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"A igreja é a única organização que existe primariamente para benefício dos não-membros”   C. S. Lewis



 

Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (V) PDF Imprimir e-mail
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     OS PRINCÍPIOS DE DEUS

     Um princípio, como em cima usámos a palavra, é uma regra fixa de moralidade ou de conduta. Nós respeitamos os homens de princípios; homens que se levantam pela verdade custe o que custar. Certamente que Deus possui os mais elevados princípios e nunca se desvia deles.  Ele sempre odiou e odiará o pecado. O pecado sempre foi e sempre será contrário à Sua natureza santa. Nunca em qualquer época este facto se verificou duma forma mais acentuada que noutra.  Semelhantemente Deus sempre se deleitou e sempre se deleitará na justiça, na misericórdia e no amor. Deus nunca se desviou, nem se desviará no mais leve grau, destes princípios.

     O princípio da lei, ou de justiça, por exemplo, tem continuado imutável ao longo dos séculos. Em qualquer dispensação, quando o erro é cometido, o sentido de justiça é ofendido. Isto pode ser demonstrado duma forma simples por três exemplos bíblicos:

     Caím viveu antes da dispensação da lei dispensada por Moisés. Caím matou o seu irmão Abel. Estava isto certo ou errado? Será que ele se meteu em dificuldades devido a isso? É claro que sim, embora a lei escrita não tivesse sido ainda dada.

     David viveu sob a lei de Moisés. Ele também cometeu homicídio. Estava isto certo ou errado? Errado, certamente, e ele também se meteu em dificuldades devido a isso.

     Tu e eu vivemos depois da lei, sob a dispensação da graça. Suponhamos que cometíamos o acto de homicídio.  Estaria isso certo ou errado?  Meter-nos-iamos em dificuldades - com Deus? O facto de Cristo ter levado sobre si os nossos pecados no Calvário tornará o homicídio menos errado? Contemplará Deus esse acto como menos pecaminoso porque ocorreu sob a dispensação da graça?

     Talvez digas, actualmente para o verdadeiro crente a plena condenação legal do pecado foi suportada por Cristo, e, ainda que o não soubesse, David também foi perdoado na base desse fundamento.  Mas o mesmo facto de que os pecados de David e os nossos foram pagos, em vez de passados por alto não prova que os princípios da lei e da justiça permanecem fixos?

     O princípio da graça é igualmente imutável. Isso pode ser demonstrado duma forma igualmente simples por meio duma passagem bíblica:  Romanos 4:1-6:

     Abraão viveu antes da dispensação da lei. Como foi ele justificado?   “Abraão creu a Deus e isso lhe foi imputado como justiça”  (Rom. 4:3).

     David viveu sob a lei. Como foi ele justificado? “Assim também David declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras”  (Rom. 4:6).

     Tu e eu vivemos depois da lei, sob a dispensação da graça. Como somos nós justificados?  “Aquele que não pratica, mas crê n’Aquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça”  (Rom. 4:5).

     Ora nos casos de Abraão e de David, as obras eram requeridas para a salvação; enquanto que no nosso caso as obras para a salvação são claramente proibidas; ainda assim e apesar de tudo as passagens acima citadas evidenciam com clareza que Abraão, David e nós fomos todos salvos essencialmente pela graça por meio da fé e que as obras como tais nunca tiveram em si qualquer valor salvador.

 
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