Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO VI - ACTOS 3:17,18

UMA TÉCNICA LEGAL

     “E agora, irmãos, eu sei que O FIZESTES POR IGNORÂNCIA, como, também, os vossos príncipes.

     “Mas Deus assim cumpriu o que já dantes, pela boca de todos os seus profetas, havia anunciado, que o Cristo havia de padecer.” - Actos 3:17,18.

     Não, a oração do Senhor pelos Seus homicidas não foi esquecida. Porém agora ergue-se uma nova questão.

     Como declarámos, a lei de Deus exigia que os homicidas fossem executados sem misericórdia. Tinham sido providenciadas Cidades de Refúgio exclusivamente para protecção aos homicidas involuntários. Só quando matavam outros acidentalmente (as palavras em Núm. 35 e Deut. 19 são “ignorantemente” e “por erro”) poderiam esperar encontrar ali ajuda. O homicida que cometia o erro de supor que os juízes nas cidades de refrigério seriam suaves e compassivos, cedo se veria entregue à morte pelos mesmos juízes. O homicida não era suficientemente sagaz para que fosse indultado sob a lei de Moisés. Somente em Núm. 35 lemos uma série de vezes:

     “CERTAMENTE O HOMICIDA MORRERÁ”

     E em Deut. 19:13 está escrito:

     “O TEU OLHO O NÃO POUPARÁ; ANTES, TIRARÁS O SANGUE INOCENTE DE ISRAEL ...”

     Mas não foi a crucificação de Cristo um homicídio no mesmo grau? Será que alguma desculpa poderá ser encontrada para jurados que conspiram a morte do Réu antecipadamente, que o condenam à morte antes mesmo que Ele tenha sido ouvido, que levantam falsos testemunhos para assegurarem a Sua condenação, que O sujeitam à tortura desumana mesmo antes que seja provada a sua culpabilidade? Será que poderá haver alguma desculpa para as muitas irregularidades que caracterizaram esse processo, essa condenação e essa execução, caracterizada como um homicídio claro? Tal impiedade poderá ser explicada em termos benevolentes?

     Porque é que então a acusação aqui é mudada de homicídio voluntário para homicídio involuntário? Porque é que Pedro diz: “Eu sei que o fizestes por ignorância”?

     Ah, eis aqui um sinal revelador da terna misericórdia de Deus, pois ao passo que os homens usam técnicas legais para tirarem disso partido, Deus aqui usou uma para vantagem e benefício dos Seus inimigos.

     O facto é que antes da crucificação os líderes de Israel não sabiam que Jesus era o Cristo. É verdade, que podiam ter sabido, sim, e deviam ter sabido, mas o facto permanece que eles não sabiam. Eles estavam numa posição semelhante àquela em que Saulo de Tarso foi mais tarde encontrado. Ele também podia e devia ter sabido, mas ele não sabia, e mais tarde escreveu: “Alcancei misericórdia, PORQUE O FIZ IGNORANTEMENTE, NA INCREDULIDADE”.

     Decerto que nenhuma desculpa poderia ser encontrada para o ódio e injustiça e crueldade que Israel revelou para com Cristo, mas o facto permanece que eles não sabiam que Ele era o Cristo. O próprio Senhor aludiu a isso quando disse:

     “... QUANDO LEVANTARDES O FILHO DO HOMEM, ENTÃO CONHECEREIS QUEM EU SOU...” (João 8:28).

     Por outras palavras, os responsáveis pela crucificação sabiam bem que estavam a assassinar a sua vítima, mas eles não sabiam que a sua vítima era Cristo. Qualquer que possa ser a implicação plena de I Cor. 2:8, este versículo certamente que ensina que tivessem “os príncipes deste mundo” sabido quem era a sua vítima “ nunca crucificariam ao Senhor da glória”.

     Certamente que isto não justificava a acção deles, mas era uma base em que Deus podia revelar misericórdia. Tivessem eles reconhecido-O como Messias não teriam ousado condená-LO e crucificá-LO, porém não criam que Ele fosse o Messias. Daí o apelo do Senhor: “eles não sabem o que fazem”, e a concessão de Pedro: “E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância”.

     Contudo a responsabilidade jaz agora sobre eles! Agora eles sabem. Eles pregaram-NO ao madeiro e ao fazê-lo reconheceram-NO! Eles agora sabem que crucificaram o seu Rei. Porém ainda estão demasiado orgulhosos para o reconhecerem. Eles pagaram aos soldados que em vão guardaram o Seu túmulo para que se calassem. Eles pensavam que a coisa ficaria por ali. Mas são agora circundados de provas estarrecedoras de que Ele está vivo. E entre essas provas está a admirável restauração instantânea deste homem que eles tinham visto e conheciam tão bem como o coxo mendigo que se assentava à porta do templo. Os desprezados apóstolos curaram-no no nome de Jesus, testemunhando assim o Espírito Santo, que o Crucificado está novamente vivo!

     Se, em face de tudo isto, Israel continuar rebelde, o seu pecado será imperdoável. O Senhor avisou isto quando ainda na terra. Quando eles blasfemaram d’Ele, Ele replicou:

     “Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfémia se perdoará aos homens; mas a blasfémia contra o Espírito Santo não será perdoada aos homens.

     “E, se qualquer disser algumas palavras contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoada; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro” (Mat. 12:31,32).

     O que farão eles agora? Se eles permanecerem nas suas impiedades nunca mais poderão dizer: “Nós fizemo-lo ignorantemente e em incredulidade”. A única razão porque Paulo mais tarde podia dizer isto era porque ele não estivera incluído no aviso do Senhor. Ele tinha estado com Cristo na terra nem tinha sido convencido que ele era o Messias. Não, se as pessoas de Israel agora resistirem ao Espírito Santo e rejeitarem Cristo, ficarão totalmente sem desculpa.

     Contudo, se por outro lado, se se arrependerem e se voltarem para Deus – que glórias os aguardam! Ouçamos como Pedro fala disso.

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