Uma palavra aos pregadores (1)

Carlos M. Oliveira    O púlpito é símbolo de maior poder do que qualquer trono temporal terreno, mas note-se que só é assim quando sobre ele está o homem certo com a mensagem certa.

     É papel do pregador, que é verdadeiramente de Deus, mostrar às pessoas, pela sua vida e pelos seus lábios, a vontade de Deus, baseada na Palavra de Deus bem manejada. A sua responsabilidade diante de Deus e dos homens é tal, que tem um peso de consequências não apenas temporais mas eternas.

     O pregador é o maior homem do mundo, ou, pelo menos, deve ser, pois o verdadeiro pregador é um homem de experiência - experiência com Deus. É também um homem de visão, que vê coisas que os outros não veem e depois as apresenta com clareza aos demais. O pregador segundo Deus, respira o eterno e invisível, conseguindo assim convencer os ouvintes, com naturalidade e, portanto, facilidade, que as coisas eternas são mais reais do que as coisas transitórias temporais e dos sentidos. Ele também vive constantemente com os valores da eternidade permanentemente em vista, porque é, de facto, e dá a impressão de ser, um “homem de Deus”.

    O pregador segundo Deus fala de certezas e com certeza. Ele não fala das suas opiniões ou das opiniões dos outros. A sua mensagem assenta em “Assim diz o Senhor”. Tendo o pregador obtido o favor de Deus, a sua mensagem tem enorme poder sobre os homens. Porque a vida de Jesus se manifesta também na sua carne mortal, no seu corpo, ele prega sobre pecado, salvação, santidade, Céu, inferno, como factos e não fantasias e, como resultado, os homens, hoje como ontem, continuam a ficar aflitos nos seus corações e a perguntar o que devem fazer para ser salvos e viver de modo a agradar a Deus.

     O pregador segundo Deus é um homem dorido, visto que procura atrair homens e mulheres para o “Homem de Dores”. Ele experimenta dores, não por fazer o mal, mas como o seu Senhor, por se mover com compaixão pelos que sofrem, chorando com os que se condoem por causa das feridas do pecado, e erguendo os caídos. Ele é diferente do sacerdote e do levita que passaram “pelo outro lado da estrada”. Como o Samaritano, ele chega-se aos necessitados, arriscando a vida se preciso for, sofrendo a inconveniência, ligando as feridas e dispondo-se a pagar as despesas. Ele entra verdadeiramente na “comunhão dos Seus sofrimentos” por um mundo perdido e moribundo. Como o Apóstolo Paulo, ele também sofre “as dores de parto” até que Cristo seja formado nos crentes.

     A eficácia do seu ministério durante a hora que prega deve-se grandemente ao modo como vive as outras 23 horas do dia.

     O pregador segundo Deus é um homem alegre. Alegre com “a alegria do Senhor – a sua força. Só homens alegres, assim, podem erguer homens tristes.

     É a alma do pregador que o faz - não as suas circunstâncias, como o corpo, bens, pessoas. O que o faz é o invisível e não o que se vê; não o que pode ser apresentado em números, mas o que nenhum valor numérico pode expressar. O que o define não é a ostentação, o orgulho, a vaidade, a exuberância, a presunção de sapiência, a exibição de poder e impurezas afins, mas a paciência, a fé, o amor, o domínio próprio, a coragem, a justiça, a pureza e outras virtudes congéneres. É a sua vida espiritual bem cuidada – a sua profunda comunhão com Deus - que faz dele o que é.

- C. M. O. 
(Continua)

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