Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO VI - ACTOS 2:42-47 (Cont.)

O PROGRAMA PENTECOSTAL

Deve ser aqui dada atenção a dois detalhes importantes do programa Pentecostal que difere amplamente daquele que Deus nos deu para seguirmos hoje.

1. “MUITAS MARAVILHAS E SINAIS SE FAZIAM PELOS APÓSTOLOS” (Vers. 43).

2. “E TODOS OS QUE CRIAM ESTAVAM JUNTOS, E TINHAM TUDO EM COMUM.

     “E VENDIAM AS SUAS PROPRIEDADES E FAZENDAS, E REPARTIAM COM TODOS, SEGUNDO CADA UM NECESSITASSE” (Vers. 44,45).

     No quarto capítulo isto é apresentado tanto negativa como positivamente para enfâse:

     “... E NINGUÉM DIZIA QUE COISA ALGUMA DO QUE POSSUÍA ERA SUA PRÓPRIA, MAS TODAS AS COISAS LHES ERAM COMUNS.”

     “NÃO HAVIA, POIS, ENTRE ELES, NECESSITADO ALGUM; PORQUE TODOS OS QUE POSSUÍAM HERDADES OU CASAS, VENDENDO-AS TRAZIAM O PREÇO DO QUE FORA VENDIDO, E O DEPOSITAVAM AOS PÉS DOS APÓSTOLOS.

     “E REPARTIA-SE POR CADA UM, SEGUNDO A NECESSIDADE QUE CADA UM TINHA” (Actos 4:32,34,35).

Isto não é nada menos do que o cumprimento do Sermão da Montanha e programa resumido pelo Senhor em Mat. 10:7-10, Lucas 12:22-34, etc.

3. E assim continuavam diariamente unânimes no templo, e partindo o pão1 de casa em casa, comiam as suas refeições com alegria e singeleza de coração (Vers. 46).

     Que cenário! Que comunhão bendita! Que paz e prosperidade! Que amor, alegria e entusiasmo! Que poder espiritual! Que antegosto do reino vindouro!

     E como é que eles estavam capacitados para viverem juntos numa tal abnegação e poder espiritual? Ah, é esse o segredo da bênção milenar! O Espírito segundo a promessa, tinha vindo e apoderou-se deles sobrenaturalmente controlando-os completamente de tal modo que foram cheios de poder não somente para operar milagres, mas também para viver vidas que honrassem Deus plenamente (Ver Ezeq. 36:27,28). Hoje por comparação, nós, os membros do Corpo de Cristo, temos o Espírito a habitar no nosso interior e podemos apropriar a Sua ajuda em qualquer altura mas, de acordo com a dispensação presente, devemos apropriar pela fé o que Deus providencia em graça. Assim, no que diz respeito aos crentes Pentecostais encontramos a simples declaração de facto: “Eles foram TODOS cheios do Espírito Santo” (Actos 2:4) enquanto O Apóstolo Paulo nos exorta: “Enchei-vos do Espírito” (Ef. 5:18).2

     Como sabemos, o reino que os crentes Pentecostais pregavam e praticavam e pelo qual oravam foi rejeitado, e esse bendito programa não podia continuar. As circunstâncias em que hoje nos encontramos testemunham o facto de que o Filho de Deus está no Exílio Real exilado do Seu próprio mundo.

     Contudo, Deus, neste “presente século mau”, tem reservado para os seus filhos bênçãos maiores do que as gozadas pelos crentes Pentecostais.

     Eles esperavam que Cristo viesse à terra e transformasse aqui as condições existentes. A nossa posição e esperança são ambas celestiais. É verdade que ainda não fomos tomados fisicamente para o céu, onde um dia serviremos o Senhor em perfeição, contudo somos informados de que Deus já nos vê lá, sentados à Sua própria mão direita e “abençoados com todas as bênçãos espirituais nos celestiais em Cristo” (Ef. 1:3; 2:4-6). Moralmente a nossa unidade com Cristo é tão perfeita que somos “aceites” n’Ele e até mesmo declarados “completos” n’Ele (Ef. 1:6; Col. 2:10), e espiritualmente a nossa união é tão íntima que somos chamados membros do Seu corpo (I Cor. 12:27, etc.).

     E agora é nosso dever ocupar a nossa posição e apropriar as nossas bênçãos pela fé; viver experimentalmente acima deste mundo amaldiçoado pelo pecado como que na própria presença de Deus. Agora não há nenhuma “solução” para o problema da experiência cristã. O Espírito agora não toma um controlo sobrenatural sobre nós para nos levar a fazer a Sua vontade. Os traços característicos da presente dispensação são graça e fé, e nós devemos dar cada passo e vencer cada tentação, pela , à medida que Ele providencia a graça.

     Os crentes Pentecostais foram “cheios do Espírito” porque foram “baptizados com o Espírito” (Actos 1:5; etc.). Connosco o enchimento do Espírito é um objectivo a ser atingido, e ao procurar atingi-lo e alcançá-lo pela fé, bênçãos profundas são já nossas, para não aludirmos às recompensas vindouras. Não constituiu nenhuma vitória particular para os crentes Pentecostais o facto de eles terem sido cheios do Espírito, pois, Ele simplesmente tomou possessão deles de acordo com a Sua própria soberana vontade e profecia. Porém grandes vitórias espirituais são nossas quando nós, “por meio do Espírito, mortificamos as obras dos nossos corpos” para que na verdade possam ser  templos de Deus. Que desafio à fé tudo isto é!


1  Sem dúvida que isto se refere ás suas refeições diárias pois a palavra “comiam”, na frase final, significa alimentação.
2 Ver o opúsculo do autor: O Andar do Crente Neste Presente Século.

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