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Esperemos que a seguinte exposição ajude a entender o significado da glória de Deus.
“Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” (2 Coríntios 4:6).
A luz é invisível, a menos que brilhe sobre um objecto. Um raio de luz, ao entrar por uma janela, torna-se visível porque há no ar partículas sobre as quais a luz incide, revelando assim a sua presença. “Deus é luz” (1 João 1:5), mas é invisível; não pode ser conhecido a menos que brilhe sobre um objecto que O revele. O “objecto” é a face de Jesus Cristo.
O que é que vemos, exactamente, quando olhamos para a face de Jesus? Não é a iluminação do conhecimento de Deus, mas a iluminação do conhecimento da glória de Deus. Não vemos apenas Deus, mas a Sua glória. Vejamos, então, o que torna Deus glorioso – o que é a Sua glória.
A face que revela a glória de Deus é uma face desfigurada, cuspida, magoada, ferida, sofrida, pela maldade dos homens. Em Isaías 52:14 lemos: “O Seu parecer estava desfigurado de tal maneira que não era mais o de um homem”.
Mas isso não é vergonha e desgraça? Será glória?
A glória que Deus considera glória é diferente do que supomos ser glória. Caímos sempre no erro de pensar que Deus é como nós (Salmo 50:21) e, por isso, que a Sua glória consiste no mesmo que a do homem, só que em ponto maior.
“Então ele disse: Rogo-Te que me mostres a Tua glória. Porém ele disse: Eu farei passar toda a Minha bondade por diante de ti, e apregoarei o nome do Senhor diante de ti: e terei misericórdia de quem Eu tiver misericórdia, e Me compadecerei de quem Me compadecer.” (Êxodo 33:18,19). A Sua bondade e graça eram a Sua glória. Deus não disse: Farei passar todo o Meu poder, a Minha majestade. A Sua glória é graça – “a glória da Sua graça” (Efésios 1:6). É esta glória que se vê na face de Jesus. É isto que faz os anjos esconderem o seu rosto e curvarem-se em adoração cheios de admiração, maravilhados.
É por isso que lemos em João 12:23: “E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado.” A hora de Ele ser glorificado seria a hora de Ele ser desfigurado e dar a Sua vida – “E Eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (v. 32) -, a hora de atrair os perdidos a Si.
Jamais um momento de vingança foi merecido como no Seu caso, mas em vez de O vermos ser levantado num trono, vêmo-l’O numa cruz.
Será por acaso que quando Jesus revelou a Pedro, Tiago e João, a Sua glória, no monte da transfiguração, o tema da conversa era a Sua morte? (Lucas 9:31).
Será por acaso que lemos também: “E o Verbo Se fez carne (humilhou-Se), e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1:14)?
Já notámos que a Sua glória é exibida no céu, envolta do Crucificado, no livro do Apocalipse?
“Para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.” (1 Coríntios 1:31).
“Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6:14).
A hora da Sua glória é a hora da Sua graça para connosco.
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