Ser evangélico ou ser genuinamente de Cristo?

Quantos dos que se dizem evangélicos compreenderam realmente o Evangelho de Jesus?

 Porque compreender o Evangelho me leva a viver de um modo diferente. E quando digo diferente, não estou me referindo ao “diferente”, normalmente, utilizado para dizer que a pessoa não fuma, não frequenta alguns lugares, não assiste determinados filmes, não diz palavrões ou que passou a frequentar os cultos de uma igreja cristã, algumas vezes por semana.

Não é sobre esse diferente que estou a falar. Porque se esse fosse o diferente, seria superficial demais, cosmético demais, paliativo demais. Seria, como se diz “só para inglês ver”. Esse diferente, até a educação e o bom senso podem produzir.

Eu conheço várias pessoas que não se consideram cristãs e que não fumam, não dizem palavrões, não gostam de alguns filmes, não vão a certos lugares - não por uma questão de fé; mas, simplesmente, porque não gostam, não concordam ou porque sabem que não vai fazer bem à saúde e coisas assim. 

Só que o diferente que eu estou a falar é aquele onde o coração se torna mais compassivo, mais misericordioso, mais bondoso, mais limpo, mais verdadeiro, mais tolerante, mais caridoso, mais sensato, mais sábio, mais consciente, mais em paz, mais humilde, mais servo, mais voluntário, mais parecido com Jesus.

Se eu acho que compreendi o Evangelho, mas continuo preconceituoso, orgulhoso e insensível à dor do meu próximo; eu estou, completamente, enganado. Se eu acho que creio no Evangelho, mas eu não me compadeço, nem mesmo, de um familiar que está a sofrer de depressão ou ansiedade, eu estou, completamente, iludido. Se eu acho que eu conheci o Evangelho, e eu, nem mesmo, trato com misericórdia quem está a sofrer por causa de uma enfermidade; nem humano eu estou a ser, quanto mais cristão.

O Evangelho enternece o nosso coração. O Evangelho torna-nos  mais humanos. O Evangelho ajuda-nos  a enxergar a nossa própria fragilidade e pequenez. O Evangelho faz-nos ver que não há respostas prontas, nem fórmulas secretas. O Evangelho torna-nos mais parecidos com Jesus.

Será que as pessoas não percebem que conhecimento teológico ou bíblico não torna ninguém num seguidor de Jesus? Porque Ele disse que é manso e humilde de coração. E o que Ele quer nos dar é descanso para as nossas almas.

Há muita gente letrada na Bíblia, mas vazia do amor de Deus. É claro que elas querem ser amadas. E é claro que elas usam versículos para cobrar amor dos outros. Elas vêem-se  como vítimas do desamor e injustiçadas pelos outros. Mas, elas mesmas não vivem o amor. Não vivem a extravagância da graça. Pelo contrário, vivem de suas medidas e cálculos baseados na lei e nas regras rígidas e frias da religião.

Amor não é o que sentimos, mas o que fazemos. Deus amou o mundo e deu o Seu Filho. Daí que quando amamos, fazemos algo.

É aí que eu entendo que o amor é o único que autentica a vida com Deus. Ou seja, não há Deus se não há amor. Porque Deus é amor. E porque, sem amor, nada é feito em Deus e muito menos para Ele.

Quando falo de amor, falo dessa escolha de se doar pelo bem do outro. Esse olhar para a vida com os olhos do bem. Não um sentimento arrebatador que mistura química com hormonas. Mas aquela escolha da vontade de fazer o bem em nome de Jesus.

O amor lança fora o medo; mas, também lança fora o sentimento de vítima, o desejo de ser reconhecido, a luta por posições, o orgulho que nos faz olhar para as pessoas de cima para baixo, a arrogância religiosa, as disputas sem sentido e a falta de misericórdia.

O facto é que conhecer o Evangelho de Jesus é mergulhar na graça de Deus. Sem esse mergulho não existe Evangelho, nem compreensão dele. Pode haver cultura bíblica, conhecimento teológico, aparência de piedade; mas não há vida de Deus.

Que pena ver que o Evangelho, em muitos círculos, foi transformado numa simples doutrina a ser estudada. Que pena que haja tanta gente que conhece a Bíblia, mas não reflecte Jesus na sua vida. Que pena que as pessoas consigam considerar-se cristãs, mas não vêem que o alvo de tudo é ser como Jesus, amar a Deus e ao semelhante.

Quantas pessoas decoram capítulos inteiros da Bíblia, mas não se podem compadecer de um irmão que está fraco e doente! São capazes de explicar doutrinas e discorrer sobre os mais diversos temas da teologia, mas não expressam qualquer misericórdia e compaixão na sua vida.

O critério final do julgamento, segundo Mateus 25, não será o conhecimento bíblico ou teológico, mas o amor. “Tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber”. Parece que ainda não entendemos que o que fazemos a um dos nosso irmãos ou irmãs estamos fazendo a Jesus.

Não dá para amar a Deus e odiar o meu irmão. O reino de Deus é fundado sobre o amor-ágape de Deus. O amor que escolhe buscar o bem do outro.

Não um amor romântico ou sentimental; mas um viver onde as escolhas têm a ver com essa busca. Isso, sim, tem haver com o espírito do Evangelho de Jesus. O resto é o resto.

Que o Espírito Santo se derrame sobre nós e nos faça ver que não só sem fé é impossível agradar a Deus; mas que quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.

O que interessa não é ser evangélico, é viver o Evangelho. O que interessa é ser de Jesus.

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