Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO V - ACTOS 2:22,23

O APELO DE PEDRO A ISRAEL

     Ao  termos examinado a ocasião e o texto da mensagem Pentecostal de Pedro, prossigamos agora examinando o apelo que ele baseia nesse texto.

ISRAEL ACUSADO DA CRUCIFICAÇÃO

     “Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus, nazareno, varão aprovado por Deus entre nós, com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus, por ele, fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis;

     “A Este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tornando-O vós, O crucificastes e matastes pela mão de injustos.” - Actos 2:22,23.

     O propósito das palavras de Pedro aqui deviam ser claramente vistas se quisermos compreender o seu significado.

     Apesar das enfáticas declarações de Paulo serem contrárias (especialmente na sua carta aos Gálatas), é muitas vezes reclamado que Pedro pregou o mesmo Evangelho que Paulo.

     “Não pregou Pedro, em Pentecostes”, perguntam eles “Cristo crucificado e ressuscitado, precisamente como Paulo pregava?” A nossa resposta é que em Pentecostes Pedro não pregou Cristo crucificado e ressuscitado como Paulo o fez mais tarde.

     Como é que Pedro na sua mensagem Pentecostal, tratou a crucificação e ressurreição de Cristo? Era esse o seu Evangelho? Ele proclamou a crucificação e a ressurreição como boas novas? Foi seu propósito oferecer salvação aos seus ouvintes por meio da fé na morte e ressurreição de Cristo? Não, nem sequer, de facto, ele efectuou uma tal oferta.

     Pelo contrário, o seu propósito era convencer os seus ouvintes da culpa que tinham na crucificação de Cristo e avisá-los que Aquele que, eles com mãos ímpias, tinham crucificado e morto, ressuscitara de entre os mortos e estava novamente vivo.

     Quando os que foram assim convencidos perguntaram o que deveriam fazer, Pedro não lhes disse para simplesmente crerem que Cristo tinha morrido por eles, como nós fazemos agora. A sua “grande comissão” não tinha sido contemplada com uma tal mensagem. O que ele fez foi ordenar que eles se convertessem e fossem baptizados, todos eles, no nome de Jesus Cristo para remissão dos pecados, de tal modo que eles pudessem receber o dom do Espírito Santo (Ver Verso 38 e cf. Marcos 16:15-18).

     Nós agora sabemos que a própria morte de que Pedro os acusou era a base sobre a qual Deus podia oferecer-lhes no fim de contas a salvação, contudo Pedro, em Pentecostes, não foi comissionado a pregar “o Evangelho da graça de Deus”, nem sequer ele tinha conhecimento de tal Evangelho (Cf. Actos 20:24 com Ef. 3:1-3).

     Quão penetrante é a acusação de Pedro!

     Ele salienta que Jesus de Nazaré foi um homem “aprovado de Deus”, na verdade, publicamente aprovado “por milagres e maravilhas e sinais” que Ele tinha efectuado “no meio deles”. Ele trespassa as suas consciências ao insistir que eles sabiam muito bem tudo isso, e tendo conhecimento disso tomaram-No e com mãos ímpias O crucificaram e mataram.

     Mas notemos cuidadosamente a ordem do versículo 23 onde Pedro declara que Deus no Seu “determinado conselho e presciência” tinha “entregue” Cristo nas suas mãos. Os homicidas de Cristo têm sido desculpados frequentemente com este versículo na base de que eles nada mais poderiam fazer. Deus queria dizer que Cristo seria crucificado. Porém essa defesa para os que cometeram tal feito hediondo é muito pobre.

     Pedro não disse, nem mesmo subentendeu, que Deus os motivou a crucificarem Cristo. Na verdade, ele insiste que eles foram “ímpios” ao fazê-lo.

     A verdade é simplesmente que Deus, sabendo o que os homens ímpios fariam a Seu Filho, determinou apesar disso entregá-Lo nas suas mãos.

     Na Sua presciência perfeita Ele teve um propósito duplo nisso – um relacionado com a profecia e outro relacionado com o Mistério; um com o que o ministério de Pedro dizia respeito, e outro com o que dizia respeito o de Paulo. O primeiro, relacionado com a profecia e o ministério de Pedro, é aquilo com o que temos a ver aqui.

     Foi porque Deus teve como propósito na crucificação do Messias pelos Israelitas, tocar e quebrar um dia o coração do Seu povo eleito, que Ele entregou assim Cristo nas suas mãos. Na verdade, é pelo reconhecimento da sua culpa pela morte de Cristo que Israel um dia será salvo.

     “E sobre a casa de David, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para Mim, a quem traspassaram; e O prantearão, como quem pranteia por um unigénito; e chorarão amargamente por Ele, como se chora amargamente pelo primogénito”.

     “Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém ...”

     “E se alguém Lhe disser: Que feridas são essas nas Tuas mãos? Dirá Ele: São as feridas com que fui ferido em casa dos Meus amigos” (Zac. 12:10,11; 13:6).

     Quão gratos deveríamos estar por a morte de Cristo não ter sido um acidente que Deus falhou em prever! Um universo fora do controlo de Deus com o certo no cadafalso e o errado no trono seria horrível de contemplar. Para que serviria algo sob tais circunstâncias? Nós meramente seríamos as vítimas desamparadas por tudo ir errado!

     Não graças a Deus! O Cristo que foi crucificado e morto por mãos ímpias foi primeiro entregue “pelo determinado conselho e presciência de Deus”!

     Isto de modo algum diminui a culpa dos homicidas de Cristo. Pelo contrário, espera-se daí que uma profunda convicção se abata sobre os seus corações pecaminosos.

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