Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO VI - ACTOS 3:1-10

Mas retornemos novamente à cena Pentecostal.


A CURA DO HOMEM COXO

     “E Pedro e João subiram juntos, ao templo, à hora da oração, a nona.

     “E era trazido um varão que, desde o ventre da sua mãe, era coxo, o qual todos os dias punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam.

     “O qual vendo Pedro e João, que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola.

     “E Pedro, com João fitando os olhos nele, disse: Olha para nós.

     “E olhou para eles, esperando receber deles alguma coisa.

     “E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou.

     Em nome de Jesus Cristo, o nazareno, levanta-te e anda.

     “E, tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os seus pés e artelhos se firmaram.

     “E, saltando ele, pôs-se em pé, e andou, e entrou com eles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus.

     “E todo o povo o viu andar e louvar a Deus.

     “E conheciam-no, pois era ele o que se assentava, a pedir esmola, à porta Formosa do templo; e ficaram cheios de pasmo e assombro, pelo que lhe acontecera.” - Actos 3:1-10.


OS APÓSTOLOS E O JUDAÍSMO

     Ainda há outro detalhe importante em que o programa Pentecostal difere do da presente dispensação. É o facto dos discípulos terem sido muito cuidadosos em não principiarem uma outra seita separada do Judaísmo. No término do Capítulo 2 lemos que eles continuavam diariamente unânimes “no templo”. No versículo inicial do Capítulo 3 encontramos Pedro e João irem ao “templo à hora da oração”.

     Contudo para o estudante superficial das Escrituras isto pode muito bem constituir um problema. Não dissera o Senhor: “Está escrito: A Minha casa será chamada casa de oração – mas vós a tendes convertido EM COVIL DE LADRÕES” (Mat. 21:13)?

     Não se despedira Ele da nação rebelde com as palavras: “EIS QUE A VOSSA CASA VAI FICAR-VOS DESERTA” (Mat. 23:38)?

     E não tinha Ele “saído do templo”, dizendo aos discípulos: “EM VERDADE VOS DIGO QUE NÃO FICARÁ AQUI PEDRA SOBRE PEDRA QUE NÃO SEJA DERRIBADA” (Mat. 24:2)?

     Porque é que então Pedro e João assistem agora à hora de oração no templo. Seria possível este templo parecer-se com a casa de oração do Pai para eles, depois de tudo o que o Senhor lhes disse?

     Certamente que isto se deve apresentar como um problema para aqueles que defendem o ponto de vista que a nação de Israel foi posta de parte na cruz e que o Corpo de Cristo principiou em Pentecostes sob a “Grande Comissão”.

     Chamamos nós a Pedro e a João fanáticos ou desencorajados e desanimados? Diremos que eram lentos em vencer os seus preconceitos e em reconhecer a nova ordem de coisas?

     Se sim, também devemos perguntar como é que acerca de homens tão fora da vontade de Deus nos é dito pela própria Palavra terem sido cheios do Espírito. Mais ainda, os versículos que precedem imediatamente o primeiro (versículos 42-47) não deixam qualquer dúvida que “todos os que criam  ...  continuando todos os dias unânimes no templo”, estavam indubitavelmente dentro da vontade de Deus.

     O que é que então aconteceu para que a denúncia divina de Israel e do templo fosse modificada ou revogada?

     A resposta é encontrada na oração do Senhor na cruz do Calvário:

     “PAI, PERDOA-LHES; PORQUE NÃO SABEM O QUE FAZEM” (Lucas 23:34).

     Neste mesmo capítulo dos Actos Pedro indica que esta oração do Senhor visou uma oportunidade para a nação condenada pois, instando com os “varões de Israel” diz:

     “E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como, também, os vossos príncipes ... arrependei-vos, pois ... e envie ele a Jesus Cristo que já dantes vos foi pregado” (Actos 3:17,19,20).

     Por outras palavras, estava a ser dada a Israel uma outra oportunidade para aceitar o Messias e se tornar o canal de bênção para o mundo, e a “Igreja” referida no princípio dos Actos não é o Corpo de Cristo de modo algum, mas a Igreja Messiânica que será estabelecida na terra (cf. Mat. 16:16-18 e Actos 3:19-21 com Ef. 1:19-23; 2:16).

     Aqueles que não vêem isto – que defendem que o Corpo de Cristo principiou em Pentecostes – devem necessariamente ficar confusos aqui.

     Talvez o exemplo proeminente disto seja novamente encontrado nos escritos do líder Fundamentalista mais popular da passada geração.

     Contradizendo-se nos seus próprios escritos ele argumenta que os que ensinam que o reino foi oferecido a Israel depois de Mat. 23:38 são “Ultradispensacionalistas”, uma vez que a nação de Israel foi posta de parte por “toda esta dispensação” quando o Senhor disse: “A vossa casa ser-vos-á deixada deserta”. Apesar disso ele também argumenta que Israel rejeitou a oportunidade de receber Cristo “tanto na incarnação como na ressurreição”.

     Ele acusa os doze de serem tão preconceituosos para com os Gentios que Deus teve de levantar Paulo para ir por todo o mundo com o Evangelho. Apesar disso excede-se ao revelar quão preconceituoso Saulo de Tarso era como Judeu!

     Ele diz que os doze não tiveram fé para levar a cabo a sua “grande comissão” ou a espiritualidade para abandonar o Judaísmo. Apesar disso afirma que se tivéssemos fé e a espiritualidade dos apóstolos, o poder que assistia o seu ministério assistir-nos-ia igualmente a nós!

     Não é de admirar que haja confusão nas fileiras Fundamentalistas!

     O facto é que Pedro e João foram ao templo à hora de oração porque a nação de Israel ainda não tinha sido posta de parte, e esta ainda era a casa de oração, designada por Deus.

     Eles foram demasiado fiéis à sua comissão, pois sob essa comissão (que estava baseada nos concertos e profecias) a conversão das nações deveria principiar com a conversão da nação – Israel (Ver Zac. 8:13; Luc.24:47; Actos 1:8; 3:25,26).

     Dizer que estes homens não foram espirituais por se agarrarem ao Judaísmo e às suas cerimónias não é correcto, pois ainda não tinha sido dada qualquer  revelação que manifestasse que devido à cruz a lei Mosaica poderia ser posta de parte.

     Resumindo, a dispensação da graça de Deus ainda não tinha principiado, como igualmente o mistério, o propósito de Deus não profetizado respeitante ao Corpo de Cristo. Nem mesmo tinham sequer sido revelados. Isto não aconteceria antes do levantamento de Paulo, esse tal outro apóstolo.


UM MENDIGO E UMA NAÇÃO

     A cura dum homem coxo era uma demonstração dos poderes miraculosos outorgados sob a chamada “Grande Comissão”, e era mais que isso. Era um símbolo de um grande significado.

     No versículo 4 lemos que Pedro “fitando os seus olhos” no coxo juntamente com João, disse: “Olha para nós”.

     Agora, o que é que os apóstolos e o coxo viram quando se olharam mutuamente?

     Os apóstolos, olhando para o coxo, viram alguém que pode na verdade ter tido pouco dinheiro na sua caixa de esmolas mas que era sem dúvida alguma um mendigo necessitado, coxo de nascimento, sentando-se à porta Formosa, fora do próprio templo. Perto, sem dúvida, mas fora.

     Contudo, quando o coxo olhou para os apóstolos viu algo muito diferente. Ele era “trazido todos os dias à porta do templo”, eles “continuavam todos os dias ... no templo” e estavam agora a entrar à hora da oração. Ele viu homens “sem prata nem ouro”, certo, mas eles não eram mendigos pois, como Actos 4:34 declara, eles não tinham qualquer necessidade, e o que era superior, possuíam os “poderes do século vindouro”.

     Que comparação temos aqui entre a nação de Israel e o remanescente crente. Israel nunca tinha podido andar desde “o dia em que Deus os tomou pela mão, para os tirar da terra do Egipto” (Jer. 31:32). E agora Israel procurava livramento temporal e prosperidade terrena como o coxo aqui mendigando esmolas. As esmolas teriam também provado, na verdade, que a Israel tinha sido concedido o seu desejo, mas necessitava mais que livramento e prosperidade temporais. Necessitava de redenção do pecado (Mat. 1:21; Actos 3:26; Rom. 11:26). O preço desta redenção não era prata e ouro mas o sangue do novo concerto (Jer. 31:31-34 cf. Mat. 26:28). Por isso Israel jaz no limiar da bênção milenar. Como estava, porém, sem a redenção e sem o Espírito, faltava-lhe a força para entrar e não podia senão permanecer como um mendigo necessitado. Uns anos após a cura do coxo, Pedro escreveu aos crentes judaicos dos seus dias:

     “SABENDO QUE NÃO FOI COM COISAS CORRUPTÍVEIS, COMO, PRATA OU OURO, QUE FOSTES RESGATADOS DA VOSSA VÂ MANEIRA DE VIVER, QUE POR TRADIÇÃO RECEBESTES DOS VOSSOS PAIS,

     “MAS COM O PRECIOSO SANGUE DE CRISTO, COMO DE UM CORDEIRO IMACULADO E INCONTAMINADO” (I Ped. 1:18,19).

     Estava ali a aplicação. Israel procurava livramento das suas tribulações mas não do seu pecado. Não se queria arrepender. Por isso a nação foi tida como um mendigo necessitado fora do templo, enquanto os verdadeiros adoradores , o, “pequeno rebanho”, adorava diariamente no seu interior! E era este remanescente desprezado que tinha o que a nação de Israel necessitava para a ajudar a erguer-se dos seus pés e entrar também no templo. Na verdade, a ardente questão agora era: “Será que a nação de Israel ainda receberia essa ajuda?


ANDANDO E SALTANDO E LOUVANDO A DEUS

     Que figura da bênção milenar vindoura, e que sinal da bênção prometida então a Israel, em Pentecostes, quando Pedro ergue o mendigo pela mão direita, dizendo:

     “Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!” (Vers. 6).

     De repente o coxo mendigo se torna num adorador e entra com eles no templo “andando e saltando e louvando a Deus”!

     Presentemente Israel ainda permanece espiritualmente um mendigo pobre e necessitado, fora da presença de Deus, mas virá o dia bendito quando a nação eleita será salva e com  o remanescente ressuscitado entrará à presença de Deus com canções de regozijo. É por isso que o apóstolo Paulo escreve aos Gentios que têm sido salvos pela graça:

     “PORQUE NÃO QUERO, IRMÃOS, QUE IGNOREIS ESTE SEGREDO (PARA QUE NÃO PRESUMAIS DE VÓS MESMOS): QUE O ENDURECIMENTO VEIO EM PARTE SOBRE ISRAEL, ATÉ QUE A PLENITUDE DOS GENTIOS HAJA ENTRADO.

     “E, ASSIM, TODO O ISRAEL SERÁ SALVO, COMO ESTÁ ESCRITO: DE SIÃO VIRÁ O LIBERTADOR, E DESVIARÁ DE JACOB AS IMPIEDADES.

     “E ESTE SERÁ O MEU CONCERTO COM ELES ...” (Rom.11:25-27).

     A nação de Israel completamente restaurada - andando e saltando e louvando a Deus – será uma das maiores maravilhas que o mundo já viu.

     “Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida de entre os mortos?” (Rom.11:15).

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