Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO III - ACTOS 1:10,11
A PROMESSA DA SUA VINDA
“E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto Ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões, vestidos de branco.
“Os quais lhes disseram: Varões galileus, porque estais olhando para o céu? Esse Jesus, que de entre vós foi recebido em cima, no céu, há-de vir, assim, como para o céu O vistes ir”. - Actos 1:10,11.
É um grande erro supor que esta passagem se refere ao arrebatamento dos crentes no término da presente dispensação. Fazer isso é confundir de novo a profecia com o mistério revelado anos mais tarde por intermédio do Apóstolo Paulo.
Segundo a profecia o Messias rejeitado deveria retornar à terra para ocupar o trono de David e reinar sobre Israel e o mundo. E Ele deveria retornar “assim, como” tinha ascendido. Como vimos, o próprio Senhor predissera esta vinda, quando disse:
“E então verão o Filho do homem, NUMA NUVEM, com poder e grande glória” (Lucas 21:27).
A isto o profeta Zacarias acrescenta o seguinte detalhe significante:
“E, NAQUELE DIA, ESTARÃO OS SEUS PÉS SOBRE O MONTE DAS OLIVEIRAS” (Zac. 14:4).
Este é precisamente o lugar donde Ele ascendera numa nuvem (ver Actos 1:9,12).
Decerto que era natural para os apóstolos estarem a olhar para o céu depois que o Senhor fora recebido em cima. Totalmente à parte de qualquer expectativa do Seu retorno isso era perfeitamente natural. Ainda assim e apesar de tudo, notemos bem, os varões vestidos de branco perguntam-lhes: “Por que estais olhando para o céu?” e prosseguem lembrando-lhes que o mesmo Jesus voltaria – voltaria à terra – precisamente como eles O tinham visto subir da terra. Eles não deviam estar ocupados com o senhor no céu como nós hoje. Eles deviam estar ocupados com a Sua vinda à terra para reinar.
Mas não poderia Ele retornar logo?
Não ainda.
Eventos específicos tinham sido preditos como os sinais da Sua vinda e certamente que esses sinais ainda não tinham começado a aparecer.
OS SINAIS DOS TEMPOS
Consideremos cuidadosamente as palavras do Senhor em Lucas 21:25-28:
“E haverá SINAIS no sol e na lua e nas estrelas, e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas.
“Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo, porquanto as virtudes do céu serão abaladas.
“E então verão vir o Filho do homem, numa nuvem, com poder e grande glória”.
“ORA QUANDO ESTAS COISAS COMEÇAREM A ACONTECER, OLHAI PARA CIMA, E LEVANTAI AS VOSSAS CABEÇAS, PORQUE A VOSSA REDENÇÃO ESTÁ PRÓXIMA”.
É então claro que depois da Sua partida o Senhor não poderia retornar logo.
É verdade que nenhum ser humano poderia conhecer quer o dia quer a hora da Sua vinda, mas sinais específicos anunciariam a Sua proximidade. Pentecostes e a grande tribulação deveriam vir primeiramente e as instruções específicas eram: Quando os sinais da grande tribulação começarem a acontecer “olhai então para cima”.
Entretanto havia muito a ser feito. O Senhor tinha instruído os apóstolos a permanecerem em Jerusalém até que eles fossem revestidos de poder para serem testemunhas do seu Rei ressuscitado.
Não é pois de admirar que os varões vestidos de branco procurassem trazê-los de regresso novamente à terra, como aconteceu, com a promessa de que “este mesmo Jesus” voltaria de novo precisamente como O tinham visto subir. O versículo 12 revela significantemente:
“Então voltaram para Jerusalém ...”
A sua posição era terrena, um ministério terreno e uma esperança terrena.
Eles acompanharam Cristo na carne e conheciam-NO somente segundo a carne.
Eles reinariam com Ele sobre as doze tribos de Israel (Mat. 19:28). E agora tinham sido enviados a trazerem as nações, e particularmente a nação, ao arrependimento e à obediência aos pés do Messias.
A NOSSA BENDITA ESPERANÇA NÃO DEPENDE DE SINAIS
Quão diferente é a nossa chamada e a nossa esperança! Nós somos instruídos a estarmos sempre a olhar para cima, ocupados com o Senhor na Sua glória no céu e esperando diariamente a Sua vinda – não para reinar na terra, mas para nos tomar para o céu.
Paulo, o apóstolo desta dispensação, lembra aos crentes Gentios em Tessalónica:
“...e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, E ESPERAR DOS CÉUS O SEU FILHO ...” (I Tess. 1:9,10).
Aos Filipenses escreve:
“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também ESPERAMOS O SALVADOR, o Salvador Jesus Cristo” (Fil. 3:20).
Ele lembra a Tito que deveria já nessa altura estar
“AGUARDANDO A BEM-AVENTURADA ESPERANÇA e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:13).
Nenhum anjo alguma vez questionar-nos-á por estarmos absorvidos e ocupados com a posição e ministério celestiais de nosso Senhor, nem por diária e momentaneamente olharmos para cima esperando a Sua vinda para nos arrebatar.
O próprio Paulo esperava estar entre os “arrebatados” sem terem experimentado a morte (I Tes. 4:15,17). Ele nunca sonhou sequer que a dispensação da graça perduraria por quase dois mil anos. Não há nada que tenha de acontecer, nem sinais nem qualquer facto profético para que o Senhor esgote o dia da graça e arrebate os Seus em qualquer momento, e isto desde que a dispensação da graça principiou, desde os dias de Paulo aos nossos dias. Tem sido a graça e somente a graça que O tem levado a suspender o dia do juízo e a estender a Sua oferta de reconciliação até agora.
Que tanto perdidos como salvos tomem nota deste facto. Não há nenhum dia de graça prometida; nem mais nenhum dia em que os perdidos possam ser salvos ou os salvos possam labutar para Ele.
Ao arguir com os perdidos, o apóstolo da graça diz, pelo Espírito
“E nós, cooperando também com Ele, vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão.
“ ...eis aqui, agora, o tempo aceitável, eis aqui, agora o dia da salvação” (II Cor. 6:1,2).
E ao arguir com o povo de Deus para tomar vantagem da oportunidade para ganhar os perdidos enquanto pode, diz:
“Porquanto, vede, prudentemente, como andais, não como néscios, mas como sábios,
“REMINDO O TEMPO, PORQUANTO OS DIAS SÃO MAUS” (Ef. 5:15,16).



