01-10-11 - Matemático polemiza em “Porque a Ciência Não Consegue Enterrar Deus”
O matemático britânico, da Universidade de Oxford, defende com argumentos sólidos a possibilidade de coexistência entre o conhecimento científico e a religião em “Porque a Ciência Não Consegue Enterrar Deus”.O objectivo do livro é fornecer um amparo fortemente fundamentado para os cientistas, ou qualquer leitor, que sintam necessidade de debater a favor da sua crença.
Para o autor, alguns ateus têm um “fervor religioso” tão grande, que chegam a perseguir homens da ciência que possuem algum tipo de fé. Em casos extremos, diz, eles não conseguem nem aceitar que pessoas com uma crença possam ser inteligentes e construir conhecimentos com base na realidade.
Ao longo dos capítulos, o autor usa linguagem simples e citações de outros autores para mostrar que as descobertas feitas pelo homem não excluem a existência de Deus. Lennox também expõe o que considera as fraquezas da ciência e revela que a maior parte das respostas que ela oferece são especulações teóricas que precisam da fé da comunidade científica para existir. Ele ainda ressalta momentos em que os académicos precisaram de se desmentir e até voltar atrás com as suas afirmações.
Entre os temas discutidos estão o embate entre as cosmovisões, a organização da natureza e do universo, a complexidade da biosfera, a origem da vida e do código genético e a proximidade com a religião mantida por grandes cientistas como Francis Bacon, Galileu Galilei, Isaac Newton e Clerk Maxwell.
Leia o trecho inicial do capítulo “Deus – Uma Hipótese Desnecessária?”.
Deus – Uma Hipótese Desnecessária?
A ciência tem alcançado êxito impressionante na investigação do Universo físico e na elucidação de como ele funciona. A pesquisa científica também levou à erradicação de muitas doenças horríveis e deu-nos esperanças de eliminar muitas outras. E a investigação científica alcançou outro efeito numa direcção completamente diferente: ela serviu para libertar muita gente de medos supersticiosos. Por exemplo, ninguém precisa mais de pensar que um eclipse da Lua é causado por algum demónio assustador, que necessita ser apaziguado. Por tudo isso e por inúmeras outras coisas devemos ser muito gratos.
Porém, em algumas áreas, o próprio sucesso da ciência tem também conduzido à ideia de que, por conseguirmos entender os mecanismos do Universo sem apelar para Deus, podemos concluir com segurança que nunca houve nenhum Deus que projectou e criou este Universo. Todavia, esse raciocínio segue uma falácia lógica comum, que podemos ilustrar como se segue.
Tomemos um carro motorizado Ford. É concebível que alguém de uma parte remota do mundo que o visse pela primeira vez e nada soubesse sobre a engenharia moderna pudesse imaginar que existe deus (o sr. Ford) dentro da máquina, fazendo-a funcionar. Essa pessoa também poderia imaginar que quando o motor funcionava suavemente o sr. Ford gostava dela, e que quando ele se recusava funcionar era porque o sr. Ford não gostava dela. É óbvio que, se em seguida a pessoa passasse a estudar engenharia e desmontasse o motor, descobriria que não existe nenhum sr. Ford dentro dele. Tão-pouco se exigiria muita inteligência da parte dela para ver que não é necessário introduzir o sr. Ford na explicação de funcionamento do motor. A sua compreensão dos princípios impessoais da combustão interna seria mais que suficiente para explicar como o motor funciona. Até aqui, tudo bem. Mas se a pessoa então decidisse que o seu entendimento dos princípios do funcionamento do motor tornavam impossível a sua crença na existência de um sr. Ford, que foi quem de facto projectou a máquina, isso seria evidentemente falso – na terminologia filosófica ela estaria a cometer um erro de categoria. Se nunca houvesse existido um sr. Ford para projectar os mecanismos, nenhum mecanismo existiria para que a pessoa entendesse.



