Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO III - ACTOS 1:9

CAPÍTULO III – ACTOS 1:9-26

DA ASCENSÃO A PENTECOSTES

A ASCENSÃO

     “E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado ás alturas, e uma nuvem O recebeu, ocultando-o aos seus olhos” - Actos 1:9.

     É interessante notar que Deus apareceu pela primeira vez a Israel numa nuvem – não numa nuvem atmosférica, certamente, mas na nuvem Shekinah1 o veículo visível da presença e da majestade divinas. Encoberto no que se apresentava como uma coluna de nuvem durante o dia e como uma coluna de fogo durante a noite, o próprio Jeová conduziu o Seu povo por meio do deserto (Ex. 13:21,22); (I Cor. 10:1).2 

     Depois do Senhor ter “dado mandamentos aos apóstolos que escolhera”, foi esta nuvem que “O recebeu, ocultando-O a seus olhos”. Eles não podiam ter visto com os olhos físicos o que mais tarde cegou Saulo de Tarso. Não era pertença sua a contemplação da glória muito maior do Filho de Deus ao Ele ascender “acima de tudo”. A nuvem ocultou-O dos seus olhos.

     Este facto deveria ser claramente notado, pois, na distinção entre os ministérios dos doze e de Paulo. Os doze só O tinham visto na terra, nunca no céu enquanto que com Paulo deu-se precisamente o contrário. Ele nunca vira Cristo na terra, mas somente no céu.

     Esta distinção é também vista no que concerne ao Seu retorno, pois acerca do Seu retorno à terra lemos: 

     “E então VERÃO VIR o Filho do Homem NUMA NUVEM com poder e grande glória” (Lucas 21:27)

Contudo acerca da vinda do Senhor para nós, membros do Seu Corpo, lemos:

     “ ...e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos ARREBATADOS juntamente com eles, NAS NUVENS, a encontrar o Senhor nos ares ...” (I Tes. 4:16,17).3

     A chamada e a esperança de Israel eram terrenas; as nossas são celestiais. Ele voltará à terra para reinar sobre eles, mas primeiro chamar-nos-á ao céu para ficarmos com Ele. Na verdade, posicionalmente já ressuscitamos dos mortos com Cristo e, como membros de Seu Corpo, estamos sentados nos lugares celestiais, abençoados com todas as bênçãos espirituais (Ef. 1:3; 2:4-6).

     Por conseguinte ao considerarmos estes capítulos iniciais dos Actos devemos não perder nunca de vista o facto de que o nosso relacionamento com Cristo é pela graça, muito mais íntimo que o da nação de Israel.


A ASCENSÃO E A PROFECIA

     Nós não devemos antecipar a revelação ou leremos Efésios em Actos. Devemo-nos lembrar que o propósito de Deus a respeito do Corpo de Cristo e a Sua chamada e posição celestiais era ainda um segredo aquando da ascensão do Senhor.

     A Sua ascensão foi em cumprimento da profecia e os profetas nada tinham dito; na verdade, nada sabiam da ascensão de Cristo para se tornar Cabeça de um Corpo místico de crentes Judeus e Gentios.

     Qual foi então o significado profético da ascensão? Basicamente indicava o desagrado divino na rejeição de Cristo (mesmo apesar de Deus ir oferecer ainda uma outra oportunidade para arrependimento) e predizia o juízo que visitaria os Seus inimigos. Ver por exemplo, Sal. 110:1.

     “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-Te à minha mão direita, até que ponha os Teus inimigos. por escabelo dos Teus pés”.

     Contudo profeticamente o Senhor também ascendeu para que pudesse enviar o Espírito Santo que susteria e capacitaria os Seus preparando-os para a grande tribulação e o Seu retorno para reinar.

Não nos devemos esquecer que de acordo com a profecia a efusão do Espírito Santo era o prenúncio da grande tribulação e do dia do Senhor (Joel 2:28-31).

     Assim como na lei a festa de Pentecostes precedia a das Trombetas, assim também na profecia o verdadeiro Pentecostes deveria preceder e introduziria as trombetas da grande tribulação. As Escrituras proféticas nada sabiam de uma dispensação da graça intermédia.

     E agora seria o Senhor ascendido que enviaria o Espírito Santo aos Seus:

     “E eis que sobre vós envio a promessa do Meu Pai ...” (Lucas 24:49).

     “ ... se eu for, enviar-vo-lo-ei” (João 16:7).



1  Nota do Tradutor – Heb. Shekhinah, a presença terrena de Deus, (de Shakhan, habitar). Teologia Judaica: A manifestação divina através da qual a presença de Deus é sentida pelo homem.

2  Tem sido sugerido que esta “nuvem” era o exército dos Seus anjos servidores. Essa sugestão pelo menos não é inconsistente com o uso Bíblico da palavra, pois a mesma raíz é usada em Heb. 12:1, onde lemos acerca duma “nuvem de testemunhos”. Isto também concorda com o facto de que Ele se manifesta frequentemente aparecendo em “nuvens” (plural) e com o facto de ser chamado repetidas vezes “o Senhor dos Exércitos”.

3   Lucas 9:34 pode à primeira vista parecer negar esta distinção, uma vez que lemos ali que na transfiguração três dos doze apóstolos “entraram na nuvem”. Porém, primeiro de tudo, notemos que a proposição ali é eis enquanto que em I Tes. 4:17 é a palavra muito mais forte em, “estar ou permanecer dentro”. Depois o Senhor já se tinha “transfigurado” antes que esta nuvem “os cobrisse ... e saísse da nuvem uma voz, que dizia: Este é o Meu amado Filho; a Ele ouvi”. Foi portanto o Pai que apareceu na nuvem que os cobriu, e não Cristo na glória celestial que mais tarde seria Sua (Ver Mat. 17:1-8; Marc. 9:2-8; Luc. 9:28-36; cf. II Ped. 1:16-18).

Sermões e Estudos

Fernando Quental 19ABR26
O perigo de nos tornarmos religiosos

Tema abordado por Fernando Quental em 19 de abril de 2026

Carlos Oliveira 17ABR26
A tua chávena

Tema abordado por Carlos Oliveira em 17 de abril de 2026

Dário Botas 12ABR26
A tua morte é um dever!

Tema abordado por Dário Botas em 12 de abril de 2026

Estudo Bíblico
1 Timóteo 3:2

Estudo realizado em 15 de abril de 2026

ver mais
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • Rede Móvel
    966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • HORÁRIO
    Clique aqui para ver horário