28-02-13 - Diplomatas de Israel procuram bíblia hebraica antiga na Universidade de Coimbra

Isaac Abravanel     A "Bíblia hebraica de Abravanel", do século XV, é um dos livros mais raros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC) e costuma ser procurada pelos representantes de Israel em Portugal.

     O livro sagrado foi manuscrito em 1450, em Lisboa, por encomenda do financista Isaac Abravanel, um judeu português com ligações familiares a Sevilha.

     A obra é procurada "pelos embaixadores de Israel que tomam posse", disse à agência Lusa o diretor da BGUC, José Augusto Bernardes, indicando que os diplomatas de Telavive vão "a Coimbra visitar a bíblia hebraica como quem se dirige a um santuário".

    Manuscrito em pergaminho atribuível à escola de calígrafos de Lisboa, da segunda metade do século XV, raríssimo (conhecem-se pouco mais de 20 exemplares!), porque a maioria destas bíblias, na Península, foram confiscadas e queimadas pela Inquisição. Não tem colophon (isto é, o local onde se inscrevem os dados do local e data) que nos informe da sua data e do nome do seu autor. Este exemplar tem as páginas iniciais inteiramente preenchidas com uma escrita micrográfica, de gosto mudéjar, a tinta castanha e ouro, semelhante a exemplares assinados pelo calígrafo Samuel Isaac de Medina, datados entre 1469 e 1490, e que se conservam na Palatina de Parma, em Cincinnati e em Oxford. Faltando-lhe embora algumas características decorativas típicas da escola lisboeta (tarjas e iluminuras cor malva), tem anotações e pertences que a relacionam com a família Abravanel, de Lisboa e de Sevilha. É, por isso, conhecida como a Bíblia de Abravanel.

     Uma bíblia latina de 48 linhas (editada no século XV em Mogúncia, na gráfica que pertenceu ao alemão Gutenberg, inventor da prensa móvel), a primeira edição de "Os Lusíadas", de Camões, e os dicionários Tupi-Português estão também entre os livros raros da Biblioteca.

     O diretor adjunto, Maia Amaral, explica a importância de outras preciosidades, como os manuscritos de Almeida Garrett ou o primeiro livro imprimido no Brasil.

     A Biblioteca, acolhida em 1962 num edifício construído na Alta da cidade, vai celebrar 500 anos, com um programa que terminará em janeiro de 2014.

     Dom Isaac ben Judah ou Yitzchak ben Yehuda Abravanel (hebraico: ???? ?? ????? ???????; Lisboa, 1437 - Veneza, 1508) foi um estadista, filósofo [1] , comentador da Bíblia e financista judeu português. Em várias obras ele é referido apenas pelo seu apelido, que por vezes surge como Abravanel, Abarbanel ou Abrabanel. Muitos estudiosos da Torá e do Talmude referem-se a ele simplesmente como "O Abarbanel".

     Nasceu em Lisboa, em 1437, e viveu vários anos na cidade de Queluz[2]. Faleceu em Veneza em 1508 e foi enterrado em Pádua.

     A família Abravanel é uma das mais antigas e distintas famílias judaicas sefarditas, cuja ascendência directa tem origem no Rei David bíblico. Membros desta família viveram em Sevilha, onde viveu o seu representante mais velho, Judá Abravanel.

     No Brasil há uma pessoa de grande relevo descendente de Isaac Abravanel {FONTE: 'A Odisséia Sefradita' Victor Escroignard. Ed. Ames}: o também judeu Senor Abravanel, mais conhecido como Silvio Santos, um dos mais importantes ícones da cultura brasileira e o mais longevo apresentador de programas de televisão do país.


Notas biográficas

     Isaac Abravanel foi aluno de Joseph Hayyim, rabino de Lisboa. Versado em literatura rabínica e nos estudos do seu tempo, ele devotou os seus jovens anos ao estudo da filosofia judaica. Com apenas 20 anos de idade ele escreveu sobre a forma original dos elementos naturais, sobre questões religiosas, sobre profecias, etc. As suas capacidades na política também lhe valeram a atenção de terceiros mesmo ainda na juventude. Entrou para o serviço do rei Afonso V de Portugalcomo tesoureiro e em breve ganhou a confiança do seu mestre.

     Não obstante a sua alta posição e grande riqueza que ele herdou do seu pai, o seu amor pelos pobres e oprimidos era notável. Quando Arzila, em Marrocos, foi tomada pelos portugueses e os prisioneiros judeus foram vendidos como escravos, ele contribuiu largamente com os fundos necessários para os libertar e organizou também colectas em seu favor por todo Portugal. Também escreveu ao seu rico e influente amigo Jehiel de Pisa, em apelo pelos presos.

     Após a morte do Rei D. Afonso V, foi obrigado a deixar o seu cargo, tendo sido acusado pelo Rei D. João II de conivência com o Duque de Bragança, que tinha sido executado sob acusação de conspiração. Avisado a tempo, Abravanel salvou-se, fugindo em sobressalto para Castela em 1483. A sua grande fortuna foi confiscada por decreto real.

     Em Toledo, sua nova residência, ele ocupou-se inicialmente com estudos bíblicos, e no decorrer de 6 meses produziu uma grande quantidade de comentários aos livros de Josué, Juízes e Samuel. Mas pouco depois ele começou a servir a casa de Castela. Juntamente com o seu amigo, o influente Don Abraham Senior, de Segóvia, ele encarregou-se de administrar as receitas e fornecer abastecimentos ao exército real, com contratos que ele executou bem, para satisfação total de Isabel de Castela.

     Durante as Guerras mouriscas, Abravanel emprestou somas avultadas de dinheiro ao governo. Quando foi decretada a expulsão dos Judeus de Espanha, ele tentou por todos os meios convencer o rei a revogar o édito. Em vão, ele ofereceu-lhe 30.000 ducados. Também costumam atribuir a ele um texto que ficou conhecido como A resposta de D. Abravanel ao Decreto de Alhambra. Porém a origem real deste documento encontra-se numa obra de ficção publicada em 1988, intitulada Alhambra Decree do autor David Raphael. Com os seus companheiros de fé, Abravanel deixou a Espanha para ir viver para Nápoles, onde em breve entraria para os serviços do rei. Por um período curto, ele viveu em paz, mas quando a cidade foi tomada pelos franceses, ele foi roubado de todas as suas possessões e seguiu o seu rei Fernando, em 1495, para Messina; e mais tarde para Corfu; e em 1496 instalou-se em Monopoli, e finalmente em 1503 em Veneza, onde os seus serviços foram empregues na negociação de um tratado comercial entre Portugal e a República de Veneza.