus que eles crucificaram possa estar vivo. Que pensamento terrível! Eles devem usar todo o peso da sua influência e ensino religiosos, como Saduceus, para ser provado que “o enganador” está morto.

     As crenças doutrinais dos Saduceus e a sua negação determinada da ressurreição, decerto que de modo algum minorava a sua culpa, pois por algum tempo foram confrontados com factos tão convincentes que a sua negação obstinada só poderia ser intencional. Fechando os olhos às evidências tão clarividentes eles puseram-se “contra o Senhor, e contra o Seu Ungido”.

     Se eles não tivessem ficado tão perturbados com as portentosas obras de Cristo reunir-se-iam em concílio com os Fariseus, dizendo: “Que faremos? Porquanto este Homem faz muitos sinais?” (João 11:47).

     Eles não estavam cientes que ele tinha predito a Sua ressurreição? Não se precaveram perante essa eventualidade? Eles não apelaram a Pilatos, 

     “Dizendo: Senhor lembramo-nos de que aquele enganador, vivendo ainda, disse: Depois de três dias ressuscitarei.

     “Manda, pois, que o sepulcro seja guardado, com segurança, até ao terceiro dia, não se dê o caso que os seus discípulos vão de noite e O furtem, e digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e, assim, o último erro será pior do que o primeiro”. (Mat. 27:63,64).

     E não viram eles a fertilidade dessas precauções? Será que não ouviram o testemunho dos assustados guardas Romanos ao voltarem do túmulo? Não lhes pagaram eles “muito dinheiro” para os induzir a modificarem o seu testemunho? (Mat. 28: 11-14).

     Ora com tantas testemunhas da ressurreição de Cristo a testificarem ousadamente, com evidências indiscutíveis do facto, é patético ver agora estes Saduceus, mais determinados do que nunca, a frustrar a verdade por meio da opressão e da perseguição.

     Com tudo isto em vista, o desagrado dos Saduceus pelo ensino dos apóstolos toma um novo aspecto. Aparece inteiramente desprovido de qualquer virtude possível; pelo menos o da sinceridade.

     Deitando as mãos aos apóstolos, os líderes tinham-nos agora sob custódia por causa do julgamento no dia seguinte, quando o Sinédrio se reunisse. Entretanto o número de crentes cresce, pois apesar dos inimigos da verdade poderem perseguir o pregador, não podem impedir que as pessoas creiam nele.

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