Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO V - ACTOS 2:24-36
ISRAEL TOMOU CONHECIMENTO DA RESSURREIÇÃO
E agora os ouvintes de Pedro vêem-se perante a temerosa possibilidade de Aquele que eles mataram poder estar novamente vivo, quando Pedro lhes dá a conhecer de que Aquele que eles humilharam a um nível tão baixo para d’Ele se livrarem ressurgiu em poder do sepulcro.
Pedro não afirma isso como sendo um mero facto; ele ergue a verdade bem alto perante os seus ouvintes culpados com argumentos irrebatíveis.
“Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela.
“Porque Dele disse David. Sempre via diante de mim o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja comovido;
“Por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou, e ainda a minha carne há-de repousar em esperança;
“Pois não deixarás a minha alma no Hades, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção;
“Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida; com a Tua face me encherás de júbilo.
“Varões irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente, acerca do patriarca David, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está, até hoje, a sua sepultura.
“Sendo pois ele, profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido, com juramento, que do fruto dos seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para O assentar sobre o Seu trono.
“Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo: que a Sua alma não foi deixada no Hades, nem a Sua carne viu a corrupção.
“Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas.
“De sorte que, exaltado pela dextra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto, que vós agora vedes e ouvis.
“Porque David não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-Te à minha direita,
“Até que ponha os Teus inimigos por escabelo dos Teus pés.
“Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel, que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus O fez Senhor e Cristo.” - Actos 2:24-36.
O ARGUMENTO DA RAZÃO
“Não era possível”, diz Pedro, que a morte O retivesse. Ele não podia permanecer cativo no sepulcro.
Primeiro, era impossível essencialmente; impossível quanto à verdadeira natureza do acontecimento.
Ele era o Autor da vida e provara-o repetidas vezes. Mais ninguém, a não ser Ele (sem cair no ridículo), podia dizer:
“ ...porque dou a Minha vida para tornar a tomá-la.
“Ninguém ma tira de Mim, mas Eu, de Mim mesmo, a dou; tenho poder para a dar, e poder para a tornar a tomá-la ...(João 10:17,18).
Cristo não foi vencido pela morte. Pelo contrário, Ele veio ao mundo para a enfrentar, combater e vencer. Ele impeliu a morte por intermédio da mesma, e venceu-a morrendo.
“...para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é o diabo” (Heb. 2:14).
Por isso O vemos declarar em Apocalipse:
“E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amén. E tenho as chaves da morte e do inferno.” (Apoc. 1:18).
Mas também era impossível que o Senhor permanecesse no sepulcro moral e judicialmente.
Ele morreu devido ao pecado deles. Ele não era nenhum pecador. A morte não tinha nenhum poder sobre Ele, por conseguinte Deus agora ressuscitava-O de entre os mortos.
Outras razões ainda para a ressurreição seriam mais tarde reveladas através de Paulo, mas ainda não tinha chegado o tempo para tal.
Pedro, pelo Espírito Santo, salientava vincadamente agora a culpa de Israel em crucificar o Santo e dava-lhes a conhecer o facto de que Deus O ressuscitara de entre os mortos.
O ARGUMENTO DAS ESCRITURAS
A seguir o apóstolo oferece um argumento Escriturístico ao fazer citações de dois Salmos (Actos 2:25-36).
Ao fazer primeiramente uma citação do Salmo 16, Pedro arranca dizendo que, uma vez que David está morto e sepultado e uma vez que David sabia que Deus lhe tinha confirmado com um juramento que ergueria Cristo da sua semente para se assentar no Seu trono, ele não podia ter estado a falar de si mesmo, mas profeticamente de Cristo, quando afirmou:
“Pois não deixarás a Minha alma no Hades, nem permitirás que o Teu Santo veja a corrupção” (Vers.27).
A segunda citação de Pedro é do Salmo 110:1, onde David diz:
“Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à Minha mão direita, até que ponha os Teus inimigos por escabelo dos Teus pés.” (Actos 2:34,35).
Nesta passagem David não fala evidentemente de si, mas de um outro, a quem chama “Meu Senhor”. Assim, era Cristo que, segundo a profecia de David: seria ressuscitado de entre os mortos e ascenderia ao céu.
E este argumento das Escrituras está intimamente relacionado com um outro.
O ARGUMENTO DAS CIRCUNSTÂNCIAS
“De sorte que, exaltado pela dextra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós vedes e ouvis” (Vers.33).
O Senhor ascendido estava a demonstrar activamente o facto da Sua ressurreição pelas maravilhas de Pentecostes. Ele disse:
“E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai: ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.” (Lucas 24:49).
Este poder tinha sido agora conferido na presença da multidão. Que explicação razoável poderia haver para as maravilhas que os ouvintes de Pedro viram e ouviram agora, excepto que Cristo tivesse na verdade ressuscitado de entre os mortos, ascendido ao céu e enviado o Espírito Santo como tinha prometido?
O TESTEMUNHO DOS APÓSTOLOS
A todos estes argumentos Pedro acrescenta o seu próprio testemunho e o testemunho daqueles que com ele estavam, nomeadamente, que tinham visto pessoalmente Cristo após a Sua ressurreição.
“Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas” (Vers.32).
As multidões que escutavam Pedro podem não ter desejado pensar que Cristo estava novamente vivo, mas a razão exigia-o, as Escrituras tinham-no predito, as circunstâncias indicavam-no e agora Pedro e os seus camaradas estavam ali para sustentarem um testemunho pessoal que sabiam que assim era. Eles tinham estado com Ele, tinham falado com Ele e tinham-No visto com os seus próprios olhos, até à vinda da nuvem para O receber no céu.
A APLICAÇÃO
E agora o apóstolo, pelo Espírito Santo, acerta em cheio como que num golpe de martelo, no facto que os seus ouvintes culpados devem estar preparados para enfrentar.
“SAIBA POIS COM CERTEZA TODA A CASA DE ISRAEL QUE A ESSE JESUS, A QUEM VÓS CRUCIFICASTES, DEUS O FEZ SENHOR E CRISTO” (Vers.36).
Certamente que aqui Pedro não está a pregar o Evangelho da graça, como alguns nos querem fazer crer. A sua mensagem diz claramente respeito aos direitos reais do Filho de Deus.
É Paulo, o apóstolo dos Gentios, que fala mais tarde do “ministério que recebeu do Senhor Jesus, para testificar o evangelho da graça de Deus” (Actos 20:24).
É Paulo que nos manda “lembrar que Jesus Cristo da semente de David ressuscitou dos mortos segundo o seu Evangelho” (II Tim.2:8).
É ele que nos diz que Cristo ressuscitou de entre os mortos por causa da “nossa justificação”, e que Deus “O ressuscitou para nossa justificação... e estando nós ainda mortos em nossas ofensas, vos vivificou juntamente com Cristo, e nos ressuscitou juntamente com Ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para nos mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da Sua graça, pela Sua benignidade para connosco em Cristo Jesus” (Rom. 4:25; Ef. 2:5-7).



