Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO V - ACTOS 2:15-41

A MENSAGEM PENTECOSTAL DE PEDRO


     “Estes homens não estão embriagados, com vós pensais, sendo a terceira hora do dia.

     “Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel:

     “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões e os vossos velhos sonharão sonhos;

     “E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas, naqueles dias, e profetizarão;

     “E farei aparecer prodígios em cima, no céu, e sinais em baixo, na terra, sangue, fogo e vapor de fumo.

     “O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor;

     “E acontecerá que de todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” - Actos 2:15-21.


ISTO É AQUILO

     Quando Pedro se ergueu com os onze rodeado pelas maravilhas de Pentecostes, sabia com precisão o quem estava a acontecer.

     Ele sabia que o cumprimento da profecia de Joel tinha principiado, e disse sem qualquer qualificação: “Isto é Aquilo”, ou “Isto é o”.

     Ensinado como fora, pelo Senhor (Actos 1:3) e cheio do Espírito Santo (Actos 2:4) ele possuía uma compreensão inteligente quanto ao ponto onde se situava, com precisão no programa de Deus. Daí o poder dinâmico da sua mensagem.

     Perguntemo-nos a nós mesmos – especialmente aqueles de nós que se erguem diante das pessoas – Podemos ser nós tão específicos? Sabemos nós com precisão onde nos situamos no programa de Deus? Podemos nós, nas presentes circunstâncias, apontar para as Escrituras que a elas dizem respeito e positiva e inequivocamente dizer: “Isto é Aquilo”?

     Aqui devemo-nos acautelar, pois não basta ser meramente mais específicos nas nossas declarações. Declarações específicas sem conhecimento específico somente induzirão à confusão. É de longe muito melhor confessar a nossa ignorância do que manifestá-la!

     Muitos “peritos e especialistas proféticos” da presente e da passada geração têm apontado para o que eles têm suposto ser os claros “sinais dos tempos”, pronunciando os nossos dias como sendo “os últimos dias” devido ao “cumprimento” de certas profecias, somente para verem os seus “sinais” desvanecerem-se uns após outros sem que o término da dispensação tenha acontecido.

     Isto não é estranho se virmos como por toda a parte a profecia tem sido confundida com o mistério; se considerarmos que nesta data tão tardia – mil e novecentos anos após a revelação do mistério – os nossos líderes espirituais estão ainda confusos e divididos quanto a qual das comissões do Senhor é para nós e precisamente o que é que Ele queria que nós fizéssemos e ensinássemos!1

     Quão triste é que hoje em dia hajam homens de Deus que se esforcem para serem peritos e especialistas proféticos quando nas suas Bíblias têm a fervorosa oração de Paulo, o apóstolo dos Gentios, para que lhes fosse comunicada sabedoria espiritual para compreenderem o mistério guardado em segredo desde que o mundo principiou! (Ef. 1:9-23; 3:14-21; Col. 1:24, 2:3). Toda a Escritura, não á dúvida, é para nós, mas é sobre o mistério do propósito e graça de Deus que nós desta dispensação devemos ser peritos e especialistas (Ef. 1:9; 3:9; 6:19,20; Col. 1:25-27).


OS ÚLTIMOS DIAS

     Estava então Pedro certo ou errado, quando há mais de dezanove séculos disse que os últimos dias tinham chegado?

Ele estava certo. Como já salientámos, ele foi ensinado pelo Senhor (1:3) e estava cheio do Espírito Santo (2:4). Além disso, ele estava Escrituristicamente certo, pois à luz de todas as Escrituras Velho-Testamentárias aqueles eram os últimos dias.

     Quando lemos esta narração não devemos antecipar revelação. Devemo-nos lembrar que o propósito de Deus a respeito desta dispensação ainda era um segredo.

     Os profetas nada tinham predito acerca da dispensação da graça ou do Corpo de Cristo (Ler cuidadosamente Ef. 3:1-11). Eles apenas falaram dos sofrimentos de Cristo e da glória real que se lhes seguiria (Ver  I Ped. 1:11 e cf. Zac.13:14, etc.).

Agora que os sofrimentos tinham passado, o Espírito seria derramado em preparação da glória que se lhes seguiria (Ver Joel 2:28; 3:17) e nesta altura Pedro ia oferecer a Israel o retorno de Cristo e os há muito prometidos tempos de refrigério (Actos 3:19-21).

     Assim, tanto quanto o plano revelado de Deus dizia respeito, os últimos dias tinham principiado – os dias quando Israel por fim seria introduzido no glorioso reino de Cristo, seu Salvador e Rei.

     Que pena encontrar alguns apontando para Pentecostes, um dia de festa Judaica, como “a data de nascimento da Igreja”! Pedro não disse que aqueles eram os sinais dos primeiros dias do Corpo de Cristo mas dos últimos dias – os últimos dias de tribulação, dor e pecado de Israel, quando Deus há-de ser cioso da Sua terra e há-de vir ter pena do Seu povo e os há-de restaurar a Si mesmo (Ver Joel 2).


O DIA DO SENHOR

     Como já vimos, os sinais que principiaram em Pentecostes eram para introduzir “o dia do Senhor”. Esta frase familiar Velho-Testamentária ergue-se sempre em contraste com o dia do homem.

     Em Daniel 2 temos a grande profecia que para Israel significava o domínio Gentílico, sobre o mundo. Contudo essencialmente significava o domínio do homem afastado de Deus, sobre este mundo, pois os sucessivos poderes mundiais ali descritos são simbolizados pela imagem de um homem.

     Israel, com Jeová no seu meio, tinha desfrutado de supremacia política no mundo. Porém Deus agora tinha retirado a Sua presença de Jerusalém e entregue Israel ao Cativeiro. Em Daniel 2 Deus é chamado “o Deus do céu” e o dia do homem, politicamente falando, principia na terra nesse ponto preciso.

     Agora, e desde já muito tempo, tem sido o dia do homem, e os resultados têm sido tudo menos satisfatórios e agradáveis. Estadistas iludidos ainda se sentam à volta das mesas tentando conseguir a paz sem Cristo, o Príncipe da Paz.

     “Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles” (Sal. 2:4).

     Graças a Deus, a profecia de Daniel 2 termina com este declaração:

     “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre” (Daniel 2:44).

     Sim, o homem está tendo agora o seu dia, mas o dia do Senhor virá.

     “Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a altivez dos varões será humilhada; e só o Senhor será exaltado naquele dia.

     “Porque o dia do Senhor dos exércitos será contra todo o soberbo e altivo, e contra todo o que se exalta, para que seja abatido” (Isa. 2:11,12).


O QUE PEDRO NÃO SABIA

     Assim como Pedro compreendia tudo isto claramente, assim também ele ignorava completamente o plano que Deus tinha em introduzir um extenso período de graça antes de julgar o mundo e estabelecer nele Cristo como Rei.

     O seu uso repetido do termo “últimos dias” prova que ele nada sabia deste propósito divino que mais tarde seria revelado por meio de Paulo.

     Era Deus – Deus na Sua soberania; não no cumprimento dos concertos ou da profecia, mas segundo o Seu propósito e graça – que estava agora a agir a favor dum mundo arruinado e amaldiçoado pelo pecado. (Rom. 5:19-21; II Tim. 1:9).

     Apesar dos sinais dos últimos dias terem começado a aparecer em Pentecostes, eles não apareceram todos. Na verdade, após algum tempo os que tinham começado a aparecer principiaram de novo a desaparecer. Segundo a profecia de Joel, como foi citado por Pedro, os sinais de Pentecostes deveriam ser seguidos por sinais tanto no céu como na terra, e o derramamento do Espírito Santo deveria ser seguido pelo derramamento da ira de Deus.

     Graças a Deus, esses últimos sinais não apareceram então – nem mesmo até agora, ainda não apareceram. Deus não alterara o Seu plano para julgar este mundo ímpio, mas em incomparável amor interrompeu o programa profético, suspendeu o dia do juízo, salvou o chefe dos pecadores e introduziu o dia da graça.

     Este propósito secreto da graça de Deus foi primeiramente tornado conhecido por meio de Paulo, de quem Pedro mais tarde tomou conhecimento e aprendeu.

     Pedro escreve acerca disso nas palavras finais da sua última epístola explicando como foi que o Senhor, que estava para vir julgar e reinar, tinha agora adiado a Sua vinda.

     Primeiramente ele acautela os seus leitores para que não tenham a demora como um “atraso” – pelo menos não se tratava do atraso da indiferença – e a seguir explica com precisão como a demora deveria ser vista:

     “O Senhor NÃO TARDA a Sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é LONGÂNIMO PARA CONVOSCO, NÃO QUERENDO QUE ALGUNS SE PERCAM, SENÃO QUE TODOS VENHAM A ARREPENDER-SE” (II Ped. 3:9).

     “E tendo por SALVAÇÃO A LONGANIMIDADE DO NOSSO SENHOR, COMO TAMBÉM O NOSSO AMADO IRMÃO PAULO VOS ESCREVEU, SEGUNDO A SABEDORIA QUE LHE FOI DADA” (II Ped. 3:15).


1 Ver fascículo do Autor intitulado Isto é Aquilo.

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