Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO V - ACTOS 2:15-41 (Cont.)
TODO AQUELE QUE INVOCAR
Ainda não tratámos com o versículo final da passagem de Joel citada por Pedro na sua alocução Pentecostal:
Actos 2:21: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”
Esta declaração de Joel 2:32 é citada duas vezes no Novo Testamento: uma vez por Pedro e outra por Paulo; uma vez no princípio do período dos Actos e outra no fim; uma vez enquanto Deus ainda instava com Israel para que aceitasse o seu Rei e outra após um cegueira judicial (ou dureza de coração) se ter começado a instalar sobre a nação: uma vez enquanto somente Israel era o povo pactuado com Deus, o povo do concerto com Deus e outra após Deus ter principiado a demolir a parede de separação que se erguia entre Judeus e Gentios, e Paulo ter declarado que diante de Deus “não há diferença entre o Judeu e o Gentio”.
Primeiramente devemos considerar a citação desta passagem por Pedro se quisermos compreender claramente a maravilha do seu uso alguns anos mais tarde por Paulo.
A CITAÇÃO POR PEDRO
Devemos notar primeiro de tudo, que Pedro cita o versículo correctamente dentro do seu contexto. Este ponto é muito importante para a compreensão da mensagem de Pedro.
A passagem em Joel, lembremo-nos, era acerca de Pentecostes e da tribulação, e a predição a respeito de Pentecostes como foi citada por Pedro é seguida imediatamente pelo que diz respeito à tribulação:
“E farei aparecer prodígios em cima, no céu, e sinais em baixo, na terra, SANGUE, FOGO E VAPOR DE FUMO.
“O SOL SE CONVERTERÁ EM TREVAS E A LUA EM SANGUE, antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor;
“E ACONTECERÁ QUE TODO AQUELE QUE INVOCAR O NOME DO SENHOR SERÁ SALVO” (Actos 2:19-21).
Isto já aconteceu?
Nós, hoje, vemos esses sinais?
Será que o dia do Senhor está agora a ser introduzido?
Todo o estudante bíblico inteligente responderá “Não” a todas estas três questões. Ainda assim e apesar disso devemo-nos lembrar bem que é em relação a esses terrores que estavam (e estão) para introduzir o dia do “Senhor”, que o profeta diz: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.
É mais do que certo o facto de esta profecia não se ter ainda cumprido. Estes não são “os tempos dos sinais” e certamente que este não é “o dia do Senhor”, mas o dia do homem. É por isso que a guerra e o derramamento de sangue continua praticamente sem interrupção e os nossos estadistas mais capazes se reúnem em vão para discutirem planos para a paz e a segurança.
Porém como dizemos, Deus teve um propósito secreto do qual Pedro não tinha conhecimento. Os sinais da Tribulação não se seguiriam imediatamente aos de Pentecostes. Na realidade, os sinais de Pentecostes desvanecer-se-iam de novo e Deus ofereceria aos Seus inimigos em toda a parte, reconciliação pela graça, por meio do sangue na cruz, que no propósito eterno, tinha “matado a inimizade” entre Deus e o homem e Lhe tinha tornado possível ser “justo e (ao mesmo tempo) o justificador de todo aquele que crê em Jesus” (Rom.3:26).
E é aqui que a citação que Paulo faz de Joel 2:32 entra.
A CITAÇÃO DE PAULO
Paulo, deve ser notado, cita a declaração de Joel completamente fora do seu contexto. Este facto poderia ser considerado um uso ilegítimo das Escrituras, se ele não tivesse escrito por inspiração e se não fosse o próprio Deus, que agora estava a usar esta mesma declaração num cenário infinitamente mais maravilhoso:
“PORQUANTO NÃO HÁ DIFERENÇA ENTRE JUDEU E GREGO; PORQUE UM MESMO É O SENHOR DE TODOS, RICO PARA COM TODOS OS QUE O INVOCAM.
“Porque todo aquele que invocar o nome do senhor será salvo” (Rom. 10:12).
Nós perguntamos novamente: Isto já aconteceu? E todo o santo clama “Sim!” Aleluia! Não somos nós alguns do “todo aquele?”
Assim como é significante Pedro citar esta declaração correctamente no seu contexto profético, assim também e dum modo ainda mais significante mesmo, é Paulo citar agora neste novo cenário.
Os sinais que começaram em Pentecostes finalmente desvaneceram-se e os horrores preditos não aconteceram então – nem mesmo até hoje. Deus agora não está a salvar todo aquele que invoque, no sentido predito por Joel e proclamado por Pedro.
Contudo o facto maravilhoso é que Deus está agora a enviar uma oferta – “todo aquele” – de salvação eterna pela interrupção do Seu programa predito por Joel e pela introdução da dispensação da graça.
Quão bendita é a nossa porção! Quanto mais temos nós do que o que Pedro alguma vez poderia sonhar alcançar com o dia de Pentecostes! Só o facto de pensarmos que “neste presente século mau” é oferecida salvação a todos como uma dádiva gratuita de Deus, e que o pecador mais vil pode ser "justificado gratuitamente pela Sua graça por meio da redenção que há em Cristo Jesus”, e isto inteiramente à parte de qualquer obra religiosa, o que não é! E o que não é pensar que os crentes, como embaixadores de Cristo, têm a grande honra de proclamar uma tal mensagem aos perdidos!



