Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO VI - ACTOS 3:22-26

O ASSUNTO CLARIFICADO

     “Porque Moisés disse: O Senhor, vosso Deus, levantará, de entre os vossos irmãos, um profeta, semelhante a mim; a ele ouvireis, em tudo quanto vos disser.

     “E ACONTECERÁ QUE TODA A ALMA QUE NÃO ESCUTAR ESSE PROFETA SERÁ EXTERMINADA DE ENTRE O POVO.” - Actos 3:22,23.

     Ao Pedro oferecer o retorno do seu Messias rejeitado a Israel ele clarifica o assunto ao máximo. Ou arrependimento ou morte! Ele cita essas palavras de Moisés (Deut. 18:15-19) para vincar o facto de que os seus ouvintes só podem esperar perdão e bênção se reconhecerem a autoridade do Cristo que rejeitaram. Não se trata dum assunto optativo ou facultativo. “Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas” (Heb.10:28) e Moisés não era senão um tipo d’Aquele cuja palavra era final e autoritária em si. Por isso Moisés declarou enfaticamente que a rebelião contra o Messias não seria tolerada; que a recusa em ouvi-LO significaria destruição total.

     Sem dúvida que é esta profecia de Moisés que forma o pano de fundo do repetido clamor do Senhor: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça!” e do mandamento do Pai: “Ouvi-O”, e da observação da mulher Samaritana: “Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando Ele vier nos anunciará tudo” (Mat. 11:15; 17:5; João 4:25).


O APELO FINAL

     “E todos os profetas, desde Samuel, todos quantos depois falaram, também anunciaram estes dias.

     “Vós sois os filhos dos profetas e do concerto que Deus fez com os nossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.

     “Ressuscitando Deus a Seu Filho Jesus, primeiro O enviou a vós para que nisso vos abençoasse, e vos desviasse, a cada um, das vossas maldades.” - Actos 3:24-26.

     À noção errónea de que Pentecostes era “a data de nascimento da Igreja”, tem-se-lhe seguido naturalmente uma maior cegueira; nomeadamente, que por “estes dias” Pedro queria dizer os dias da presente dispensação, os dias em que nós agora vivemos. Assim os profetas do Velho Testamento são supostos terem predito o que hoje está a acontecer. Porém a dispensação da graça, a bênção dos gentios por meio da queda da nação de Israel, a formação do Corpo de Cristo com a sua posição nos celestiais – tudo isto – não era tema da profecia, mas do “mistério” que tinha estado “escondido em todos os séculos e gerações”, até que Israel selou a rejeição do Rei e do Seu reino e Deus o revelou por meio de Paulo, o principal dos pecadores salvo pela graça (Col. 1:24-27).

     Os profetas não podiam ter profetizado nada acerca do Seu propósito escondido, nem aqui Pedro o podia conhecer, em Pentecostes, senão como é que ele podia apelar tão apaixonadamente à nação de Israel para que esta aceitasse Cristo como Rei? Na verdade, o Senhor, precisamente antes da Sua ascensão recusou dizer aos Seus apóstolos se o reino seria restaurado a Israel “neste tempo” mantendo ainda secreto o propósito de Deus para esta época. Por isso os apóstolos puderam apresentar a Israel uma oferta “bónus” do reino e um sincero clamor para que a aceitassem não deixando a Israel nenhuma base para lamúrias quando se tornasse necessário Deus pôr a nação de parte. Assim, na passagem que estamos a considerar, Pedro não diz nada acerca da dispensação da graça ou do Corpo de Cristo mas pelo contrário, acerca de promessas baseadas no concerto e acerca da bênção de “todas as famílias da terra “ através da nação de Israel

     Não somente Moisés, mas Samuel, e a longa linha de profetas que se lhe seguiram predisseram semelhantemente aqueles dias, e Israel ficou ali, mesmo no limiar da bênção há muito esperada. Quão diferente tudo isto é da mensagem que nós hoje pregamos! Pedro não diz aos seus ouvintes que “não há diferença entre Judeu e o Grego” ou que “Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia”. Pelo contrário ele diz-lhes que eles são primeiros no programa de Deus, chamando-os ao arrependimento para que as nações pudessem encontrar salvação por seu intermédio. Ele não conhece nenhuma outra esperança para o mundo.

     O Próprio Senhor, quando ainda na terra, também operava em estrita harmonia com este programa. Quando uma mulher Gentia apelou por Ele para que a ajudasse, disse: 

     “DEIXA PRIMEIRO SACIAR OS FILHOS; PORQUE NÃO CONVÉM TOMAR O PÃO DOS FILHOS E LANÇÁ-LO AOS CACHORRINHOS” (Marcos 7:27).

     Na Sua primeira grande comissão aos doze apóstolos disse:

     “NÃO IREIS PELO CAMINHO DAS GENTES, NEM ENTRAREIS EM CIDADE DE SAMARITANOS; MAS IDE, ANTES, ÀS OVELHAS PERDIDAS DA CASA DE ISRAEL” (Mat. 10:5,6).

     Isto não indicava falta de amor para com os Gentios, mas precisamente o contrário. Ele sabia que de acordo com a profecia e os concertos os Gentios seriam salvos por meio de Israel. Daí a urgente chamada de Israel ao arrependimento.

     Nós não encontramos qualquer interrupção ou desvio deste programa antes de chegarmos ao levantamento de Paulo, e ele próprio reconhece que era esse o programa divino. Em Actos 13:46 encontramo-lo a dizer aos Judeus rebeldes em Antioquia da Pisídia:

     “ERA NECESSÁRIO QUE A VÓS SE VOS PREGASSE PRIMEIRO A PALAVRA DE DEUS; mas, visto que a rejeitais, e vos não julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os Gentios.”

     Era precisamente isto que o apóstolo tinha em mente quando escreveu anos mais tarde:

     “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; PRIMEIRO DO JUDEU, E TAMBÉM DO GREGO” (Rom. 1:16).

     Muito missionários sinceros que procuram evangelizar Judeus têm enfatizado a cláusula errada neste versículo, usando-a como argumento para dar aos Judeus prioridade na proclamação do Evangelho nesta dispensação da graça. Este facto revela uma grande incompreensão da passagem, pois é muito claro que Rom. 1:13-16 é a defesa de Paulo para ir aos Gentios, não aos Judeus:

     “...para também ter entre vós algum fruto, como TAMBÉM entre os demais GENTIOS.

     “EU SOU DEVEDOR, TANTO A GREGOS COMO A BÁRBAROS; TANTO A SÁBIOS COMO A IGNORANTES.

     “E ASSIM, QUANTO ESTÁ EM MIM, ESTOU PRONTO PARA TAMBÉM VOS ANUNCIAR O EVANGELHO, A VÓS QUE ESTAIS EM ROMA.

     “PORQUE...”

     Assim o contexto de Rom. 1:16 prova que Paulo não significa que os Judeus ainda continuam a ter prioridade sobre os Gentios (doutro modo Rom. 10:12,13 contradiria 1:16) mas que até então tinha sido essa ordem. De facto, na mesma altura que Paulo escreveu aquilo, Deus estava já a processar a rejeição de Israel (Ver Rom. 11:7-33).

     Isto derrama luz sobre a razão do apóstolo dizer que “não se envergonha” das boas novas de Cristo. Ele não diz isto meramente como alguns jovens crentes o poderiam dizer. A sua tónica é que mesmo apesar de Israel ter rejeitado as boas novas de Cristo, ele de modo algum se envergonharia disso, pois na realidade, ele agora tinha uma revelação muita mais plena.

     Mas aqui, precisamente após o Pentecostes, Pedro ainda pregou essa boa nova baseada nas promessas baseadas no concerto e nos escritos dos profetas, dizendo aos “varões de Israel” : “Vós sois os filhos dos profetas e do concerto ... primeiro ... a vós ...”


O DESTINO DE ISRAEL NA BALANÇA

     A questão agora era, Como é que Israel reagiria? Humanamente falando, o resultado jazia na balança. O Senhor ressuscitado tinha-Se negado dizer aos Seus apóstolos se o reino seria ou não restaurado neste tempo porque Deus estava para fazer uma proposta a Israel (3:19-21) e estava na disposição de colocar na nação a responsabilidade de aceitar ou rejeitar Cristo. Assim Pedro renova a chamada ao arrependimento, dizendo ao povo favorecido:

     “Ressuscitando Deus a Seu Filho Jesus, primeiro O enviou a vós, PARA QUE NISSO VOS ABENÇOASSE, E VOS DESVIASSE, A CADA UM, DAS VOSSAS MALDADES” (Ver 26).

     Ah, mas eis aqui a dificuldade. A nação de Israel queria ser libertada de Roma mas não do pecado. Já era este o objectivo mesmo antes que João Baptista tivesse principiado a chamar o povo ao arrependimento. O anjo não tinha dito a José:

     “E dará à luz um filho, e chamarás o seu nome Jesus: PORQUE ELE SALVARÁ O SEU POVO DOS SEUS PECADOS” (Mat. 1:21)?

     Só depois de Israel ter aprendido esta lição é que a bênção prometida será conferida. Depois de explicar o segredo da presente bênção Gentílica aparte da instrumentalidade de Israel, o apóstolo continua a dizer:

     “E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e DESVIARÁ DE JACOB AS IMPIEDADES.” (Rom.11:26).

     Oh, até que esse dia se cumpra o antigo povo “ignorando a justiça de Deus” continuará a “estabelecer a sua própria justiça”. Deus apresse o dia quando as escamas hão-de cair dos seus olhos e eles se hão-de ver como são, quando eles se volverem em verdadeiro arrependimento para o seu Messias!

     Entretanto curvemo-nos todos em humildade e gratidão diante de Deus porque como reflectimos, das trevas e da ira Ele trouxe à luz as riquezas da Sua graça; porque Ele rejeitou a nação favorecida (juntamente com as outras nações) somente para que pudesse ter misericórdia de todos, e pudesse oferecer individualmente por toda a parte, reconciliação pela graça, por meio da fé, na obra consumada de Cristo.

Sermões e Estudos

Fernando Quental 19ABR26
O perigo de nos tornarmos religiosos

Tema abordado por Fernando Quental em 19 de abril de 2026

Carlos Oliveira 17ABR26
A tua chávena

Tema abordado por Carlos Oliveira em 17 de abril de 2026

Dário Botas 12ABR26
A tua morte é um dever!

Tema abordado por Dário Botas em 12 de abril de 2026

Estudo Bíblico
1 Timóteo 3:2

Estudo realizado em 15 de abril de 2026

ver mais
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • Rede Móvel
    966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • HORÁRIO
    Clique aqui para ver horário