Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO IV - ACTOS 2:14 (Cont.)
DOZE HOMENS
A nossa atenção a seguir é dirigida para o número dos apóstolos. Haviam doze – não onze, mas doze. A traição e o suicídio de Judas certamente que só tinham deixado onze apóstolos com o seu Senhor ressuscitado, mas depois Matias foi escolhido e “numerado com os onze” (1:26) estabelecendo de novo o número em doze. Assim temos aqui “Pedro pondo-se em pé com os onze”.
A razão para tal não é difícil de descortinar, pois nessa altura o reino viria ser oferecido a Israel e nesse reino haveria doze tronos sobre os quais os apóstolos se sentariam, julgando as doze tribos de Israel.
Além de lhes ter dado autoridade para actuarem oficialmente durante a Sua ausência, o Senhor tinha-lhes, como vimos, prometido doze tronos no reino. Daí a escolha de um sucessor para Judas antes do Pentecostes, e daí encontrarmos aqui “Pedro pondo-se em pé com os onze”.
UM HOMEM
Isto não é tudo, pois deve ser ainda notado que nesta passagem é dada maior proeminência a um homem – Pedro. Não são meramente doze homens pondo-se em pé, mas “Pedro, pondo-se em pé com os onze”. Somente ele é tratado pelo nome. E isto é constantemente assim nesta primeira parte de Actos. O leitor recordará certamente que em Actos 1:15 foi “Pedro” que se levantou “no meio dos discípulos”, e propôs a designação de um sucessor para Judas. Aqui em Actos 2:14, “Pedro, pondo-se em pé com os onze” prega a grande mensagem Pentecostal. No término dessa mensagem os que ficaram convictos disseram a “Pedro e aos restantes apóstolos, varões irmãos, que faremos?” (2:37). E mais tarde quando perseguido por Cristo, “Pedro e os outros apóstolos responderam e disseram, “Mais importa obedecer a Deus que aos homens” (5:29). Na verdade, toda a primeira parte dos Actos gira à volta de Pedro. Ele é o principal actor.
Isto está em íntima harmonia com as palavras do Senhor antes da Sua partida, pois Ele designara Pedro como o líder dos doze, dizendo:
“E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mat. 16:19).
A autoridade na Igreja Messiânica então, estava centralizada nos doze apóstolos e personificada no próprio Pedro, que o Senhor tinha designado como o chefe dos apóstolos e o cabeça suprema da Igreja daqueles dias (Ver João 20:22,23; Lucas 12:32 e Mat.16:18,19).
É nesta passagem que a Igreja Romana baseia os seus clamores quanto à autoridade apostólica e, triste é dizer, a maioria dos Protestantes, não reconhecendo o ministério distinto de Paulo e o facto de que o reino deu lugar temporariamente à “Igreja que é o Seu Corpo”, vê-se na necessidade de modificar estes versículos ou de alguma forma fugir a eles.



